Ativistas e artistas discutem corpos e identidades no Fundamentos do Módulo

Publicado em: 23/02/2018

A ativista transvestigenere Érika Hilton em palestra no Teatro Sérgio Cardoso. Foto: Bruno Galvíncio/SP Escola de Teatro

JONAS LÍRIO

As reflexões ligadas à ideia de liberdade e corpos, nortes temáticos deste semestre na SP Escola de Teatro, foram temas de conversas entre artistas, ativistas e pesquisadores e aprendizes, formadores e coordenadores da SP Escola de Teatro, nesta quinta (22), primeiro dia de Fundamentos do Módulo. O encontro aconteceu no Teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista.

Estiveram presentes a atriz e cantora Ellen Oléria, a indígena Guarani Jera Giselda Tenondé Porã, a ativista Érika Hilton e o pesquisador Zeca Ligiéro.

Primeira a falar durante o evento, Jera Giselda Tenondé Porã, líder da comunidade indígena Guarani na Zona Sul de São Paulo, contou sobre os costumes de sua tribo Tenondé Porã, cuja aldeia se pauta principalmente pela ideia do coletivo. Segundo ela, que é graduada em Pedagogia pela USP, isso se reflete em união tanto em rituais de dança quanto na luta pela demarcação de seu território. “Muita gente ainda acredita que só existem indígenas na Amazônia ou no Xingu, mas não, nós estamos na capital paulista também, assim como por todo o Brasil – sempre estivemos.”

A primeira mesa de discussão também contou com a presença da transvestigenere Érika Hilton. “Eu me defino assim porque renego os termos ‘travesti’ e ‘transexual’ enquanto ato político. Para a sociedade, ser travesti significa ser marginal, doente, promíscua e suja. E eu não sou nada disso. Nós não somos nada disso.”

Idealizadora do cursinho pré-vestibular TRANSformação, na USP, Érika também discorreu sobre o termo “corpos desviantes”. Segundo ela, apesar de poder ser interpretado como um reforço a algo “errado”, assumi-lo é aceitar não fazer parte da norma, uma vez que estar dentro da norma é ser conivente com uma série de opressões institucionais contra minorias.

A indígena Guarani Jera Giselda Tenondé durante o encontro com aprendizes. Foto: Bruno Galvíncio/SP Escola de Teatro

“O movimento LGBT se movimenta por quem? Não é pelas mulheres estupradas, não é pelas pessoas bissexuais tachadas de ‘safadas’, não é pelo 90% de pessoas da comunidade trans mortas e silenciadas o tempo todo”, critica. “O momento é de entender o que nossos corpos significam e partir para a ação, se apropriar do que nos faz diferentes.”

Ainda pela manhã, a fala da cantora e atriz Ellen Oléria foi ao encontro da ideia discutida por Érika Hilton mais cedo. “É preciso pensar no nosso corpo como um lugar de discurso. E, a partir daí, pensar no nosso trabalho como discursos que atualizamos ao sairmos do lugar comum que nos foi imposto, dos estereótipos que quebramos,” afirmou. “Falar sobre ‘a sociedade’ pode ser algo abstrato, nós temos que lembrar que todas as esferas de ação social são feitas por pessoas.”

Diretor teatral e coordenador do Núcleo de Estudos das Performances Afro-ameríndias da Unirio, Zeca Ligiéro encerrou o primeiro dia de Fundamentos do Módulo apresentando e contextualizando rituais religiosos de várias partes do mundo. O pesquisador conversou com os aprendizes sobre a ligação entre a origem teatro e esse tipo de performance, especialmente no que se refere à influência das tradições indígenas na arte.

O diretor e professor Zeca Ligiério fala sobre performance e ritual de povos ameríndios. Foto: Jonas Lírio/SP Escola de Teatro




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