Nenhuma Saudade de Nada

De Enciclopedia do Teatro

Nenhuma Saudade de Nada é um espetáculo com roteiro escrito a partir de improvisações embasadas pela mímica corporal dramática em torno dos textos de David Foster Wallace. A montagem que transita entre o teatro, a performance e o teatro de formas animadas é composta por cinco cenas onde o público é disposto num espaço ainda em construção.

A montagem propõe um diálogo a partir de um modo de produção, cuja matéria (1) e os afetos (2) são apresentados a partir de instalações que combinam objetos de diferentes tamanhos, escalas e volumes, que são apresentados ou construídos em cena e dispostos ao longo da encenação.

O roteiro traz apenas um personagem – O Homem, que nos é apresentado como um sujeito operário, fadado ao trabalho, confrontando sua produção de vida. A partir da pesquisa desenvolvida pelo Ânima Dois a respeito da hibridização dos sentidos, os objetos que compõem a cenografia e demais adereços que aparecem em cena são todos brancos, frágeis e feitos de papel.

(1) A matéria é um conjunto de imagens, e por imagem entende-se uma certa existência que é mais do que aquilo que se chama de representação, porém menos do que aquilo chamado de coisa, existência situada a meio caminho entre coisa e representação. As imagens podem ganhar tons diferenciados, ora mais perto da ação, ora mais distante, conforme o grau de nossa atenção à vida. Esta é uma das ideias diretrizes do artista. Este conceito já vem sendo empregado nos espetáculos do Ânima Dois devido sua pesquisa em teatro de animação, mas precisamente no uso de objetos.

(2) O afeto é a condição que liga produção e produto e que confere a tonalidade do nosso estado de percepção.

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