Experimento. 200 artistas em 2 dias

Publicado em: 24/05/2010

“O experimento traz ao processo, o teatro vivido e experimentado, portanto, é nele que se vê – ou se constata – o território teatral”, afirma José Simões, Diretor Pedagógico Interino da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

Processo, Experimento e Formação são os módulos pedagógicos dos Cursos Regulares da SP Escola de Teatro. Atualmente, os primeiros 200 aprendizes dos oito Cursos Regulares já alcançaram a segunda etapa desse processo de ensino, o chamado Experimento. Momento de execução; de colocar em prática.

Foram semanas de preparação e, nas manhãs dos dias 21 e 22 de maio, os artistas/aprendizes surpreenderam a plateia lotada do Teatro Aliança Francesa com a apresentação de fragmentos das peças: O Cerejal, de Anton Tchekhov; Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; Navalha na Carne, de Plínio Marcos; O Inspetor Geral, de Gógol; Tartufo, de Molière; O Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen; O Noviço, de Martins Pena e O Telescópio, de Jorge Andrade.

Um olhar não se cria da noite para o dia e, para um artista, o que interessa é mudar de escala, sair do papel e ir para o mundo.

Entre varas e bambolinas, na mesa de som, no palco e na coxia

Os dois dias do Experimento uniram 200 artistas em oito espetáculos e quatro montagens seguidas por manhã. Suor e sincronismo foram imprescindíveis para a montagem e apresentação de tantas obras distintas em tão pouco espaço de tempo. E assim se fez, a cortina negra do Teatro Aliança Francesa abria e fechava como o piscar de olhos num sonho agitado. Escadas de 3 metros de altura; luvas; lâmpadas ardentes.

Enquanto atores se aglomeravam em busca de um espaço no pequeno espelho do camarim; cenógrafos, concentrados, mediam afoitamente o espaço teatral para disponibilizar os adereços de cena; iluminadores subiam escadas para sincronizar e adaptar a luz; sonoplastas testavam o som e figurinistas retiravam gambiarras de suas bolsas para ajeitar detalhes nas roupas.

Todos os processos de criação teatral e montagem de espetáculos se arquitetaram num trabalho apaixonado e em equipe durante o Experimento.  No ar, entre um odor de charuto e pó de serra, se respirava também o sentimento comum entre todos ali. “Isto é uma experiência para a vida toda, é um orgulho estar aqui”, se emociona Danila, aprendiz, integrante do Grupo 5.

Nenhum dos integrantes dos grupos se deteve somente nas práticas de seus estudos, foram além, e interferiram na montagem da obra como um todo, criando um ambiente criativo e colaborativo. Sonoplastas, contra-regras, diretores, dramaturgos, atores, humoristas e figurinistas, transitaram juntos, pelos mais diversos temas e técnicas das artes teatrais.

 A multiplicidade das obras também mostrou que os aprendizes souberam criar e questionar, com atualidade, seja atuando dramaticamente ou comicamente; seja atrás da cortina, em meio a varas e estrobos de luz, aglomerados na coxia queimando os dedos na iluminação que não se encaixava ou revendo conceitos e medidas com o cenário que não se mantinha em pé.

“A interação entre os cursos é um exercício do todo. O Experimento foi essencial para entender como é válido o lado prático do aprendizado na área teatral” afirma Marcos, aprendiz e integrante do Grupo 1.