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A História Vista por Outro Ângulo

Publicado em: 01/06/2011

Onde mora a felicidade? Essa é a pergunta norteadora do grupo Três do Experimento do Módulo Verde. Os aprendizes procuram encontrar nas personagens de “A Gaivota”, de Tchecov, essa resposta.

 

Trabalhar na criação, no fortalecimento e na clareza do tema a partir da proposição de cenas é o papel do pessoal de Atuação. Quanto maior o desenvolvimento artístico, maior a troca de informação com os outros aprendizes e, consequentemente, com o público. Para atingir essa evolução, eles buscam estímulos internos, como memória, imaginação e intuição.

 

A proposta é construir uma cena que não está escrita no texto. Na história, percebe-se que ocorre um casamento e o grupo se propôs justamente a criar essa “entrecena” (mostrando o casamento), tentando ressaltar a ironia da felicidade das personagens envolvidas. 

 

A turma de Cenografia e Figurino se atentará às questões de parentesco entre o realismo cenográfico e o simbolismo, representados pelos signos de pertencimento, angústia, recusa e a própria gaivota existentes no texto. A aprendiz do curso, Daiana Lima, comenta que colocaram em cena elementos que simbolizavam as relações. “No palco, gaiolas representam personagens que vivem em um mundo a parte”, explica. Na produção dos figurinos, os aprendizes não querem fazer, apenas, uma reprodução histórica, mas, também, usufruir de itens necessários para a ambientação cênica proposta.  

 

No papel de provocadores criativos e administradores de ideias, os aprendizes de Direção são, de certa forma, responsáveis pela escolha e concepção de procedimentos e ferramentas que dialoguem com os elementos do Realismo e “A Gaivota”. Os aspirantes a diretores devem compreender todo o processo e organizar os conceitos com o intuito de transmitir aos espectadores a exata visão que o grupo tem sobre o texto. Rafael Bicudo, aprendiz de Direção, disse que a palavra de ordem dentro do grupo é “escuta”. “Todos devem escutar o que os outros têm a dizer. Todo dia é uma aprendizagem”, explica.

 

O trabalho de dramaturgia segue a linha da pergunta sobre a felicidade, que guia todo o projeto de Experimento do grupo. Os aprendizes caminham na direção contrária do que é observado em quase toda a história – tristeza, depressão e melancolia – realçando, assim, os momentos felizes implícitos no texto. Portanto, o título do texto redigido por eles é “Alegria de Pobre”. 

 

O pessoal responsável pela iluminação do projeto procura reparar nos objetos cênicos para que, então, consiga transformar a luz em algo que se assemelhe ao contexto temporal e espacial adotado. Os aprendizes farão, ainda, uma pesquisa de preenchimento natural de ambiente. “Procuramos deixar, na cena do casamento, uma luz clara e uniforme. Conforme o tempo for passando, a iluminação se torna escura e apenas focos de luz darão ênfase aos signos da cena”, diz Felipe Boquimpani. 

 

A partir dos silêncios e pausas que o próprio texto traz, a equipe de Sonoplastia tenta fazer emergir sons de dentro da cena, incluindo os produzidos pelos atores. Uma inovação que os aprendizes querem trazer ao Experimento é a criação de músicas originais que serão tocadas ao vivo. “Reproduziremos uma música russa na hora do casamento, tocada com acordeon e violino”, comenta Renata das Graças, uma das aprendizes de Sonoplastia. Efeitos sonoros dos mais variados estilos também farão parte da apresentação.

 

Para que tudo saia conforme o combinado, os aprendizes de Técnicas de Palco dão sugestão de materiais, desenvolvem adereços e objetos cênicos de papelão, madeira e tecidos e colocam em prática as habilidades aprendidas em aulas de maquinaria, traquitanas e contrarregragem no palco. 

 

* Foto ilustrativa / Experimento Módulo Verde 2010 

 

 

Serviço

Apresentação do Experimento – Grupo Três

Quando: 4 de junho, às 15h30

Onde: Teatro Anhembi Morumbi

Rua Dr. Almeida Lima, 1.198 – Brás

Entrada franca

Aberto ao público