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Jefferson Del Rios fala sobre Alberto Guzik

Publicado em: 09/06/2011

A Presença de Alberto
 

Alberto Guzik foi um intelectual e artista que se realizou plenamente na sua paixão pelo teatro. Ainda menino, foi ator infantil com os pioneiros Tatiana Belinky e Júlio Gouveia. Formou-se pela Escola de Arte Dramática (EAD) e, logo em seguida, participou de “O Processo”, de Kafka, espetáculo experimental encenado no Núcleo 2, do Teatro de Arena, com direção de Leo Lopes, jovem assistente de Antunes Filho, precocemente falecido. No elenco estava uma colega da EAD que faria bonita carreira, Gabriela Rabelo, o futuro diretor José Rubens Siqueira e Julio Calasso, hoje um profissional de cinema.
 

Em uma mudança de rumo, mas dentro da mesma área, Alberto deixou o palco para ser respeitado crítico teatral e acadêmico.  Durante mais de uma década foi crítico de vários jornais, principalmente de O Estado de S. Paulo enquanto realizava seu mestrado na Escola de Comunicação e Artes (ECA), da USP, com a dissertação “TBC – Crônica de um Sonho”, análise da trajetória dessa companhia que modernizou o teatro paulista (publicada pela Editora Perspectiva).
 

Por fim, e de volta ao começo, deixou tudo de lado para ser outra vez um ator. Talentoso e feliz integrante – e seu tanto mestre – do grupo Os Satyros.  Exerceu, bem e rapidamente, a direção, mas foi no palco, atuando, que definiu de vez seu caminho. Tinha tipo e voz característicos, algo entre o imponente e o excêntrico que chamava a atenção e, assim, acertou em todos os papéis. Viveu intensamente esses anos finais, mais solto, mais alegre, mais risonho. Éramos muito diferentes de temperamento, mas a convivência sempre foi amistosa e bem-humorada. Fica na memória uma longa conversa no Festival de Curitiba e a efusividade entre o tímido e o carinhoso de todas as estreias, ribaltas e portas de teatro que nos reuniram por mais de 40 anos.