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A Incompatibilidade Retratada no Silêncio

Publicado em: 31/05/2011

Os distúrbios e perturbações nas comunicações humanas causados pela incompatibilidade de desejos guiam o trabalho do grupo Cinco do Experimento do Módulo Verde, que tem como diretores os aprendizes Fabiano Muniz, Jefferson Ramos e Márcio Baptista. O orientador do grupo é Brian Penido Ross, artista residente de Direção.

 

Para desenvolver esse trabalho, Baptista explica que foram tomados como referência o cinema mudo e elementos da farsa, que Charles Chaplin e Buster Keaton utilizaram em seus filmes. “É algo de ritmo mais rápido, de sátira da sociedade.”

 

A aprendiz de Dramaturgia Regiane Lopes observa que foi proposto um dramaturgismo “sem modificar o texto em si”, e que, em princípio, pensaram em trabalhar com a pantomima (teatro em que os atores só se manifestam por gestos, expressões corporais ou fisionômicas). Porém, Baptista informa que, no fim, essa escolha não foi adotada. “Criou-se uma discussão sobre fugir muito do Realismo, Eixo Temático do Módulo Verde, sobre estarmos utilizando pantomima e não elementos farsescos.”

 

Feita essa mudança, o grupo decidiu por utilizar esse estilo farsesco, sem nenhuma fala, durante grande parte da cena. “Adotamos no primeiro momento os elementos (que eu vejo como farsescos) de Chaplin, como o ritmo acelerado e movimentos mais claros, já que não temos a fala. A parte seguinte é marcada pela ambientação e movimentação realista, justamente para reforçar o nosso tema: incompatibilidade de desejos, de relações humanas, de comunicação, etc.”, afirma Baptista.

 

Fabíola Nabbout, aprendiz de Humor, detalha que a linguagem farsesca é repleta de exageros e que, em um determinado instante, será “quebrada” pelo Realismo. “Os atores usarão o corpo dilatado, que se expressa pelos gestos. Haverá uma passagem que tem o objetivo de chocar o público pela transformação. Primeiro, os atores fazem gestos repetitivos e incomuns, depois, é como se acordassem e encontrassem o real.”

 

Segundo a atriz, a complexidade da obra e da leitura feita pelo grupo talvez impeça até mesmo que a cena se torne engraçada, mas isso não a preocupa. “Não propomos o desafio de fazer rir. O humor veio naturalmente, até porque a linguagem farsesca leva até ele.”

 

Esse modo de trabalhar, pensando no silêncio, afetou todas as áreas, segundo a aprendiz de Cenografia e Figurino, Paloma Elisa Cassiano. “Vamos utilizar um cenário branco e preto em escalas de cinza e algumas coisas vermelhas para destacar a personalidade das personagens. Também fizemos uma espécie de caixa, menor que o palco, onde essas personagens vão se relacionar.”

 

Os ensaios, segundo Baptista, são realizados com cenários e figurinos provisórios. “Talvez isso gere um pouco de insegurança, já que estamos trabalhando sem a palavra, e para nossa pesquisa o movimento deve ser preciso. Mas o nosso progresso depois dos ensaios abertos foi muito grande.” 

 

Já a aprendiz de Técnicas de Palco, Vera Lúcia Araújo, alerta para o pouco tempo de apresentação que os grupos terão no sábado (04/06). “É muito trabalho para apresentar em apenas 15 minutos, com uma hora para montar e desmontar. A gente se apega tanto no projeto, que fica a sensação que não vamos conseguir desfrutar depois de todo esse esforço.”

 

Fabíola, por sua vez, está positiva quanto ao Experimento. “Como foi a primeira vez que trabalhamos juntos, estava todo mundo meio cru. Mas agora encontramos o caminho e vejo o resultado com bons olhos”, finaliza.

 

O grupo Cinco teve apoio da União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social (Unibes) – www.unibes.org.br

 

* Foto ilustrativa / Experimento Módulo Verde 2010 

 

Serviço

Apresentação do Experimento – Grupo Cinco

Quando: 4 de junho, às 11h30

Onde: Teatro Anhembi Morumbi

Rua Dr. Almeida Lima, 1.198 – Brás

Entrada franca

Aberto ao público