Hair

De Enciclopedia do Teatro

Em plena Guerra do Vietnã, o mundo experimentava as dores e as delícias da época: o amor livre, o rock psicodélico, a filosofia oriental, a descoberta de drogas como o LSD e o estilo de vida dos hippies. Por outro lado, assistia ao primeiro conflito internacional televisionado e se indignava com os horrores da segregação racial e sexual. Neste verdadeiro caldeirão de acontecimentos, o musical "Hair" estreava em um pequeno teatro off-Broadway, em 1967. Não precisou de muito tempo para se tornar um fenômeno, migrar para o circuito principal e se propagar em dezenas de montagens ao redor do planeta.

Hoje, mais do que um espetáculo teatral, "Hair" é um mito. Com a passagem do tempo, o musical se tornou ao mesmo tempo espelho e uma das principais referências do movimento cultural e comportamental que mudou o mundo nas décadas de 60 e 70. Este acontecimento teatral sem precedentes chega novamente ao Brasil, mais de 40 anos depois da única e lendária montagem nacional. A partir de 5 de novembro, Charles Möeller e Claudio Botelho vão mostrar ao público a novíssima versão brasileira de "Hair", no palco do Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro.

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Cronologia

Também atores, Gerome Ragni e James Rado levaram três anos para chegar ao texto final de "Hair". Durante esta gestação, eles absorveram as inúmeras referências e as rápidas transformações que o mundo vivia. Galt MacDermot se uniu à dupla no final de 1966 e, em apenas três meses, compôs toda a música do espetáculo, cuja sonoridade também remetia ao inconsciente coletivo jovem da época.

A estreia no circuito off-Broadway impulsionou a montagem para o circuito principal em pouco tempo. Em abril de 1968, "Hair" estreava no Biltmore Theatre com mais um feito: a aprovação unânime de toda a tradicional crítica especializada. Mesmo alertando os leitores acerca das cenas de sexo, nudez e homossexualidade, os jornalistas se renderam por completo, caso do lendário Clive Barnes, temido e respeitado crítico do The New York Times.

Em sua resenha, ele ressalta a novidade, o frescor e toda a inventividade do que era mostrado. ‘É simples saber porque "Hair" é tão adorado’, disse na época. Por conta da transgressão que é vista em cena, John Chapman, do Daily News, elogiava a montagem, mas frisava que não era um musical para levar uma dama, enquanto Richard Watts, do Post, afirmava que é difícil resistir à energia jovem do elenco.

O espetáculo seguiu em cartaz até 1973 e deu origem ao filme homônimo, dirigido por Milos Forman e lançado em 1979. Responsável por popularizar ainda mais a peça e as canções, o longa metragem optou por dar um tratamento menos psicodélico e estruturar o roteiro de forma cartesiana, privilegiando uma dramaturgia mais convencional. As mudanças envolveram os perfis dos personagens e até o enredo, que sofreu uma grande alteração em seu desfecho. Não à toa, os autores da peça rejeitaram enfaticamente o filme.

No Brasil

"Hair" estreiava no Brasil em outubro de 1969. Depois de uma complicada negociação de direitos com os autores americanos e com a censura brasileira, a montagem – dirigida por Ademar Guerra – repetiu o sucesso e causou enorme polêmica na época, menos de um ano após a publicação do AI-5.

As apresentações repercutiam em todo o País e impulsionaram a carreira de artistas como a estreante Sonia Braga. Ao longo da temporada, que durou até 1972, nomes consagrados se revezaram nos elencos, como Antonio Fagundes, Nuno Leal Maia, Aracy Balabanian, Armando Bogus, Ariclê Perez, Ney Latorraca e Dennis Carvalho.

Ficha técnica

  • Libreto e Letras: Gerome Ragni e James Rado
  • Música: Galt MacDermot
  • Visagismo: Dudu Meckelburg
  • Coordenação Artística: Tina Salles
  • Casting: Marcela Altberg
  • Produção Executiva: Aniela Jordan e Luiz Calainho

Elenco


Serviço

  • Temporada: de 5 de novembro a 19 de dezembro de 2010
  • Local: Teatro Oi Casa Grande, Av. Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon, Rio de Janeiro
  • Telefone: (21) 2511- 0800
  • Horários: Quintas e sextas, às 21h; sábados, às 18h e 21h30; domingos, às 19h.
  • Duração do espetáculo: 130 minutos (com intervalo de 15 minutos)
  • Classificação etária: 14 anos
Ferramentas pessoais