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20/09/2011

Ponto | Teatro Futebol Clube

Nelson Rodrigues ao lado de Zico (Foto: Divulgao)

Nelson Rodrigues ao lado de Zico (Foto: Divulgação)

No “país do futebol”, não é novidade dizer que o esporte não se limita às quatro linhas e está inserido profundamente na cultura. Essa relação íntima pode ser vista com bastante força, por exemplo, na música. Mas, e no teatro? Existiram peças que retrataram esse universo? A resposta é sim, e vários dramaturgos conceituados estiveram por trás delas.

 

Nelson Rodrigues, tido como o maior nome da dramaturgia nacional, foi o que mais se dedicou a esse tema. Também jornalista, especializou-se em escrever crônicas sobre as partidas, dando importância não ao esquema tático ou a objetividade dos simples acontecimentos do jogo. Sua missão era explorar a dimensão épica do esporte e as sensações despertadas pelo esporte mais amado do País.

 

Em uma crônica de 63, após a famosa partida entre Santos e Milan, pelo mundial inter-clubes, Nelson escreveu: “O que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão. E o lindo, o sublime na vitória do Santos é que atrás dela há o homem brasileiro, com o seu peito largo, lustroso, homérico”.

 

Nos palcos, a paixão do autor serviu para somar elementos a uma de suas principais peças, “A Falecida”, conhecida como “a primeira tragédia carioca”. O espetáculo retrata a vida no subúrbio carioca a partir da história de Zulmira, mulher tuberculosa de classe média que planeja os detalhes de seu próprio enterro. Tuninho, seu marido igualmente infeliz e desempregado, gasta boa parte de seu tempo na praia, jogando sinuca ou falando sobre futebol.

 

Ainda mais fundo na tarefa de levar a paixão nacional aos palcos foi Oduvaldo Vianna Filho, o Vianninha, com “Chapetuba Futebol Clube”, encenado pela primeira vez por Augusto Boal, em 1959. 

 

Neste texto, o futebol ganha papel central, dividido em dois temas: as acirradas paixões que o esporte desperta e as trapaças que são descobertas em vários campeonatos. Para isso, Vianninha se utiliza de um pequeno clube do interior, mostrando a dificuldade das pessoas simples que o compõem, uma vez que são constantemente manipuladas pelos cartolas. 

 

Outro autor que olhou com grande atenção para o mundo da bola foi Plínio Marcos. A afinidade com a redonda era tão grande que, quando adolescente, chegou a jogar pela Portuguesa Santista. Mais tarde, aos 40 anos de idade e atuando como jornalista, foi contratado para escrever uma coluna sobre futebol na revista Veja. O emprego não duraria muito tempo: passados três meses, após desferir severas críticas contra dirigentes, ditadura e até contra a censura, foi demitido.

 

Resquícios de seu interesse pelo assunto podem ser vistos em sua obra “Quando as Máquinas Param” (1967), que também traz como protagonista uma personagem desfavorecida economicamente, assim como Nelson escreveu em “A Falecida”. Neste caso, ela é representada por Zé, um operário desqualificado e sem emprego. Ao abordar a relação amorosa dentro da estrutura familiar, o autor criou Nina, esposa de Zé, que sustenta a casa com seu trabalho de costureira, enquanto ele fica “para cima e para baixo”, andando de boteco em boteco e falando sobre futebol. Mais uma vez, o esporte aparece como uma maneira de “amenizar” o sofrimento das classes baixas e, de certa forma, até alienar seus fanáticos.

 

Provando que futebol não é coisa apenas para homens, existe uma dramaturga que se destaca na concepção de espetáculos baseados no futebol. Seu nome é Graça Berman, que, inclusive, fez uma série de adaptações teatrais para contos e crônicas de Plínio, como “A Bola da Vez: Plínio Marcos”. Também de sua autoria, “Nos Campos de Piratininga” é outro exemplo desse estudo. Nele, Graça resgata a história da cidade de São Paulo, desde 1894 até hoje, a partir de seus três times mais tradicionais: Corinthians, Palmeiras e São Paulo. 

 

“Tínhamos um grupo de atores, todos queriam trabalhar e era muito difícil encontrar textos que permitissem bons trabalhos a todos. O motivo parece banal, mas acabou apontando um caminho que passamos a seguir. Elegemos o tema futebol e passamos a pesquisar contos, crônicas, matérias jornalísticas e poemas sobre o tema. Nos últimos tempos, tenho adaptado contos e crônicas de Plínio Marcos sobre futebol. É minha paixão dupla: Plínio e o futebol. Também levei em conta o fato de não haver peças que discutam o futebol do nosso tempo”, relatou Graça sobre a escolha do tema, em um Bate-Papo Online promovido pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco no mês de junho.

 

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