As Engrenagens do Texto

Publicado em: 27/02/2012

Compreender a mecânica de construção de um texto é o início do caminho de todo dramaturgo. Seja pela criação individual ou em grupo, a dramaturgia se debruça sobre diversos elementos e, daí, faz suas criações. No curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, essa interação potencializa o diálogo entre os trabalhos de criação e entre outras áreas.

 

A coordenadora do curso, Marici Salomão, avalia que o Módulo Verde é ancorado em dois eixos. “O primeiro é o da criação individual ou singular. O aprendiz, com sua visão de mundo, dentro de um processo mais tradicional de escrita, vai escrever um texto. O segundo eixo é a dramaturgia porosa, que é o contato horizontal nos processos de criação. Aqui, todos vão criar juntos”, conta.

 

O material utilizado nesse processo é o texto “Bella Ciao”, de Luís Alberto de Abreu, que se passa no período entre a imigração italiana e a queda de Getúlio Vargas. A história aborda temas políticos, sociais e antropológicos, como o desenvolvimento do sindicalismo no País, conflitos geracionais entre pai e filho e anarquia.

 

“A partir desse texto, os aprendizes vão recriar as suas próprias autorias na sala de ensaio, reavivando os temas com os olhos do Brás. A imigração, por exemplo, tem forte presença aqui”, afirma.

 

Já no Módulo Azul, esse encontro se dá de forma diferente. Os cursos de Cenografia e Figurino, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco vão “provocar” os cursos de Atuação, Direção, Dramaturgia e Humor. Marici explica, ainda, que essa fricção também acontece entre as formas de trabalho. “Antes, a condução do Processo, Experimento e da Formação acontecia de maneira mais estanque. Agora, há um entrelaçamento dessas três fases.” 

 

O material de trabalho adotado nos estudos desse Módulo tem como base as artes visuais e o cinema. Ao longo do semestre, muitas novidades estão programadas. “Surpresas virão com o tempo”, garante a coordenadora.

 

 

Texto: Leandro Nunes