Módulo Amarelo: Teatro e a Cidade

Publicado em: 21/06/2010

Por: Dr. José Simões de Almeida Junior – Diretor Pedagógico (Interino)
O conceito de lugar teatral é difuso e polissêmico, sendo, muitas vezes, no senso comum, considerado como sinônimo do edifício cênico ou mesmo um depósito da cena. Nossa abordagem propõe a compreensão do lugar teatral como um espaço social no qual se constrói a atividade Teatro. Temos, então, o lugar teatral compreendido como uma unidade cultural, artística e social organizada, num dado contexto urbano, pela prática, isto é, pelo uso que os artistas e o público fazem dele (território vivido).
A evolução da distribuição espacial dos lugares teatrais não é orientada por um único motivo ou sentido, sendo resultado de uma série de variáveis particulares, reunindo processos sincrônicos e diacrônicos, continuidades e descontinuidades, em uma inércia dinâmica. Fixá-lo, portanto, é impossível. Resta-nos refletir sobre um momento histórico, sob risco de transformá-lo numa fotografia envelhecida, que observa parte de uma realidade espacial. Busca-se compreender o conjunto dos lugares teatrais a partir da noção de território.
A ruptura entre a atividade teatral e o seu edifício específico resultou, ao longo das últimas três décadas, no crescimento de espaços teatrais distintos, tais como a ocupação de armazéns, galpões, etc. (ALMEIDA JR, J.S. 2007) Do mesmo modo, no período percebeu-se o crescimento do teatro denominado – de grupo. (FERNANDES, S. 2010) – coletivos teatrais estáveis com propostas estéticas mais ou menos definidas e que de algum modo buscam estabelecer e fomentar um espaço – uma sede própria – para desenvolver seu trabalho. É forte a relação do grupo ou companhia de teatro com o espaço e a cidade. Os modos de ocupação e uso do espaço, normalmente, não se encontram somente vinculados à criação dos espetáculos da companhia ou grupo residente, mas encontram-se associados a um conjunto de atividades que visam dinamizar o espaço culturalmente.
Esse conjunto dos lugares teatrais edificados ou não existentes em uma dada cidade é o resultado da acumulação, e eles se sobrepõem uns aos outros formando um imenso palimpsesto, no qual atua o complexo movimento cultural teatral. Os arranjos espaciais existentes na paisagem das cidades constituem os indicadores da territorialidade do teatro, organizados ora por meio de continuidades, ora por descontinuidades.
No entanto, sejam os arranjos espaciais contínuos ou descontínuos, os lugares no território teatral encontram-se ligados por uma rede no interior da totalidade-mundo-teatro, que é acionada pelos sistemas de ações que determinam o funcionamento dos referidos lugares, o que nos permite a partir do desenvolvimento do experimento no módulo amarelo avançar com os aprendizes na discussão das relações entre o teatro e a cidade.
Bibliografia para consulta:
ALMEIDA JR, José Simões de. Cartografia política dos lugares teatrais da cidade de São Paulo – 1999 a 2004. Tese Doutorado em Artes. Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007.
FERNANDES, Silvia. Teatralidades contemporâneas. São Paulo: Perspectiva, 2010.
SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco | 21/06/2010
Dr. José Simões de Almeida Junior.
 Diretor Pedagógico (Interino)