“Menino Luz”

Publicado em: 03/12/2012

Silvia Masulo, em cena de “Menino Luz”: hoje, às 20h, na Sede Roosevelt (Foto: Alexandre Marques/Divulgação)

 

Hoje à noite, às 20h, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, será apresentado o monólogo “Menino Luz”, dirigido por Durval Mantovaninni, aprendiz de Direção da Escola. No palco, a atriz Silvia Masulo dá vida à personagem criada por Pierce Willians: um contador de histórias que está confinado em uma clínica psiquiátrica. 

De lá, ele fala sobre um menino, cujos mistérios e peripécias preocupam a mãe. Por seu jeito diferenciado, acaba sendo excluído, assim como o próprio contador de histórias, afinal, como diz a epígrafe da peça: “Aos insanos, ninguém dá ouvidos”.

Por meio dessa trama, é levantada a possibilidade de se adotar tratamentos menos agressivos aos pacientes que sofrem de transtornos mentais, para que eles possam, enfim, retornar ao núcleo familiar e à sociedade.

Durante a concepção do espetáculo, os artistas pesquisaram a loucura, a esquizofrenia, os casos do artista plástico Bispo do Rosário e do pregador Profeta Gentileza, além de obras de Augusto Boal. “O fato de ver como a arte por si é terapêutica – o que é diferente de arteterapia –, de como ela pode servir de ferramenta para promover a integração do indivíduo, foi o que nos motivou”, comenta o diretor.

Durval explica, ainda, que “Menino Luz” faz alusão ao menino Jesus, sendo adotado como referência para o trabalho o texto “O Primeiro Milagre do Menino Jesus”, de Dario Fo, que dessacraliza a imagem de Jesus. A peça também evidencia a questão feminina, pela forma como a personagem se identifica mais com a mãe.

O sagrado também se manifesta no interior da personagem, o que, segundo Durval, é característica comum em boa parte dos esquizofrênicos. “Eles costumam ter uma ligação muito forte com o divino e dizem ser capazes de ouvir a voz de Deus”, comenta.

Com iluminação de Adilson Cunha, trilha sonora e sonoplastia de Breno José Regueira e cenografia e figurino de Cláudia Parolin, o espetáculo “Menino Luz” foi apresentado em cidades do interior e litoral de São Paulo (Atibaia, Guarujá e Santos), algumas vezes em parceria com instituições engajadas na luta antimanicomial. Neste ano, chegou a ser encenada na cidade francesa de Beynes, onde os artistas fizeram três apresentações e ministraram uma oficina de “Experiência Cênica em Arteterapia”. “Todas as sessões lotaram. No final, fazíamos debates sobre o processo criativo. O público (brasileiros, franceses e portugueses) recebeu muito bem e percebeu a poesia. Disseram que mesmo sem a legenda entenderam a peça. A experiência foi tão boa que pretendemos voltar”, avisa Durval.

Serviço
Espetáculo: “Menino Luz”
Quando: Hoje (3), às 20h
Onde: SP Escola de Teatro – Sede Roosevelt
Praça Roosevelt, 210 – Centro
Tel.: (11) 3775-8600
Grátis

 

 

 

Texto: Felipe Del e Majô Levenstein

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