Cida Almeida por Filipe Brancalião

Publicado em: 27/03/2012

“Tenha dignidade, rapaz!”

 

Esta foi, sem dúvida, uma das frases que mais ouvi de Cida Almeida ao longo de meus dois anos ao seu lado. Em oficinas, cafés, ensaios, espetáculos, estivesse ela dirigindo ou conduzindo um treinamento, Cida sempre chamava atenção de seus atores para a necessidade de estarem ali, presentes, vivos, alertas, prontos para o jogo, dignos diante do imenso compromisso de se colocar diante do público. Ter dignidade era nunca, em hipótese alguma, perder o estado de urgência e prontidão para o acontecimento teatral que, para Cida, era tão sagrado quanto profano, mas em ambos os casos, indispensável à natureza humana.

 

É impossível não reconhecer a importância dessa grande artista e pedagoga que já habita o patamar dos mestres do teatro brasileiro. Além de participar da formação de inúmeros atores da nova geração, Cida é uma das incansáveis representantes do encontro entre o popular e o erudito. Nela, se reúnem seriedade e bom humor, sabedoria e diversão, densidade e sorrisos. Em sua prática, estão o respeito e filiação à pedagogia de Jacques Lecoq, bem como sua incessante busca pela formação do intérprete cômico e popular brasileiro.

 

Estar com Cida Almeida é estar diante de um convite quase irrecusável para se apaixonar intensamente pela construção de um teatro apoiado em nossas raízes, que reconheça em nossa sociedade os temas e os tipos que merecem ganhar a cena, de modo extremamente contundente e dialógico.

 

Salve a baiana Cida Almeida. Axé! Evoé! 

 

 

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