Aprendiz em Foco: Renato Caetano

Publicado em: 29/06/2012

“Arte”. Parece não existir melhor palavra para definir a vida de Renato Caetano de Jesus, aprendiz de Atuação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. O vínculo é tão forte, que não existem fronteiras formais para ele: artes plásticas, música, dança e, mais recentemente, porém não com menos intensidade, o teatro.

 
Desde a infância, a arte age como condutor das ações e pensamentos do aprendiz. Quando criança, começou a aprender saxofone, instrumento do qual extrairia notas de canções de Carlos Gomes e Tchaikovsky e que o levaria a ingressar em diversos grupos de sua cidade natal, Ipeúna, a 208 quilômetros de São Paulo.
 
Mais tarde, na universidade, voltou seus olhos para outra de suas paixões, as artes plásticas, formando-se na área. Paralelamente aos estudos, o contato com o teatro – que já havia se dado mais cedo, em peças de igreja – intensificou-se e Renato passou a acompanhar performances, além de grupos de dança afro e Capoeira Angola, tradição sobre a qual o aprendiz mantém até uma pesquisa.
 
Uma das grandes surpresas de sua trajetória, no entanto, ainda estava por vir. E chegou sob o formato de convite, em março deste ano, enquanto o aprendiz participava da primeira etapa de seu terceiro Experimento pela SP Escola de Teatro. Guilherme Bonfanti, coordenador do curso de Iluminação da Instituição e um dos fundadores do Teatro da Vertigem, o chamou para integrar o grupo. 
 
Atuando no mais novo espetáculo do coletivo, “Bom Retiro – 958 Metros”, Renato destaca a confluência entre os estudos propostos pelo Módulo Azul, em torno da performatividade, e a montagem. “Como o espetáculo é resultado de uma pesquisa que dura mais de um ano, cheguei tendo de lidar com o que eles já tinham. É incrível, me receberam muito bem. Cada cena, cada ensaio, cada momento que vivo com eles me provoca de uma maneira capaz de me mover como ser humano”, comenta.
 
O “presente”, como o aprendiz chama a oportunidade, já dura três meses, mas ainda reverbera em sua mente. “Poderia dizer que é como fé: você não explica, só sente. Estar fazendo algo no qual você acredita, me coloca em uma espécie de ‘estado de graça’. Foi tão repentino, que ainda nem tenho uma noção perfeita do que isso tudo representa”, diz.
 
E a montagem não é a única responsável por fazer Renato se sentir dessa forma. Integrante do núcleo 2 do Experimento, o artista revela que todos os encontros na Escola, desde aulas até outras atividades, são como uma “porrada na cara”. “O curso é muito visceral, faz refletir sobre tudo. O mais interessante é que, neste semestre, como colocamos depoimentos pessoais na cena (no Experimento), sou eu falando de mim mesmo.”
 
Na montagem não é diferente. Se em seu grupo do Experimento o aprendiz desenha, em “Bom Retiro – 958 Metros” ele toca saxofone em uma das cenas. 
 
Com toda essa bagagem, aos 23 anos, Renato demonstra ser, mais do que um músico, desenhista ou ator, um devoto da arte.
 
 
Serviço
“Bom Retiro – 958 Metros”
Quando: De quinta a sábado, às 21h, domingos, às 19h
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro
Tel.: (11) 3255-2713 / 4003-5588
Ingressos: R$ 30, aqui.

 

Texto: Felipe Del