Lucia que mudou a minha vida ou Se não tivesse amor eu não seria nada

Publicado em: 02/10/2017

Quero fazer uma declaração de amor a uma pessoa que eu amo, amo de verdade. Ela se chama Lucia Camargo, trabalha comigo na SP Escola de Teatro, onde coordena nossos projetos especiais – os cursos de Extensão Cultural, as residências, a revista A[L]BERTO, etc.

 

Nossa relação é muito particular. Imaginem que a Lucia dirigia o Teatro Guaíra, em Curitiba, quando estudei Artes Cênicas por lá, nos anos 1980. Jornalista experiente, nesta época era também professora da Universidade Federal do Paraná e, pouco tempo depois, foi Secretária de Cultura do município de Curitiba e, também, do Estado do Paraná. A carreira de Lucia é excepcional. Nos anos 1990, em São Paulo, dirigiu os teatros Municipal e Sergio Cardoso; e, mais recentemente, em Belo Horizonte, foi diretora do Palácio das Artes.

 

Fui atrevido, atrevidíssimo mesmo, quando a chamei para trabalhar conosco na Escola. Sempre soube que ela era maior, muito maior do que os meus sonhos. Mas como eu não vim ao mundo para brincar, precisava de alguém que me desafiasse, que pudesse me ensinar, me apontar o futuro. Lucia, surpreendentemente, aceitou de pronto o desafio e há anos divide comigo os sonhos dessa construção maravilhosa que é a nossa Instituição.

 

Na semana passada, recebemos a visita do Luis Melo, meu conterrâneo de Curitiba, e, então, falamos um pouco sobre o passado. Me lembrei de tantas coisas. Que foi a Lucia, por exemplo, que um dia, em seu gabinete na Secretaria de Estado de Cultura, em Curitiba, no final dos anos 1990, olhando muito seriamente para mim e para o Rodolfo foi taxativa:

 

– Não entenderam que acabou e que vocês não têm mais nada que fazer aqui? Voltem para São Paulo. O lugar de vocês é lá.

Os sábios não devem ser contrariados. Como bons discípulos, voltamos e, o que aconteceu com a gente, vocês têm acompanhado. O que eu jamais poderia imaginar, contudo, era o desfecho dessa história. Que a Lucia, uma das mulheres mais incríveis que conheci na vida, um dia viria a partilhar dos meus sonhos, borrando sua biografia à minha. Obrigado Lucia, obrigado Destino.