Apresentações instigantes no penúltimo dia da programação de lançamento da SP Escola de Teatro

Publicado em: 01/01/2010

Luís Alberto de Abreu, Tunica Teixeira e Jan Ferslev, do grupo Odin Teatret da Dinamarca, se apresentaram ontem (28), penúltimo dia da programação de lançamento da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.
O coordenador do curso de Sonoplastia, Raul Teixeira, apresentou a conferência com Tunica Teixeira, referência em sua área, com renomados trabalhos realizados na Escola de Arte Dramática (EAD), e no Teatro Escola Macunaíma, coordenado por Antunes Filho. A sonoplasta também trabalhou com o diretor Emílio Di Biasi e o coreógrafo Ivaldo Bertazzo.
“Gosto muito de música boa para ficar me ouvindo. A música tem uma carga emocional que é histórica. Isso tem que ser levado em conta na hora de selecionar o material para uma trilha sonora”, disse.
A sonoplasta elencou duas características fundamentais para um sonoplasta: paciência e, é claro, gostar de música. “Teatro é aquela coisa que não precisa colocar na tomada. Tecnologia nenhuma vai conseguir diminuir essa arte milenar, que é, antes de tudo, uma arte artesanal”, afirmou.
Apresentação Internacional
O músico e ator Dinamarquês Jan Ferslev, integrante há mais de 20 anos do grupo Odin Teatret, dirigido e fundado por Eugenio Barba, na Noruega, realizou uma demonstração do processo criativo de seus trabalhos. “Trabalho com ações, com movimentos carregados de informação. Essas ações acontecem ao mesmo tempo, a todo o momento estão sempre empurrando algo, como o mar que pulsa sem cessar”, disse o ator.
Por vezes, Jan Ferslev prepara cenas com quase uma hora de duração para depois mudar tudo e aproveitar pouco mais de cinco minutos. “A gente só consegue modificar algo que tem uma forma fixa”, explicou o ator durante a apresentação.
O ator disse que o encenador Eugenio Barba não gosta de trabalhar com textos prontos e sim de criá-los junto com os atores. “Começamos um trabalho do zero, com uma imagem, uma idéia, assim, criamos. Procuramos sempre os momentos certos onde as coisas se encontram”, afirmou Ferslev.
Dramaturgia contemporânea
A coordenadora do curso de Dramaturgia da SP Escola de Teatro, Marici Salomão, apresentou a conferência com Luís Alberto de Abreu. “Sem dúvida é o maior dramaturgo vivo do País”, afirmou a coordenadora.
Premiado e reconhecido internacionalmente, Luís Alberto de Abreu é autor de peças como “Cala Boca já Morreu”, “Bella Ciao”e “Apocalipse 1.11”, entre outras. Escreveu roteiros de filmes como “Maria”, “Lila Rapper”, “Kenoma” e “Narradores do Vale de Javé”. Também escreveu os roteiros das minisséries “Hoje é Dia de Maria” e “A Pedra do Reino”.
Apesar da experiência de tantos trabalhos já realizados, o dramaturgo aposta no que ainda não fez. “Passado é passado. O importante é o que vem pela frente”. O mesmo pensamento o dramaturgo aplica ao lançamento da SP Escola de Teatro: “Essa energia mítica da fundação de algo novo é muito bonita. E que essa escola nova se mantenha hoje e amanhã. Além do artista ter sua obra ele tem a função do ensino, ele precisa partilhar o que aprende. Ele não pode só exibir seu trabalho, já que o mais importante é passar o ensinamento para o outro. Esse é o sentido melhor da arte. Apoio irrestritamente a fundação desta Escola. Que isso seja uma nova forma de atuação do ensino das artes”.