“Não me interessa usar talento de maneira leviana”, diz Walderez de Barros

Publicado em: 04/08/2018

A atriz Walderez de Barros em bate-papo com os estudantes, na abertura do 2º semestre de 2018. Foto: Mateus Araújo/SP Escola de Teatro

Um dos grandes nomes do teatro, da TV e do cinema nacional, a atriz Walderez de Barros participou na tarde do sábado (4), na sede Brás, da abertura do segundo semestre de aulas na SP Escola de Teatro. Em um bate-papo com os estudantes dos oito cursos regulares, Walderez relembrou momentos importantes da sua trajetória artística e fez questão de frisar que talento é um dom nato.

“Eu sou responsável pela maneira que uso o talento que Deus me deu”, afirma a atriz, que nasceu em Ribeirão Preto e se mudou para São Paulo aos 18 anos, para estudar Filosofia na USP. Na capital paulista ela começou a carreira teatral sendo dirigida por Fauzi Arap, na montagem amadora de “Balanço”, em 1960. “Eu não escolhi ser atriz. E por isso todas as coisas que fiz têm uma coisa diferente. Não me interessa o uso do talento de maneira leviana.”

Além de passagens por grupos como o Teatro de Arena – onde estudou interpretação com o ator e diretor Eugênio Kusnet – e o Teatro Oficina, Walderez de Barros tem em sua carreira inúmeras montagens de textos do dramaturgo Plínio Marcos, com que foi casada. Ela esteve, por exemplo, no elenco de “Navalha na Carne”, em 1967, “Quando as Máquinas Param”, em 1971, e “Querô – Uma Reportagem Maldita”, em 1993. “Eu se sinto privilegiada. Plínio é um dos maiores dramaturgos brasileiros, que revolucionou o teatro brasileiro, além de ser uma personalidade forte, carismático, tinha o que dizer. Um discurso com o qual eu concordava.”

Durante sua palestra, Walderez também destacou a paixão que ela tem pelas palavras em cena, destacando inclusive os atuais trabalhos que tem feito com o diretor Gabriel Vilela – que, segundo ela, é um diretor preocupado com o texto. A atriz fez críticas, ainda, aos excessos de controle de interpretação na teledramaturgia, na qual se cobram dos atores “menos” gestos e emoções. “Menos é menos; mais é mais. São duas coisas diferentes”, destaca.

Aos 77 anos, Walderez de Barros ainda destacou a importância da memória do ator e o respeito às lembranças dos idosos. “É bom você lembrar do passado e se possível lembrar com pessoas que viveram contigo aquilo. Fazer um velhinho falar da infância alimenta a alma. É gostoso”, diz. “E eu gosto de mostrar que velhice não é só remédio e incapacidade. Mas é usar suas memórias de maneira útil. E estou fazendo isso para mim e para todos os velhinhos e velhinhas.”

Por fim, a atriz fez questão de frisar a importância da construção de artistas que respeitem os outros. “Artista não pode ter preconceito. Depois de um tempo você pode conceituar, mas não pode ter preconceito. Isso é próprio de que está enquadrada nessa sociedade burguesa. Artistas com preconceito não caminha.”

Boas-vindas

No sábado, antes do bate-papo com Walderez de Barros, houve o tradicional evento de boas-vindas dos ingressantes deste período. No evento, que aconteceu no turno da manhã, os estudantes conheceram a equipe da Escola e fizeram atividades em grupo.




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