Inventário – Aquilo que Seria Esquecido se a Gente Não Contasse

De Enciclopedia do Teatro


Andrea Jabor e Beatriz Sayad assinam a direção da peça que conta com Dani Barros, Flávia Reis, Cesar Tavares e Marcos Camelo no elenco. A montagem é resultado de uma criteriosa pesquisa sobre o palhaço contemporâneo e sua capacidade de intervir e transformar a realidade. Depoimentos comoventes e bem-humorados mostram um pouco da insólita experiência de ser palhaço em uma enfermaria pediátrica.

No palco, quatro cadeiras diferentes ocupam quatro raias, representando corredores de um hospital. A partir dessa arquitetura, quatro atores se revezam nos papéis de médico, paciente, palhaço e artista. Os personagens avançam e recuam, contando suas experiências, ilustradas ainda por meio de movimentos corporais e objetos cênicos. O jogo se estabelece na dinâmica da troca de papéis. Temperada com um humor ácido e uma crítica ao sistema público de saúde brasileiro.

Idealizado pela trupe dos Doutores da Alegria do Rio de Janeiro com direção de Andrea Jabor (As Cinco Peles do Samba, SESC Av Paulista, janeiro de 2008) e Beatriz Sayad, o espetáculo teatral para adultos – que se apresentou em importantes festivais e cumpriu várias temporadas no Rio de Janeiro - reúne no elenco Dani Barros (Acqua Toffana, SESC Av Paulista, junho de 2008), Flávia Reis, César Tavares e Marcos Camelo.

Inventário transpõe para o palco cenas vividas ao longo dos 10 anos de atuação dos Doutores da Alegria nos hospitais do Rio de Janeiro. No palco, os quatro atores vestem jalecos brancos e narizes vermelhos e vão mesclando realidade e ficção nas vozes do paciente, do artista, do médico e do palhaço, num jogo de improvisação baseado nas memórias dos atores.

Inventário é um espetáculo narrado a partir do que os artistas dos Doutores da Alegria do Rio de Janeiro viram, viveram, lembraram, sonharam, temeram, reinventaram, inventariaram. O espetáculo, destinado à plateia adulta, é resultado de uma criteriosa pesquisa sobre o palhaço contemporâneo e sua capacidade de intervir e transformar a realidade. A apresentação do espetáculo contribui para resgatar a figura subversiva do palhaço, um artista genuinamente popular, que reencontrou sua função transformadora nos hospitais e vem recuperando seu espaço nas salas de espetáculo.

Conforme uma das diretoras, Andrea Jabor, “a peça nasceu da necessidade de se contar as histórias e experiências do grupo Doutores da Alegria do Rio de Janeiro em um formato teatral”. Depois de trabalhar 4 anos com a trupe, dando aulas de improvisação, Andrea se propôs a colaborar no projeto de um espetáculo de teatro. “A pesquisa se desenvolveu a partir de uma estrutura de improvisação, estabelecida em cima do papel e do lugar do médico, do paciente, do palhaço e do artista”, explica Andrea Jabor.

“Ficamos um bom tempo nesse formato, levantando material, propondo exercícios de composição com objetos trazidos de casa e da rua, como uma caixa de primeiros socorros e um travesseiro.” Surgiram muitas histórias e foi nesse momento que entrou a diretora Beatriz Sayad, que foi para o Rio colaborar, costurando as histórias para montar uma dramaturgia. Em seguida, Andrea e Beatriz, junto com o elenco, conceberam a montagem com uma estrutura mestre.


Ficha Técnica

Direção: Andrea Jabor e Beatriz Sayad

Elenco: Cesar Tavares, Dani Barros, Flávia Reis, Marcos Camelo e Sávio Moll

Iluminação: Djalma Amaral

Figurinos: Flávio Souza

Produção: Alexandre Boccanera e Flávia Reis

Realização: Doutores da Alegria

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