22ª Bienal: Nelson na Cabeça

Publicado em: 17/08/2012

Corredores, gente por todo lado, estudantes, crianças, idosos, casais e… livros. Muitos deles. Tantos, que deixariam boquiaberto até Johannes Gutenberg, o “pai da imprensa”, criador da prensa de tipos móveis. Eis o clima que toma conta da 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou no dia 9 de agosto, sob o tema “Livros transformam o mundo, livros transformam pessoas”. 

 

O evento reúne as principais editoras e livrarias do País no Pavilhão de Exposições do Anhembi e deve receber, até domingo (19), cerca de 800 mil visitantes. Nesta semana, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco foi até o evento para acompanhar tudo de pertinho.

 

Na quarta, (15), Victor Valois, aprendiz do curso de Dramaturgia da Escola, participou de uma sessão de autógrafos do lançamento do seu primeiro romance, “Saudosa Maloca”, da editora Novo Século. O livro narra a vida de Josefa que, cercada de dificuldades, recebe uma notícia inesperada. A mulher se vê forçada, então, a mudar seus hábitos e passa a questionar se dinheiro é mesmo sinônimo de felicidade.

 

Ontem (16), o espaço Salão de Ideias recebeu dois especialistas em um dos grandes dramaturgos do Brasil: Nelson Rodrigues. Os diretores Marco Antonio Braz e Eduardo Tolentino conversaram sobre o tema “O Teatro de Nelson Rodrigues”. Mediada pelo diretor, dramaturgo e crítico Luiz Fernando Ramos, a dupla relembrou as primeiras montagens e a grandeza das 17 peças do autor. Tolentino, que é fundador do Grupo Tapa, revelou como conheceu o dramaturgo. “Eu o descobri como comentarista esportivo. Como dramaturgo, acompanhei as peças e até assisti a ‘Vestido de Noiva’, escondido dos meus pais. Era fascinante”, disse. 

 

Já Marco Antonio teve os primeiros contatos com o legado do escritor ainda na universidade. “Eu li alguns textos, mas o José Renato Pécora que me transportou para o universo rodrigueano”, observou.

 

“Nelson vai além do gosto pessoal”, disse Tolentino. “A forma como ele estrutura os diálogos é ímpar. A mistura entre o que a personagem fala e o que ela pensa aproxima-se muitos dos autores épicos.” Marco Antonio Braz engrandeceu o repertório de Nelson: “As obras dele são atemporais e estão à espera de um encenador para justificá-las no tempo”, afirmou.

 

Sobre a comemoração do centenário do nascimento de Nelson Rodrigues, que acontece neste ano, Tolentino apostou: “Depois desse período, um novo Nelson ressurgirá. Essa nova geração está vendo pela primeira vez uma peça dele. Esse contato é importante para o teatro brasileiro”. E Braz completou: “Para que haja ainda muitos outros centenários em homenagem a Nelson”.

 

Hoje (17), a partir das 15h, a coordenadora do curso de Dramaturgia, Marici Salomão, participa de um encontro no lançamento dos Livros do Núcleo de Dramaturgia – 2ª Turma, promovidos pela Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Serviço Social da Indústria (Sesi – SP) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai – SP). O evento terá leituras dramáticas e uma conversa com a dramaturga, no estande 80 – Rua E.

 

Serviço:

“22ª Bienal Internacional do Livro”

Quando: até 19 de agosto. Amanhã, das 10h, às 22h; domingo, das 10h, às 20h.

Onde: Pavilhão de Exposições do Anhembi

Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana, São Paulo

Ingressos: R$ 12

Transporte gratuito na estação Portuguesa-Tietê e no Terminal de Ônibus Barra Funda

Mais informações, aqui.

 

 

Texto: Leandro Nunes