A Associação dos Artistas Amigos da Praça publicará romance póstumo inédito do crítico Alberto Guzik

Publicado em: 13/10/2021

Alberto Guzik foi uma personalidade marcante da cena teatral paulistana. Falecido aos 66 anos, em junho de 2010, o crítico deixou o manuscrito A Estátua de Sal de Sodoma sob os cuidados de seu amigo pessoal o ator e dramaturgo Ivam Cabral, diretor da SP Escola de Teatro, que também é o autor do posfácio da obra.

O romance inédito será publicado pela ADAAP (Associação dos Artistas Amigos da Praça), instituição a frente do projeto da SP Escola de Teatro, e a apresentação será feita pelo autor e diretor Gerald Thomas. Em resumo, a narrativa gira em torno da impossibilidade do amor entre uma jovem e um homem de 50 anos.

Nascido em 1944, Guzik foi um multifacetado homem de teatro; sua trajetória começou cedo, aos 5 anos encenou a peça Peter Pan, no Teatro Escola São Paulo, dirigida por Tatiana Belinki e Júlio Gouvêa. O autor continuou no mundo artístico, trabalhando para o teatro amador até ingressar em Interpretação na Escola de Arte Dramática (EAD) em 1964, três anos depois formou-se em Direito no Mackenzie. Em 1982, tornou-se mestre pela Escola de Comunicação e Artes da USP, sua tese sobre o teatro brasileiro de comédia foi orientada por Sábato Magaldi.

No fim da década de 1960, Guzik estreou sua primeira montagem Café, uma adaptação do livro de Mário de Andrade. Depois, tornou-se docente do departamento de teatro da ECA, mas não abandonou os palcos, dirigiu peças como A Centelha, biografia de Abdon Milanez, Antígona, de Sófocles, e As Feiticeiras de Salém, de Arthur Miller.

“O mais respeitado e querido dos críticos de sua geração”, como caracterizado por Aimar Labaki, iniciou no campo intelectual em 1971, escrevendo críticas para jornais como Shopping News e Última Hora e para as revistas Senhor, Vogue e IstoÉ. Em 1984 ingressou no Jornal da Tarde, do qual foi crítico efetivo, repórter especial e colaborador até 2001.  Ainda no ramo jornalístico, Guzik escreveu para o Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, a Revista Bravo!, o jornal Valor Econômico, o site Aplauso Brasil entre outros, além de ter sido comentarista teatral no programa Metrópolis, da TV Cultura.

Como autor de ficção, foi romancista, contista e dramaturgo. Em 1995 publicou pela Editora Globo o romance Risco de Vida, que foi indicado ao Prêmio Jabuti. Em 1997, escreveu Um Deus Cruel, peça indicada ao Prêmio Shell, montada e encenada por Alexandre Stockler, e estreada em Curitiba. Em 2002, na Mostra de Dramaturgia do Sesi, assinou o espetáculo Errado, dirigido por Sérgio Ferrara, e também lançou seu primeiro livro de contos O Que É Ser Rio, e Correr?, pela Editora Iluminuras.

Como ensaísta, foi duas vezes indicado ao prêmio Jabuti; por  TBC: Crônica de um Sonho, que foi publicado pela Editora Perspectiva em 1986, e pelo texto Paulo Autran/Um Homem no Palco, do qual foi vencedor na categoria livro-reportagem em 1998.

Em 2003, Guzik retoma sua carreira como ator na peça O Horário de Visita, de Sérgio Roveri, com direção de Ruy Cortez, no Teatro do Centro da Terra. Em 2004, passou a integrar a Cia. de Teatro Os Satyros, participando do elenco de Kaspar ou a Triste História do Pequeno Rei do Infinito Arrancado de sua Casca de Noz, encenada no Espaço dos Satyros Um, na Praça Roosevelt.

É durante o seu período nos Satyros que Guzik conheceu Ivam Cabral, com quem atuou na peça Transex, de Rodolfo García Vázquez; lá o autor também dirigiu diversas peças como O Encontro das Águas, de Sérgio Roveri, com José Roberto Jardim e Pedro Henrique Moutinho; A Voz do Povo é a Voz de Zé, em parceria com Wilma de Souza, escrita por Marcelino Freire e encenada no Avenida Club. Participa ainda das produções: Inocência (2006); Divinas Palavras (2007); Vestido de Noiva e Liz (2008), todos sob direção de Rodolfo García Vázquez.

Além do teatro, o dramaturgo também atuou na televisão nas produções exibidas pela TV Cultura: os teleteatros O Vento nas Janelas e A Noiva e a minissérie Além do Horizonte.

No entanto, sua prolífica produção artística não se encerra na atuação e nas muitas obras que produziu, seu legado também se eternizou por meio da sua colaboração com a SP Escola de Teatro, projeto que ajudou a criar e do qual foi o primeiro coordenador pedagógico.

 

 

 

 




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