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Celebração Urbana Toma Conta das Ruas do Brás

Publicado em: 18/07/2011

A Avenida Rangel Pestana, situada na Zona Leste da capital paulista, parou para ver o hiperinstrumento e seus estandartes e receber a Cerimônia Urbana, organizada pelos aprendizes e corpo docente do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, durante o último Território Cultural do semestre, realizado no sábado (16/07).

 

Em pleno contrafluxo em uma das vias mais movimentadas do Brás, a Cerimônia Urbana, que saiu do Largo da Concórdia em direção à Escola, reuniu quase uma centena de pessoas e mudou a rotina dos moradores e lojistas da região que, extasiados, deixavam suas casas e trabalho para participar da procissão que harmonizava, cheia de ritmo e melodia, vocais e instrumentos mecânicos e percussivos.

 

Com uma comissão de frente formada por aprendizes de Humor, como Fagner de Almeida Silva, Gabriel Granado Gonçalves Lopes e Sergio Luiz Gava de Andrade, entre outros, os aprendizes de Sonoplastia conduziam, muito animados, os instrumentos gigantes, sob a batuta atenta de Wilson Sukorski, formador do curso.

 

Josiane Silva de Souza, uma das aprendizes que integrou a comissão de frente do cortejo, considerou a comemoração fantástica. “Achei o máximo, encerramos com chave de ouro esse semestre, a turma de Sonoplastia realmente arrasa!”

 

“O trabalho acabou superando muito as minhas expectativas, quando a gente começou era difícil acreditar que tudo ia dar certo, mas o resultado foi ótimo”, revela Samuel Gambini, aprendiz de Sonoplastia. “Foi muito bom ver os formadores emocionados e todo mundo trabalhando junto e felizes com o resultado. Depois que tudo acabou, não se falava em outra coisa, se não ‘temos que fazer isso mais vezes’. Todos participaram e acredito que esse foi o melhor projeto que a sala já fez, justamente pelo trabalho em equipe”, comenta.

 

Com uma vista privilegiada, Bruno Boaro, colega de Sambini, também participou do cortejo e passou toda a Cerimônia Urbana em cima do hiperinstrumento. “Aquele espaço, a Rangel, não costuma receber este tipo de intervenção. Estávamos, de verdade, intervindo na paisagem e toda a euforia dos envolvidos – até a galera que vende jeans – tinha muito a ver com isso”, relembra.

 

O aprendiz relatou ainda, que a celebração foi algo que aconteceu despretensiosamente na Formação e que, com o tempo, foi ganhando forma e sentido. “No dia anterior, com o ensaio, parece que as pessoas já tinham certeza do que seria, mas como, só no dia mesmo. Eu me surpreendi”, afirma.

 

Segundo Arnaldo Santini, aprendiz de Iluminação, a materialização de um hiperinstrumento, a partir de objetos que supostamente não têm mais uso, vai de encontro com a proposta de Escola Verde da SP Escola de Teatro. A saída para a rua no último dia de atividades também foi marcante. “Praticamente uma epopéia. Primeiro, levar o instrumento pelas ruas até o Largo da Concórdia, depois, ser interrompido por problemas na geração de energia e quase desistir de efetivar a manifestação artística, que, no final, deu certo. Também foi incrível ver a ligação entre todos eles durante a ‘performance’”, revela.

 

Entretanto, para Santini, o mais surpreendente no cortejo foi o momento em que ele se dirigiu à Escola. “Eu não acreditava que daria certo voltar tocando pelo meio da Avenida. E eu só sei que, no final, o batuque que estávamos fazendo no pátio só terminou quando os seguranças apagaram as luzes e, se dependesse de quem tocava, até agora o Brás estaria reclamando do barulho. A bolha que eu ganhei na mão está sendo uma lembrança dolorida de tanta comemoração. Que venha o Módulo Vermelho!”, conclui.

 

Conheça mais sobre o projeto nos textos de Raul Teixeira e Wilson Sukorski.