A Música e o Humor: Destaques nos Experimentos

Publicado em: 23/05/2012

Por Renata Zhaneta

Especial para a SP Escola de Teatro

 

Gostaria de particularizar duas questões que se destacaram nos experimentos, além do que já foi dito.

A primeira delas é a música. Já mencionei sua importância em outro texto, mas reforço a enorme contribuição que o tratamento sonoro deu aos experimentos. Algumas composições estavam completamente integradas ao texto e às ações das personagens; outras criavam climas tanto na direção da cena como na contradição dela. Outras ainda traziam um olhar distanciado, fazendo o público pensar a respeito do que assistia.

Chamou a atenção como muitos músicos se integravam à cena com pensamento, ação, jogo. Além, é claro, de pontuar os momentos necessários, contando a história com propriedade.

Tecnicamente, a execução musical pode, como tudo, evoluir. Entretanto, sua concepção já está bastante desenvolvida. A partir da sonorização e da música, muitas questões poderão ser vistas sob novas formas e algumas soluções cênicas talvez sejam encontradas por meio dessa relação.

Outro destaque importante está nos experimentos da área de Humor. Hoje em dia, as pessoas pensam o humor da maneira mais tosca possível. É o riso pelo riso. Forçando a piada, muita gente apela para truques primários para extrair o que se pensa ser “a graça”. E esse foi o maior mérito de todos os experimentos do humor: nenhum deles concedeu um milímetro para o riso fácil. O público ri do grotesco, do absurdo, do texto e das soluções cênicas inteligentes. Ri da entrega dos atores ao interpretarem os personagens com grandeza, com dignidade.

Há muito trabalho ainda por ser feito em todos os aspectos da cena, mas o essencial está dado: o compromisso de contar a história a partir do eixo temático, com estética definida, sem concessões facilitadoras. Belíssimo!

 

Renata Zhaneta é atriz, preparadora corporal, diretora e professora de interpretação

 

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