Alguns Caminhos Científicos que se Abrem Para o Treinamento do Ator

Publicado em: 22/02/2013

Princípios propostos no Teatro da Crueldade de Artaud, por exemplo, também estão amplamente fundamentados nas teorias psicanalíticas. Toda a reflexão brechtiana de filosofia do teatro e de preparação do ator é baseada na obra marxista. Estes são alguns dos exemplos de como o teatro se utilizou do avanço do conhecimento humano em outras áreas para expandir as suas próprias potencialidades. 

Hoje, os imensos avanços da ciência, em campos como a física, a genética e a química, vêm despertando questionamentos fundamentais nas áreas da filosofia, da ética, do direito e das ciências sociais. No entanto, observa-se uma indiferença inexplicável dos artistas das áreas cênicas em relação a eles. Como estes avanços podem contribuir para o aprimoramento do ator?

No campo da neurobiologia, por exemplo, o médico português, radicado nos Estados Unidos, António Damásio elaborou o mapa da alegria e da tristeza, registrando, em vídeo, reações químicas derivadas do sistema neurofisiológico do cérebro. Numa experiência levada a cabo durante dois anos, o investigador português radicado nos Estados Unidos pediu a 41 pessoas que se lembrassem de momentos alegres e tristes em suas vidas, tendo registrado as modificações cerebrais produzidas durante as recordações.

Damásio utilizou-se de uma técnica de imagens que permite localizar a atividade cerebral in loco. A alegria, por exemplo, ativa determinadas zonas – o córtice pré-frontal, o hipotálamo e o tronco cerebral –, enquanto a tristeza as desativa. As variações de humor, os estados de alma, deixam assim de pertencer ao domínio da filosofia. Damásio explica que numa emoção-tipo, algumas regiões cerebrais enviam comandos químicos e neuronais para quase todas as partes do corpo, produzindo uma mudança global no estado do organismo.

O que aconteceria se os avanços da neurobiologia pudessem ser conhecidos e utilizados na preparação e treinamento do ator? Como seria se o ator pudesse mapear o seu cérebro e descobrir exatamente de onde vem a sua emoção e quais exercícios de treinamento seriam mais eficazes para ativá-la? Isso poderia fazer dele um ator melhor, um profissional mais preparado?

 

* por Ivam Cabral, especial para o portal da SP Escola de Teatro.