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Facetas do Diego

Publicado em: 29/03/2011

Um desafio proposto por Bete Dorgam, formadora do curso de Humor da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, fez com que os aprendizes mergulhassem de cabeça em suas memórias da infância. A ideia era criar uma instalação com esse tema em uma das salas da Escola. Valia tudo, mas o que importava era a imaginação e a improvisação.
 

Desafio aceito. Assim, o aprendiz de Humor Diego Gonçalves dedicou semanas de trabalho para montar diversos cenários que lembravam momentos importantes da sua infância e mostrou o quanto a vida pode ser conturbada e psicodélica até mesmo para uma criança.
 

Em uma instalação montada literalmente, de ponta cabeça, na sexta-feira (18/03), Gonçalves lembrou suas brincadeiras de infância, as horas passadas no café da manhã em torno da família e a triste notícia da morte de sua mãe. “Minha infância foi complexa demais. Mas adorei passar pela experiência de olhar para alguns fatos de forma mais madura e pegar um pouco do passado e trazer para hoje”, revela.
 

Para entrar na instalação de Gonçalves era preciso, antes de tudo, atravessar uma cabana feita de cobertores e cadeiras armada na entrada da sala. Nesse momento, dava para notar os coloridos pinos de plástico de um brinquedo de montar.
 

Do lado esquerdo da sala, uma cova com um vídeogame e um controle, quase soterrados, surpreendeu os olhares de todos. “Montei essa estrutura pois, quando soube da morte da minha mãe, estava jogando vídeogame e isso foi muito marcante para mim”, conta.
 

Outro cenário que chamou a atenção dos mais desavisados foi uma mesa de café, rodeada de cadeiras, com pães, xícaras, caixas de leite e uma cafeteira, pendurados no teto de cabeça para baixo. No chão, litros de café derramados e uma cadeira vermelha marcavam o espaço desse aprendiz nas reuniões familiares.
 

“Quando era pequeno, adorava brincar de montar naves com as minhas fitas cassetes inutilizadas pela invenção do CD”, conta o aprendiz que colocou um trem em um suporte circular e homenageou a evolução da tecnologia de áudio com um LP, uma fita cassete e um CD dispostos em direção ao céu.
Gonçalves completou o outro canto da sala com uma cama molhada e torta, repleta de remédios, e um inalador, numa referência a sua bronquite crônica. “Sim, eu faziaxixi na cama”, confidencia.
 

O espaço vazio foi tomado por uma invasão de brinquedos como dominó, bonecos, carrinhos, gibis, feijões e canudinhos. Materiais utilizados pelos colegas para reviver as tardes que Gonçalves passou fazendo guerra de feijão com seus primos. “A galera da sala se empolgou e fez guerra de feijão, bolinha e até tinta”, relata.
 

Nem a parede foi perdoada pelas estripulias de Gonçalves, que desenhou com giz colorido uma pessoa, com as mãos na parede, lembrando a brincadeira de esconde-esconde. “Deixei uma caixa de giz colorido na frente da parede e, instintivamente, meus colegas começaram a escrever textos, piadas e a desenhar naquele local”, revela, enquanto conta o seu desejo secreto de ser um Aprendiz em Foco no site da Escola de Teatro.
 

Desejo realizado.

Confira as fotos no link