Nordeste, Heliópolis, Brasil – I Ato
De Enciclopedia do Teatro
Um retrato dos 30 anos da maior favela da cidade São Paulo, tendo como fonte uma pesquisa sobre a sua formação e origem. Esse é tema norteador do espetáculo “Nordeste, Heliópolis, Brasil – I Ato”, da Cia. de Teatro de Heliópolis.
O espetáculo é o resultado da continuidade do Projeto “Arte e Cidadania em Heliópolis”, que visa formar e capacitar jovens artistas cidadãos que se integraram à Cia. de Teatro de Heliópolis.
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Pesquisa
A dramaturgia, assinada por Ana Roxo, foi criada a partir de pesquisa realizada pelos integrantes da companhia e com moradores da comunidade para resgatar as histórias da formação de favela, cuja população é formada em 80% de migrantes nordestinos. “Realizamos entrevistas, rodas de conversa, colhemos depoimentos pessoais e memórias de integrantes do grupo e de seus familiares que vivem em Heliópolis, na tentativa de tornar visível um entendimento acerca dos acontecimentos sociais e políticos que geram uma das maiores favelas da América Latina e em que contextos se desenrolam suas existências”, explica Miguel Rocha, um dos fundadores da Cia. de Teatro de Heliópolis.
Encenação
O espetáculo, dirigido por Cris Lozano, se desenrola em três níveis do amplo casarão no bairro do Ipiranga com cerca de 500 m², fazendo com que os espectadores “passeiem” pelos ambientes e acompanhem as quatro histórias contadas na peça. Na montagem, o público assiste a diferentes trajetórias que têm em comum o fato de retratar a história de pessoas que vêm para a capital paulista em busca de uma nova vida.
Na trama são abordados quatro eixos dramatúrgicos: no primeiro, na década de 70, uma jovem nordestina foge da casa grávida e sonha em recomeçar sua vida em São Paulo. A segunda história narra a vida do filho dessa jovem que desconhece a identidade do pai e reflete sobre as suas perspectivas para o futuro. O terceiro traz uma jovem popular no meio da comunidade que está em busca de um relacionamento amoroso. Na quarta trama, os atores remontam o caminho de um líder capoeirista da comunidade até se tornar vereador.
Para a diretora da montagem, Cris Lozano, o processo de criação foi “totalmente embasado por essas memórias pessoais e coletivas, fortalecendo as referências culturais, sua identidade e sua cidadania”. Ela acrescenta ainda que o espaço cênico, “por conta do seu estado de desconstrução mimetiza a precariedade das condições de vida na favela. Além disso, a maneira de ocupação da casa acaba por espelhar a própria realidade – às vezes caótica, do ‘tudo-ao-mesmo-tempo-agora’ da vida num dos maiores complexos humanos. Heliópolis é um grande condomínio vertical, sem portas e sem barreiras”.
Ficha Técnica
- Concepção do projeto: Egla Monteiro e Miguel Rocha
- Coordenação Geral: Miguel Rocha
- Dramaturgia: Ana Roxo
- Direção Artística: Cris Lozano
- Elenco: Alice Nunes, Ayna Martiniano, Christianderson Bernardo, Christian David, Dalma Régia, Donizete Bomfim, Leo Gonzaga, Lucas Ramos, Maria de Lourdes Bomfim, Mateus Ferreira e Tabata Ketley
- Direção musical: Cristiano Meirelles
- Composições: Cristiano Meirelles e elenco
- Preparação Corporal e direção de movimento: Douglas Emilio
- Coreografia: Cristiano Meirelles
- Direção de arte: Renato Bolelli e Beto Guilger - Usina da Alegria Planetária
- Grafiteiros: Os Fanaticos Forever e Arregaço
- Iluminação: Davi de Brito e Vânia Jaconis
- Figurinos: Tereza Monteiro
- Produção: Miguel Rocha e Dalma Régia
Serviço
- Temporada: de 28 de maio até o dia 10 de julho de 2011
- Horários: Sábados às 21h. Domingos, às 19h
- Local: Casa de Teatro Maria José de Carvalho
- Endereço: Rua Silva Bueno, nº 1533, Ipiranga
