Lauro César Muniz por Mário Viana

Publicado em: 28/03/2012

Acho que o primeiro texto de teatro brasileiro que li, ainda estudante de colégio estadual, foi do Lauro César Muniz: “A Morte do Imortal”, numa edição de bolso que, sei lá como, foi parar na distante Zona Norte de São Paulo. Até hoje, lembro-me de piadas da peça.

 

O nome do autor era familiar das novelas “Carinhoso”, “Escalada” e “O Casarão”.  Ao longo dos anos, li e assisti a outras peças do Lauro, acompanhei algumas novelas – e seria capaz de rir na cara de quem previsse que um dia eu estaria trabalhando em sua equipe. 

 

Lauro faz parte daquele grupo de autores de qualidade indiscutível a quem a TV recorreu para – como dizem os marketeiros, hoje em dia – “agregar” conteúdo à programação. Foi a geração que injetou nas novelas a precisão do texto teatral, que criou tramas e personagens inesquecíveis, que fugiu da obviedade e ousou tocar em temas, até então, impensáveis.

   

Seja escrevendo comédias ou dramas, peças curtas ou longas, Lauro aplica na sua obra o mesmo padrão de excelência, recusando o fácil e investigando o surpreendente. Acima de tudo, Lauro escreve para ser compreendido por quem o assiste – e isso nem de longe significa ceder a facilidades canhestras.  Pelo contrário, chegar até o outro é uma das maiores qualidades de quem lida com a permanente fragilidade da criação artística.

 

 

Veja o verbete de Mário Viana e Lauro César Muniz na Teatropédia.

 

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