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A Arte da Performance

Publicado em: 27/06/2011

Uma das artistas convidadas mais aguardadas para a Formação do curso de Atuação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, Eleonora Fabião ministrou três aulas para os aprendizes do Módulo Azul.

 

Doutora em Estudos da Performance pela New York University e morando no Rio de Janeiro desde março, a performer aceitou o convite feito por Francisco Medeiros, coordenador do curso, para aprofundar o estudo do tema desenvolvido pelos aprendizes.

 

Definido por ela como “Performance e teatro: corpo-em-experiência”, o conteúdo de seu curso era dividido em dois capítulos. “No primeiro, que chamo de ‘Nervura da Ação’, tratamos de fundamentos psicofísicos que animam toda e qualquer ação para além de gêneros e estilos. Pesquisamos temas como escuta, receptividade e conectividade. O segundo se baseou na questão ‘o que é corpo?’ para o estudo da história da performance e a realização de ‘programas performativos’”, explica Eleonora.

 

Para se aprofundar no tema, a convidada ressalta que é essencial entrelaçar teoria, história e experimentação psicofísica, e que, por isso, seus cursos são sempre prático-teóricos. Em relação à definição de performance, Eleonora mantém-se fiel á própria essência desta prática artística.

 

“Defini-la é um falso problema, um contra-senso e até uma impossibilidade, já que sua estratégia é justamente manter-se paradoxal e fronteiriça, não apenas ocupando fronteiras entre gêneros artísticos, mas mantendo-se no espaço liminal entre arte e não-arte”, observa.

 

Segundo ela, existem vários aspectos que fazem da inclusão da performance no circuito do estudo, da pesquisa e da criação teatral, uma prática importante, como: a ampliação da investigação psicofísica e o investimento em pesquisa específica sobre “dramaturgia do corpo”, o aprofundamento de debates e práticas teatrais voltados para políticas de produção e recepção, entre muitos outros.

 

“A performance abre caminhos produtivos para a encenação, a atuação, a escrita, a espacialização, a politização da cena. É mesmo um referente dialógico ampliador e arejado”, afirma a artista.

 

Com experiência internacional, tendo lecionado e publicado obras em diversos países, Eleonora se mostra confiante quanto ao desenvolvimento da performance no País. “Trata-se de um gênero cada vez mais discutido e praticado no Brasil e que precisa ser muito mais estimulado, estudado e divulgado, para que a criação estética e a discussão crítica se fortaleçam. Para que a performance deixe de ser, como acontece muitas vezes, percebida como uma prática ‘enigmática’ ou como moda passageira e inconsequente. E também para buscarmos cada vez mais maneiras condizentes de inclui-la no quadro de políticas culturais.”