Entrevista com Phedra

Publicado em: 11/08/2020

[…] “A memória guardará o que valer a pena.
A memória sabe de mim mais que eu;
e ela não perde o que merece ser salvo.” […]
Eduardo Galeano

 

“Entrevista com Phedra”, texto de estreia de Miguel Arcanjo Prado, jornalista mineiro radicado na capital de São Paulo há quase 15 anos, não é tão somente uma homenagem à diva cubana, que protagonizou um movimento teatral na Praça Roosevelt, capitaneado pela Cia. Os Satyros, de Ivam Cabral e Rodolfo Garcia Vazquez.

Trata-se de uma homenagem à memória de todos os artistas do teatro latino-americano, a tudo que é sensível e humano, com todas suas potências e fragilidades. Nos mostra a maneira carinhosa como o autor enxerga cada artista, independentemente do espetáculo ou personagem, e os carrega pela mão, seja em suas entrevistas, criticas ou textos de apresentação que acompanham o “Retrato do Bob”, espaço que dividimos há quase 10 anos.

O espetáculo, além de poesia, é uma aula de jornalismo porque nele o autor nos ensina os limites entre a notícia e o humano, o público e o privado, a vida e a cena, sem se distanciar do tempo e da história. Com a boa escola do jornalismo literário, de Gay Talese, que aproxima o campo da não ficção com a ficção, a obra nos transporta para o mundo de Phedra e nos faz testemunhas oculares de acontecimentos históricos imbricados com a vida da atriz e décadas do universo teatral latino-americano.

Somado a tudo isso está o time de artistas que construiu a obra para entregar ao público como um presente/homenagem: Juan Manuel Tellategui, Robson Catalunha, Marcia Dailyn, Raphael Garcia e Gustavo Ferreira, entre tantos outros. A montagem tem a capacidade de nos colocar dentro da sala do apartamento de Phedra ou nas boates e palcos onde ela esteve, num jogo ágil de luzes elaboradas por Diego Ribeiro e Rodolfo García Vázquez; e nas caracterizações revestidas pelos figurinos de Walério Araújo.

Eu, que tive a sorte de acompanhar grande parte dessas entrevistas e reportagens, também me sinto homenageado por estar diante de algo tão potente e verdadeiro e de ter sido, muitas vezes, carregado pelo riso doce e gentil de Miguel Arcanjo.

Vida longa ao autor. Viva, Phedra e o teatro latino-americano.


“Com olhar sensível e perspicaz, Bob Sousa eterniza a efemeridade do acontecimento teatral contemporâneo. Ter seu registro de meu primeiro espetáculo como dramaturgo, Entrevista com Phedra, espetáculo vencedor do Prêmio Nelson Rodrigues e rodeado de afeto por todos os lados, foi especial. Sobretudo, pela parceria profissional que temos, Bob e eu, desde 2012, na cobertura da cena teatral brasileira em meu Blog do Arcanjo. Ainda não posso deixar de mencionar aqui o cuidadoso trabalho de direção de Juan Manuel Tellategui e Robson Catalunha e as impressionantes atuações de Márcia Dailyn, na pele da diva cubana Phedra D. Córdoba, e Raphael Garcia, interpretando a este autor. Além disso, para que esta peça existisse e tivesse seu merecido sucesso, foram fundamentais a realização de Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, do Satyros, bem como a cuidadosa direção de produção de Gustavo Ferreira. Estas imagens de Bob Sousa levam para a história este trabalho criativo coletivo imerso em amor chamado Entrevista com Phedra.” Miguel Arcanjo Prado

 

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