SP Escola de Teatro

De Enciclopedia do Teatro

SP Escola de Teatro
SP Escola de Teatro

Lançada em 25 de novembro de 2009, a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco oferece oito cursos regulares, cada um deles sob coordenação de um profissional de comprovada excelência.

A ideia da criação da SP Escola de Teatro surgiu com a reunião de profissionais de teatro altamente qualificados, artistas reconhecidos e premiados em suas áreas, apoiados pelo Governo do Estado de São Paulo, preocupados com uma premissa básica: a falta de profissionais qualificados, especialmente nas áreas técnicas, para trabalharem nos antigos e novos teatros e casas de espetáculos que não param de abrir em São Paulo e no Brasil.

O alicerce dos pilares da SP Escola de Teatro se pauta em propostas de três intelectuais: o geógrafo Milton Santos, o pedagogo Paulo Freire e o físico teórico Fritjof Capra.

No trabalho de Milton Santos foi-se buscar o conceito de “território” para propor sua aplicação ao processo teatral, bem como a espacialização do conhecimento; de Paulo Freire aplicou-se o conceito de pedagogia da autonomia; da obra de Capra foi retirada a noção de conhecimento sistêmico.

Assim, com o objetivo de atender a um público maior e mais genérico, a SP Escola de Teatro pretende oferecer vagas para aprendizes de outras regiões do País e/ou de outros países.

A Escola oferece cursos regulares de Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Iluminação, Humor, Sonoplastia e Técnicas de Palco, além de cursos de difusão cultural, sendo que alguns destes poderão se transformar em cursos de ensino à distância, transmitidos via internet. A Escola atenderá cerca de 1.200 estudantes ao ano em seus cursos.

Possibilitará aos artistas-aprendizes de Cenografia e Figurino, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco estágios em empresas e instituições, com o objetivo de tornar efetiva a entrada destes jovens profissionais no mercado da economia criativa.

O projeto da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco se orienta a partir de 3 (três) pilares: Cursos Regulares, Cursos de Difusão Cultural, Programa Kairós, que alicerçam o funcionamento sistêmico dos setores da instituição, contemplando diferentes ações artístico-pedagógicas.


Tabela de conteúdo

Cursos Regulares

Cada um dos 8 cursos regulares (1 por linha de pesquisa) têm duração de dois anos. Os mesmos se organizam em um sistema modular previamente estruturado segundo o mote: “Saber-Fazer”, desde que orientado para o mote: “Saber-ser”.


Atuação

Coordenado por Rodolfo García Vázquez, o curso de Atuação destina-se à formação de atores criadores, abordando as áreas de improvisação, técnicas básicas e avançadas de voz, corpo e interpretação, além de análise de textos teatrais, criação de papéis tanto no sentido clássico, quanto em relação a formas contemporâneas de atuação. Entenda-se como ator-criador aquele que, como artista, assume total responsabilidade pelo desenvolvimento do seu processo de trabalho, vivenciando-o como uma forma de desalienação no seu processo de pesquisa e em suas opções estéticas, de acordo com a orientação geral do espetáculo definida pelo/com o diretor e demais participantes do processo teatral. O curso pretende estimular a consciência da função social do ator, a sensibilidade crítica para o mundo contemporâneo e suas questões, o apelo técnico na formação do ator, a pesquisa de novas possibilidades para a arte do ator e a criação de personagens e cenas dentro de processos teatrais tradicionais e de investigação.


Cenografia e Figurino

Coordenado por J.C. Serroni, o curso de Cenografia e Figurino da SP Escola de Teatro visa capacitar jovens interessados no universo profissional da cenografia e do figurino. Trata- se de um curso de qualificação profissional no qual o artista-aprendiz recebe noções básicas do fazer cenográfico e da indumentária teatral. O curso tem caráter prioritariamente prático e para isso, além das diversas oficinas, organiza estágios em teatros, TVs, agências, etc. Aulas teóricas e práticas são complementadas aos artistas-aprendizes por meio de um contato muito próximo com diversos profissionais do setor e participação nas montagens de espetáculos oriundas dos outros departamentos da própria Escola. A formação modular de Cenografia e Figurino está plenamente integrada aos outros cursos da escola.


Direção

Coordenado por Hugo Possolo, o curso de Direção terá como função preparar novos encenadores com visão crítica e ampla sobre a sociedade e o fazer teatral. Formaremos encenadores que ordenem o fluxo de trabalho de todo o processo de criação teatral e que saibam lidar com todos os âmbitos da encenação. O artista-aprendiz do curso de Direção passará também por componentes de formação de outros cursos, inclusos componentes de extensão. A formação prática do artista-aprendiz do curso de Direção deverá se equiparar à formação teórica que é, exatamente, onde reside o diferencial de ensino em relação às escolas de teatro, acadêmicas ou não, em todo o país. Outro fator importante é que o curso de Direção abordará, em sua matriz, diversas possibilidades de linguagens cênicas, como o teatro em espaços abertos, intervenções urbanas, o teatro de animação e bonecos; das salas convencionais de palco italiano ao teatro de rua, passando por outras linguagens cênicas como a dança, o circo e a ópera. Além de todo esse amplo espectro de formas do fazer teatral, será voltado também à formação de novos diretores capacitados a orientar a interpretação dos atores, tornando mais próxima a relação do encenador com o ator.


Dramaturgia

Coordenado por Marici Salomão, o curso de Dramaturgia com formação de dois anos é singular no Brasil, sem similar no ensino técnico ou superior do País. Visa despertar e potencializar vozes singulares. Propõe também o desenvolvimento do artista-aprendiz em outros modos de produção textual, como a criação coletiva e os processos colaborativos. O curso equilibra-se entre teoria, técnicas e prática, incluindo conteúdos fundamentais que formam a base da criação dramatúrgica de outras mídias, como o rádio e a internet. Levando em conta seu próprio ineditismo, o curso pressupõe a sistematização do estudo da dramaturgia e de suas técnicas, atentando para as diferenças essenciais entre o que hoje se pode denominar texto e escritura cênica. Também visa proporcionar ao artista-aprendiz a compreensão de conceitos e postulados contemporâneos, como o “dramaturgismo”.


Humor

Coordenado por Raul Barretto, visa a formação de humoristas e comediantes capacitando-os para a atuação cênica, formulação de arquétipos e personagens cômicos e a elaboração de uma dramaturgia cômica própria. O curso busca um ator-criador que contextualize sua obra socialmente e compreenda a dimensão histórica da função social do riso. Se por um lado, comediantes se formam longe do academicismo, com aparente autonomia de criação, por outro, os humoristas são generalizados como puro entretenimento. Apesar das comédias terem um potencial comercial mais explorado, o reconhecimento de sua popularidade se choca com a falta de prestígio intelectual. É desse conflito que o curso de Humor emerge, sistematizando e ensinando um imenso saber popular, de enorme potencial, com características brasileiras muito próprias. A palavra “humor” engloba mais que uma ou outra forma de propiciar o riso. O curso busca a excelência do ensino do Humor, totalmente sintonizada com o fazer e o saber teatrais de seu tempo, abrindo espaço para que seus artistas-aprendizes expressem novas tendências, oferecendo-lhes uma sólida base de conhecimento já tradicional, ainda que não sistematizado, que na SP Escola de Teatro iniciará um processo de registro e formulação, tendo como missão organizar um inédito centro de referência no ensino e na execução do Humor.


Iluminação

Coordenado por Guilherme Bonfanti, curso se propõe a formar técnicos com conhecimento mais abrangente, que vão além das especificidades da área. Pretende formar técnicos autônomos, investigativos, críticos e que entendam o significado do trabalho em equipe. Um dos pilares do curso é unir a tecnologia e o artesanal, ressaltando a criatividade do artista-aprendiz. Busca o equilíbrio entre a teoria e a prática, fundamental para o desenvolvimento e aprendizado do artista-aprendiz, assim como a interação com os outros cursos da Escola. Por meio da educação do olhar, promove uma aproximação de áreas importantes para a formação do artista da luz: artes visuais, cinema, música. O curso dá ênfase ao processo criativo, à pesquisa, à experimentação e à construção artesanal.


Sonoplastia

Coordenado por Raul Teixeira, o curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro propõe a formação do artista-aprendiz por meio de conhecimentos que estimulem a comunicação pelo som. O curso oferece a possibilidade do artista-aprendiz de criar sua trilha sonora, que poderá ser produzida ao vivo ou gravada, utilizando-se dos diversos meios de produção de som, como música, ruídos ou voz. Este conceito aplicado inicialmente ao teatro também será abordado no cinema, rádio, televisão e outras mídias. O saber-ser e o saber-fazer estabelecem a base da formação do curso explorando possibilidades expressivas do som, seja real ou imaginário, recriando cenários, objetos ou personagens. Desta maneira, o curso pretende estimular a reflexão sobre o homem e a sociedade a partir da ética e do compromisso intelectual e social do artista.


Técnicas de Palco

Coordenado por J.C. Serroni. o curso de Técnicas de Palco é inédito no Brasil e preencherá uma das maiores carências do fazer teatral no país. Pretende formar e capacitar técnicos de palco que possam atuar na área como cenotécnicos, aderecistas, maquinistas e diretores de cena (o antigo contrarregra). Por mais estranho que possa parecer, não existe no Brasil uma única escola ou curso sequer preocupado com essa formação. Do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) para cá, a formação foi sempre passada do mestre para o aprendiz, de modo não sistematizado. Aos poucos, até isso foi se perdendo e cada vez mais pessoas despreparadas se aventuram numa área de grande responsabilidade, especialmente no quesito segurança. O Curso de Técnicas de Palco da SP Escola de Teatro pretende formar técnicos diferenciados, que entendam não somente a parte instrumental específica, mas também tenham uma visão geral de todos os elementos que compõem um espetáculo teatral. Outra preocupação é a formação do cidadão antes do profissional. O curso tem a duração de um ano em dois módulos, com estágios obrigatórios na Escola (60 horas) e externos (480 horas).

Durante 41 sábados em 2010, ocorrerá, nas dependências da SP Escola, o Território Cultural, uma feira cultural destinada a promover a interação e a troca dos conhecimentos elaborados pelos aprendizes da SP Escola de Teatro com a Sociedade. Ou seja, atividades artísticas serão franqueadas aos aprendizes e à população em geral.

Cursos de Difusão Cultural

A SP Escola de Teatro oferece, ao longo do ano, Cursos de Difusão Cultural. Serão até 26 cursos por ano, para atender 30 estudantes por curso, totalizando dessa forma uma quantidade de até 780 estudantes ao ano.

Os cursos de Difusão Cultural incidem sobre as mesmas linhas de pesquisas dos cursos regulares : Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Humor, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco, contemplando, ainda, possíveis interfaces entre as mesmas.

Ainda que permeiem as linhas de pesquisa dos cursos regulares, as atividades do setor de Difusão Cultural extrapolarão essas áreas específicas, abordando diversos assuntos, entre eles: produção, gestão cultural, filosofia, estética, elaboração de projetos, interpretação de textos, e muitos outros.

Esses cursos se propõem tanto a aprofundar reflexões sobre questões do processo teatral contemporâneo quanto a colocar ao alcance de seus estudantes uma formação técnica e prática atualizada, seguindo os princípios norteadores dos cursos regulares.

Os cursos destinam-se a toda a comunidade, oferecendo-se a essa a possibilidade de entrar em contato com temas e assuntos que abarcam desde a História do Teatro até técnicas específicas em componentes menos abordados pelo ensino convencional.

As dependências da SP Escola de Teatro servirão como espaço para a realização das atividades de Difusão Cultural, todavia, essas não se limitarão àquelas. Serão firmadas parcerias com diferentes equipamentos culturais de diferentes cidades e regiões, ampliando-se a acessibilidade em relação à iniciação e à reflexão artísticas. A Estação SP Verde, ação de desdobramento das atividades de Difusão Cultural, responsabilizar-se-á por parcerias a serem estabelecidas no interior paulista.

Instalações

Sede Provisória

O prédio onde funciona a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco até sua sede ficar pronta, foi projetado em 1911 para abrigar a antiga Escola Normal do Brás.

Depois sediou a Escola Padre Anchieta e hoje, além de ser um patrimônio histórico do Estado (tombado pelo Condephaat em 1988), abriga a Oficina Cultural Mazzaropi. Com a chegada da SP Escola de Teatro o local foi adaptado para receber cerca de mil aprendizes, até a sua sede administrativa ficar pronta, no segundo semestre de 2010.


Fica no jabaquara 210.

Projetos

Ligações externas

Ferramentas pessoais