Um Balanço de 2012 e que Venha 2013!

Publicado em: 02/12/2012

Se o ano de 2013 for uma repetição, em intensidade e energia, de tudo o que ocorreu em 2012, então, será mais um ano extraordinário. Digo sob o prisma da dramaturgia, que é como dizer: o da minha vida. E vou terminar o ano de 2012 e começar o de 2013 – até onde as profecias permitirem – lendo Schopenhauer. Já leram “A Arte de Escrever?” É um livrinho de bolso da L&PM, com cinco textos selecionados do famigerado “Parerga Und Parolipomena” (1851). (Depois de “O Mundo Como Vontade e Representação”, uma leitura obrigatória – sobretudo para quem realmente deseja se tornar um escritor emancipado.)

No ritmo de um breve balanço, o ano de 2012 começou com uma oficina que dei no Sesc Belenzinho. Foi um convite muito simpático dos coordenadores do Sesc e resultou numa oficina bem-sucedida sobre a obra shakespeariana, com a análise de “Rei Lear”, “Hamlet”, “Medida por Medida” e “Romeu e Julieta”, entre outras. Média de 20 participantes muito atentos e interessados. Foi como um reencontro com a obra do bardo, na chave, sobretudo, das análises de Jan Kott (“Shakespeare Nosso Contemporâneo”) e Northrop Frye (“Sobre Shakespeare”). A oficina de cinco encontros transformou-se em novas aulas para a SP Escola de Teatro. E ganhará desdobramentos em 2013.

Também foi o ano em que iniciamos o projeto Dramaturgias Urgentes, no CCBB. Um concurso nacional de textos temáticos, acompanhado de encontros presenciais pra lá de interessantes, com palestras, workshops e leituras dramáticas. Esse projeto continuará em 2013, para minha total alegria.

Alegria também nas ações do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council. Terminamos as atividades com a potente quarta turma, em julho deste ano, e realizamos, em outubro, o 4º. Ciclo de Dramaturgia do Núcleo. Atividades lotadas, desde os workshops e mesas de debates às leituras dramáticas. Tivemos participações importantes de dois dramaturgos internacionais, em franca ascensão: o mexicano Alberto Villarreal e a britânica Stef Smith, além dos premiados dramaturgo brasileiro Samir Yazbek e da diretora Beth Lopes. Isso porque não há espaço para citar todos os participantes dos eventos do Núcleo, convidados e público, de quem recebemos aprovação unânime. O Núcleo é cada vez mais forte e respeitado no Brasil e fora dele.

Realizamos também uma parceria com o ator, diretor e produtor Gilberto Gawronski, do Rio de Janeiro, que dirigiu uma das leituras dramáticas do Núcleo de Dramaturgia: “Ana Não Está”, de Murilo de Paula. Ter Gawronski conosco e saber das possibilidades de continuidade do trabalho com ele em 2013 foi um prazer e uma das boas notícias recebidas neste ano. Gawronski também esteve conosco na SP Escola de Teatro, no lançamento do “#Mdrama”, livro ilustrado, com uma seleção de drametes criados para Twitter. Gawronski dirigiu alguns dos textos para o lançamento do livro, que foi organizado por mim e pelo diretor executivo Ivam Cabral.

Neste ano, realizei mais uma curadoria, desta vez para o 7º. Fentepira – Festival de Teatro de Piracicaba. Espetáculos de primeira ordem estavam inscritos. Então, meu trabalho, ao lado da Fátima Monis – coordenadora do NAC (Núcleo de Artes Cênicas) do Sesi Piracicaba, foi o de selecionar as montagens que melhor expressavam linhas de pesquisa do teatro contemporâneo. Tivemos espetáculos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Sublinhando que teatro contemporâneo não é UM JEITO de fazer, mas MUITOS. E isso foi priorizado nesse festival, que teve ótima repercussão de crítica e público.

Poderia ainda jogar luz em aspectos da formação das turmas de Dramaturgia da SP, que conta com profissionais da academia, mas que também são importantes artistas, como Matteo Bonfitto e José Fernando Azevedo. Sem falar de Alessandro Toller e Jucca Rodrigues. Também poderia analisar o Processo Seletivo da SP para o Ano de 2013, que foi o melhor realizado até hoje, aliás, com inscritos de ótimo nível. Poderia falar sobre a leitura de minha peça “Impostura”, em Cuba, por um dos mais importantes diretores de teatro latino americanos, Carlos Diaz. Soube que há planos de se montar a peça no ano que vem. E, no Brasil, a companhia Azul Celeste, para minha alegria, esteve em turnê com “Território Banal”.

Igualmente, poderia falar sobre outras ações que continuarão em 2013, em chave privada, como a nova peça que começo a escrever. E sobre o convite do British Council, para 2013, em que visitarei os principais teatros e centros de fomento à dramaturgia, em Glasgow, Edimburgo e Londres. Mas deixo cair o ponto, pensando até se enviarei esta coluna aos queridos da Comunicação, da SP, com feitos narrados em primeira pessoa. No entanto, posso afirmar que há muitos anos tenho a consciência de que me entrego a algo maior que mim mesma: à dramaturgia brasileira. Assim prosseguirei no decorrer de 2013!

A todos, um Feliz Ano Novo!