Boca de Ouro
De Enciclopedia do Teatro
Boca de Ouro é uma tragédia carioca em três atos, escrita por Nelson Rodrigues em 1959. Estreou em 19 de outubro de 1960, em São Paulo, no antigo Teatro Federação, depois chamado Cacilda Becker. Sem sucesso, ficou somente três semanas em cartaz, tendo no papel-título o diretor polonês Ziembinski.
Sinopse
Bicheiro temido e respeitado na comunidade onde vive, o personagem-título Boca de Ouro manda arrancar todos os dentes perfeitos, substituindo-os por uma dentadura de ouro. Prepotente e cruel, Boca de Ouro também cultiva o sonho de ser enterrado num caixão de ouro só para recompensar o trauma de ter nascido numa gafieira e de ter sido abandonado pela mãe numa pia de banheiro. O malandro banqueiro do bicho, repleto de suíngue e malícia, começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha, designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui, que narra três diferentes e inusitadas versões do mesmo assassinato. Em todas elas, estão envolvidos Leleco, um malandro desempregado, sua mulher, Celeste e três ricaças.
Todas as histórias são contadas por Dona Guigui quando jornalistas vão até a sua casa em busca de manchetes. Em primeira instância, sem saber que o bicheiro está morto, Guigui o define como um homem cruel e insensível. Depois, ao saber do assassinado, torna-se emotiva e passa a elogiá-lo, ao mesmo tempo em que denigre seu atual marido Agenor (Marcos de Vuono), que, irritado, decide abandonar o lar.
Sentindo-se culpado pelo ocorrido, o repórter Caveirinha influencia Dona Guigui a contar uma terceira versão sobre a morte de Boca de Ouro. Esta revela seu poder, crueldade e inseguranças. Um bicheiro malandro, uma amante, um jornalista em busca de grandes manchetes e um assassinato relatado em três ângulos distintos. Quem matou o Boca de Ouro é a pergunta que não quer calar.
