Morre aos 61 anos o diretor Moisés Miastkwosky

Publicado em: 07/05/2014

O teatro brasileiro perdeu, ontem (6), mais um de seus grandes representantes. O diretor Moisés Miastkwosky morreu em São Paulo, aos 61 anos, devido a problemas de insuficiência respiratória. O enterro acontece hoje, às 12h, no Cemitério Israelita do Butantã (Av Eng. Heitor Antonio Eiras Garcia, 5530).

 

Encenador de mais de 85 espetáculos teatrais, o conceituado artista foi orientador de dois cursos de Extensão Cultural na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco (“Introdução à interpretação”, em 2013, e “Interpretação infantojuvenil para musicais”, no início deste ano).

 

Moisés Miastkwosky (Foto: Arquivo pessoal)

 

Muitos amigos e artistas estão se manifestando pelo perfil de Moisés – que era carinhosamente apelidado de “Tesouro” pelos mais próximos – no Facebook.

 

O ator Cassio Scapin escreveu: “Estou chocado com a notícia do falecimento de Moises Miastkwosky, ontem recebi uma mensagem linda dele, dizendo que nos conhecíamos há 25 anos e queria me ver sempre nos palcos! Estou absolutamente transtornado e chocado”.

 

“Muito triste. Tão longe estou e fico sabendo que meu amigo partiu. Moisés Miastkwosky. Um homem que dedicou toda a sua vida ao teatro. E que mostrou este caminho a tanta gente. Devemos muito a você. Fique bem, meu amigo, onde estiver”, declarou o ator e diretor Luiz Amorim.

 

Cida Almeida, atriz e diretora, também lamentou a perda. “Com ele aprendi a ser menos arrogante. Conhecendo ele pude perceber que as diferenças podem construir, desde que haja amor, verdade e respeito.”

 

A SP Escola de Teatro deixa aqui seu carinho e respeito por esse gentil e carismático judeu. Que seus ensinamentos e sua dignidade continuem contagiando a todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Shalom, Moisés!

 

Biografia

Nascido em Laranjal Paulista (SP), em 1952, Moisés Miastkwosky formou-se em Artes Cênicas, na Bélgica, onde fez estágio no Théâtre Toyal de la Monnaie e no Mudra Interacional, além de estudar no Houston Academy of Dramatic Arts, no Texas, Estados Unidos.

 

Foi encenador de mais de 85 espetáculos teatrais, entre eles: “Antígone”, “Édipo Rei”, “Prometeu Acorrentado”, “O Santo Inquérito”, “A Pane”, “Morte e Vida Severina”, “Transe”, “O Canto do Cisne”, “Os Fuzis da Senhora Carrar”, “Curto-Circuito”, “O Assalto”, “O Terrível Capitão do Mato”, “Álbum de Família”, “Beijo no Asfalto”, “Os Sete Gatinhos”, “Bailei na Curva”, Mulheres Trágicas”, “Um Grito Parado no ar”, “A Casa de Bernarda Alba”, “O Casamento Forçado”, “Um Paroquiano Inevitável”, “Entre Quatro Paredes”, “O Levante do Gueto de varsóvia”, “O Diário de Anne Frank”, “Desgraças de uma Criança”, “Equus”, “Sonho de uma Noite de Verão”, “Abra a Janela de Deixa Entrar o Ar da Manhã”, “Inri, a Paixao”, “Cromossomos” e outros de sucesso de público e crítica.

 

Criou o Festival Estudantil de Teatro do Estado de São Paulo, na cidade de Tatui/SP, em 1982. Criou o Concurso Nacional de Dramaturgia Paulo Setúbal, pela Secretaria de Estado da Cultura.

 

Foi jurado de mais de 50 festivais de teatro, pelo Pais, entre eles: Festival de Teatro do Sesc, Festival Nacional de Teatro de São José do Rio Preto, Festival de Teatro da Paraíba, Festival de Teatro da Fepama, Festival de Teatro de Presidente Prudente, Festival de Teatro do Paraná, Fentepita, Piracicaba, Festival Nacional de Teatro de Americana, Festivale, Festival Tropeiro de Teatro, Bienal de Teatro.

 

Membro da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), desde 1973, no Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos (Sated), desde 1978, do Instituto de Artes Cênicas do Estado de São Paulo (Icacesp), da Task-Brasil, com sede em Londres, Inglaterra, e da Moisés Miastkwosky Produções Artísticas.

 

Foi membro da banca examinadora do Sindicato dos Artistas. criou vários festivais e mostras de teatro pelo Estado de São Paulo.

 

Ministrou oficinas e cursos em vários estados brasileiros: Paraná, Paraíba, Acre, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outros.

 

Criou dezenas de grupos teatrais, em Dracena, Adamantina, Andradina, Tatuí, Sorocaba, Araçatuba, Santos, Americana, e outras cidades.

 

Foi supervisor geral do espetáculo “Viva a Vida Viva”, na ECO 92, no Rio de Janeiro, com a presença do Dalai Lama, Príncipe Charles e outras autoridades mundiais.

 

Foi diretor de teatro da multinacional Rhodia, dos grupos de teatro do clube A Hebraica por 10 anos, diretor e coordenador de teatro do Conservatório de Tatuí, pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo durante 15 anos, dirige teatro no Clube Paineiras por 14 anos.

 

Recentemente, recebeu prêmios de melhor espetáculo e melhor diretor com as montagens: “Casamento do Pequeno Burguês” (2012); “As Troianas” (2006) e “Senhora dos Afogados” (2006).

 

Coordenou a oficina-projeto “Prometeu Acorrentado”, na Oficina Mazzaropi, em São Paulo, com 70 integrantes, e “Morte e Vida Severina, em 2010.

 

No dia 6 de maio de 2014, morreu devido a problemas de insuficiência respiratória, em São Paulo.

 

 

Texto: Felipe Del

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