Com Tetralogia Libertina, Satyros abrem novo espaço na Praça Roosevelt

Publicado em: 14/04/2015

A Companhia de Teatro Os Satyros inaugura o Estação Satyros, seu novo espaço na Praça Roosevelt, nesta sexta-feira (17), com a montagem de “Juliette”, parte da Tetralogia Libertina, que o grupo pretende montar no decorrer de 2015.

 

A nova casa fica onde antes funcionava o Espaço dos Satyros II, fechado em janeiro de 2013, após oito anos em atividade, devido a fatores como dificuldades econômicas de manutenção, necessidade de reforma urgente das instalações e falta de estrutura financeira para desenvolvimento de novas produções. Com parceria do escritório de arquitetura Arkitito, do arquiteto Tito Ficarelli, o espaço foi totalmente reformado, ganhou novas instalações e promete levar ao público da Praça intensa programação teatral.

 

Criada a partir da obra do Marquês de Sade, “Juliette” é uma das personagens femininas mais polêmicas da história da literatura. A história original foi publicada sob anonimato entre 1797 e 1801, dividida em seis volumes, correspondendo originalmente à segunda parte de “La nouvelle Justine”.

 

Irmã de Justine, Juliette é uma heroína libertina que vive um sem-número de aventuras e, ao contrário de sua virtuosa e desafortunada irmã, leva uma vida bem-sucedida. Criada num convento e corrompida aos 13 anos, ela vive uma vida quase completa de depravação física e moral, preenchida com corrupção, orgias, traições e assassinatos.

 

A partir dessas experiências alucinantes, cria-se ao longo da obra um complexo pensamento libertino. A ideia da encenação dos Satyros é realizar uma abordagem não cronológica da vida de Juliette, com o debate dos textos filosóficos que rondam o romance de Sade, além de trazer a história para um diálogo com a contemporaneidade, levantando os aspectos mais corrosivos de sua abordagem da humanidade e discutindo o papel da mulher na sociedade contemporânea.

 

Tetralogia Libertina

A Tetralogia Libertina foi criada a partir da obra do Marquês de Sade. Além da estreia oficial de “Juliette” e a remontagem de três produções clássicas dos Satyros: “A filosofia na alcova”, “Os 120 dias de Sodoma” e “Justine”. O projeto se estenderá durante o ano de 2015 e não conta com apoios oficiais e nenhuma forma de patrocínio.

 

O Marquês de Sade é um nome singular na história da literatura universal. Aliada a uma biografia cheia de peripécias, vivida em plena Revolução Francesa, sua obra suscitou debates intelectuais acirrados durante os séculos. Proibido em seu tempo, a publicação de suas obras era realizada de forma clandestina e causavam grande interesse.

 

Nascido em Paris, pertencia à aristocracia francesa decadente do século XVIII. Ingressou no Exército e voltou da Guerra dos Sete Anos como capitão de cavalaria. Sua natureza sexual perversa o levou a várias ocorrências policiais, tendo sua primeira prisão ocorrido em Aix-en-Provence, quando torturou prazerosamente uma moça. Condenado à morte, foi indultado por interferência da família. Estes casos repetiram-se em várias outras cidades como em Arcueil e Marselha. Várias vezes preso, sempre conseguia evadir-se, até ser preso definitivamente em Vincennes (1777), de onde foi transferido para a prisão da Bastilha (1784). Ficou internado no hospício de Charenton (1789-1790, 1801-1814) até a morte. Sua obra mais notável foi marcada pelo tom pornográfico em que o sexo e a filosofia materialista eram apresentados simultaneamente, retratando a decadência dos costumes vigentes na França da sua época, deformadas pelas descrições patológicas da corrupção moral e de perversões sexuais.

 

Muito além do neologismo “sadismo”, tão utilizado pela psicanálise, sua obra também inspirou artistas como os do movimento Surrealista, Artaud, Buñuel, entre outros. Pensadores como Lacan e Sartre mergulharam na sua obra para poder compreender a essência humana, tanto em sua moralidade quanto nos mecanismos que nos movem.

 

Ficha técnica

Texto: Nina Nóbile e Rodolfo García Vázquez, a partir da obra do Marquês de Sade

Direção: Rodolfo García Vázquez

Assistência de direção: Gustavo Ferreira e Henrique Mello

Elenco: Bel Friósi, Bruna Guimarães, Daiane Brito, Diego Ribeiro, Eric Barros, Felipe Moretti, Fernando Soares, Flavio Sales, Janaína Arruda, Lenin Cattai, Lucas Allmeida, Renato Lima, Ren’Art, Ricardo Fernandes, Rodrigo Banks, Sabrina Denóbile, Silvio Eduardo, Stephane Sousa

Figurinos: Bia Pieratti e Carolina Reissman 

Cenários: Marcelo Maffei

Trilha Sonora: Henrique Mello e o coletivo

Iluminação: Guilherme Pereira

Produção: Carina Moutinho

Produção Geral: Daniela Machado

Fotos: André Stéfano

 

Serviço

“Juliette”

Quando: Quinta a domingo, às 21h (de 17/4 até 30/6)

Onde: Estação Satyros

Praça Roosevelt, 134 – Consolação

Duração: 90 minutos

Classificação: 18 anos

Informações e reservas: (11) 3258-6345 /3231-1954

Ingresso: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)