Chuva Pasmada
De Enciclopedia do Teatro
Chuva Pasmada marca o reencontro da atriz Alice Possani, do Grupo Matula Teatro, e Eduardo Okamoto, fundador deste grupo.
Indecisa entre céu e terra, a chuva não cai: uma chuvinha suspensa, leve pasmada, aérea. Ninguém se recordava de um tal acontecimento. Aquele lugar poderia estar sofrendo maldição.
"Chuva Pasmada" encena o conto homônimo do escritor moçambicano Mia Couto. O espetáculo, no entanto, não procura, em chão de África, a imagem da terra árida; entrevê, nas relações humanas, centelhas de gotas que não se desempenham.
A chuva é o Avô que, em rio seco, mingua sonhos de navegar até o mar. É o Pai que, estancado junto à vida, não é o mais velho, mas o mais envelhecido de todos. É a Mãe, segredando com a chuva, mistérios de mulher e de água. É o Filho amanhecendo conhecimentos de vida e de morte. É a Tia que, sem cumprir a estação do matrimônio, recolhe-se em reza de cruz e rosário. Como uma inundação sem chão, esta chuva é cada um e, ao mesmo tempo, todos nós, que nascemos água e morremos terra.
No espanto de uma chuva que não cai, “Chuva Pasmada” esconde-nos, como em enigma, a imagem oposta: sonho e intenção de um rio sobrando da terra. No fluir infindo de uma correnteza sempre nascendo, reiventamo-nos outros – sempre! “Chuva Pasmada” lembra-nos: há rio e canoa. Façamo-nos, nós mesmos, remos.
Ficha Técnica
Texto Original: Mia Couto
Dramaturgia: Cássio Pires
Direção e Iluminação: Marcelo Lazzaratto
Atuação: Alice Possani e Eduardo Okamoto
Figurinos e Cenografia: Warnner Reis
Arte Gráfica: Alexandre Caetano
Trilha sonora: Michael Galasso
Fotografia: Ferndando Stankuns
Documentação: Paula Diana
Produção: Daniele Sampaio e Grupo Matula Teatro
