Hécuba

De Enciclopedia do Teatro

Após a queda de Tróia, conquistada e destruída pelos gregos, eles ansiavam partir de volta à Pátria, mas suas naus estavam retidas no Quersoneso Trácio. Neste ínterim, o fantasma de Aquiles apareceu aos gregos para pedir-lhes que fosse sacrificada sobre seu túmulo a virgem Polixena, uma das filhas de Príamo e Hécuba, rei e rainha de Tróia.

Odisseu (Ulisses) dirigiu-se à tenda onde estava Hécuba com a missão de levar Polixena para o sacrifício. Ele não se comoveu com o desespero de Hécuba nem com a circunstância, relembrada por ela, de Odisseu dever-lhe a própria vida. Mas Polixena, demontrando uma altivez heróica e irredutível a sua honra real, preferiu a morte à escravidão e seguiu espontâneamente Odisseu para seguir seu destino.

Hécuba preparava os funerais da filha sacrificada quando uma nova desgraça recaiu sobre ela. Polidoro, seu filho mais novo, fora confiado por Príamo a certa altura da guerra de Tróia a Polimestor, rei do Quersoneso Trácio, levando consigo parte dos tesouros do rei dos troianos. Ao saber da rendição de Tróia, Polimestor mandou matar o menino com a intenção de apoderar-se dos tesouros e ordenou que lançassem o cadáver ao mar. O corpo veio ter à praia e foi entregue à rainha desesperada. Hécuba apelou a Agamêmnon para que vingasse a morte do filho, mas ele relutou em atender.

Diante disso, Hécuba vingou-se com suas próprias mãos, atraindo Polimestor e seus filhos a sua tenda, onde elas e suas companheiras de cativeiro mataram os filhos e arrancaram os olhos dos pai. Em face do fato consumado, Agamemnom ordenou que Polimestor fosse abandonado num ilha deserta enquanto as naus gregas, impelidas por ventos finalmente favoráveis, levaram Hécuba e as outras cativas troianas.

Montagem

Com Walderez de Barros no papel central, o espetáculo estreia dia 18 de novembro no Teatro Vivo, em São Paulo. A atriz não fazia teatro desde "Fausto Zero", em 2004, quando também foi dirigida por Gabriel Villela. Como atriz convidada, Walderez de Barros interpreta Hécuba e contracena com os seguintes atores: Fernando Neves, (Poliméstor/Coro), Flávio Tolezani (Odisseu/Coro), Léo Diniz (Agamemnon/Coro), Luísa Renaux (Coro), Luiz Araújo (Polidoro/Coro), Marcello Boffat (Corifeu/Coro), Nábia Villela (Polixena/Coro), Rogério Romera (Taltíbio/Coro).

Além da direção, Gabriel Villela é responsável pela adaptação do texto e pelos figurinos. O coro veste máscaras confeccionadas pelo artista plástico Shicó do Mamulengo, que veio de Natal especialmente para elaborar os adereços de Hécuba. Na montagem o coro canta ao vivo os arranjos vocais que o músico mineiro Ernani Maleta compôs para a peça. A voz do elenco foi preparada por Babaya e pela italiana Francesca Della Monica. A cenografia de Márcio Vinicius trabalha com elementos contrastantes, como a madeira em tom claro e o polietileno negro.

Para Walderez de Barros, "Hécuba não deixa de ser um teatro político. O mito vale para qualquer época, em qualquer situação". Nunca vi Hécuba como uma tragédia feminina, e sim uma tragédia. O que a protagonista faz é buscar justiça e vingança", comenta a atriz.

Ficha técnica

  • Texto: Eurípides
  • Tradução: Mário da Gama Kury
  • Adereços: Shicó do Mamulengo
  • Preparação vocal: Babaya
  • Antropologia da voz: Francesca Della Monica
  • Direção musical e arranjos vocais: Ernani Maletta
  • Preparação corporal: Ricardo Rizzo

Serviço

  • Teatro VIVO - Av. Chucri Zaidan, 860, Morumbi, São Paulo/SP
  • Temporada: De 18 de novembro a 18 de dezembro de 2011
  • Horários: sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 20h
  • Duração: 60 minutos
Ferramentas pessoais