Parlapatões criam nova versão para ‘O Rei da Vela’

Publicado em: 12/04/2018

Com texto do escritor Oswald de Andrade, ‘O Rei da Vela’ ganha montagem pelo grupo Parlapatões; espetáculo cumpre temporada no Sesc Santana. Foto: Andre Stefano/Divulgação

JONAS LÍRIO

“Zé Celso me disse que todo grupo de São Paulo deveria fazer essa peça um dia”, conta Hugo Possolo, diretor da montagem de “O Rei da Vela” do grupo Parlapatões. A partir de 13 de abril, o Sesc Santana recebe uma versão burlesca do icônico texto de Oswald de Andrade, que marcou o teatro brasileiro nas mãos do Oficina em 1967.

O espetáculo fica em cartaz até 6 de maio, com apresentações às sextas e sábados, às 21h; e aos domingos, às 18h. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada).

Possolo – que além de dirigir, atua na peça como o protagonista Abelardo I – conta que a vontade de levar ao palco uma nova interpretação do texto de Andrade foi impulsionada pelo recente cenário político do Brasil. “Há alguns anos [tem despertado nele a vontade da adaptação do texto]. Já que eu sinto o avanço de forças conservadoras no País, o avanço de pensamentos que cerceiam nossa liberdade”, explica.

Na versão do Parlapatões, a peça é narrada pelo próprio Oswald de Andrade (papel de Nando Bolognesi), que acompanha os sócios Abelardo I e Abelardo II, que, aproveitando-se da crise econômica, aprisionam clientes que não conseguem pagar os altos juros de seus empréstimos. “Oswald tem uma visão bastante anárquica e cruel sobre a constituição do povo brasileiro, especialmente sobre a nossa burguesia, que além de classista é canalha”, diz Possolo.

Conhecido como Rei da Vela por se aproveitar do alto preço da energia elétrica para comercializar seu produto, Abelardo I é um agiota inescrupuloso. Ele arranja um casamento por interesse com uma tradicional família de latifundiários (agora falida) e, na sua busca por lucro, submete-se a qualquer negócio com estrangeiros, sem pensar nas consequências.

RELEITURA

“Não me preocupo com comparações, mas temos nosso próprio estilo de fazer teatro, diferente estilo do Oficina”, afirma Hugo Possolo Possolo, se referindo à montagem histórica feita por Zé Celso e o Oficina, em plena ditadura militar, marco do teatro moderno brasileiro, e que foi remontada no ano passado pela companhia antropofágica. “Fiquei realizado de poder assistir à visão estética de Zé Celso, tão significativa”, acrescenta Possolo.

Mas a montagem do Parlapatões traz outro olhar para o texto de Oswald. Elementos característicos do grupo da Praça Roosevelt, como o aspecto circense e a trilha ao vivo, sob a direção musical de Fernanda Maia, se fazem presentes. “É um texto com uma força muito grande e que tem muito a ver com uma visão da arte que se faz cada vez mais necessária”, diz o diretor.

Integram ainda o elenco Camila Turim, Alexandre Bamba, Fernanda Maia, Tadeu Pinheiro, Fernando Fecchio, Conrado Sardinha, Fernanda Zaborowsky, Renata Versolato e Daniel Lotoy.




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