Avenida Q
De Enciclopedia do Teatro
"Avenida Q" chamou a atenção desde seu início, no circuito off-Broadway, por seu formato inusitado, ao mesclar personagens humanos com bonecos, manipulados pelos atores que permanecem em cena durante todo o espetáculo.
No Brasil, o musical ganhou montagem original da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho que estreou em 2009.
À primeira vista, esses bonecos podem remeter ao universo infantil e lúdico de programas célebres como "Vila Sésamo" e "Muppet Show" – fontes de inspiração declarada dos criadores Robert Lopez e Jeff Marx, que assinam letra e música, ao lado de Jeff Whitty, autor do libreto. Entretanto, canções como "Se você for gay" e "Todo mundo é meio racista" não deixam dúvidas de que o alvo deste espetáculo são os maiores de idade.
Charles e Claudio assistiram ao musical na Broadway e foi paixão à primeira vista.
O musical conta a história de Princeton, um jovem recém formado que parte em busca de uma nova vida na capital, carregando grandes sonhos e pouco dinheiro no banco. Ele aluga uma moradia na Avenida Q (ele começa tentando na Avenida A, onde vivem os ricos). Lá conhece Brian, o comediante desempregado, e sua noiva, a terapeuta sem clientes JapaNeuza; Nicky e seu companheiro de quarto Rod -- um bancário conservador que esconde um segredo. Há ainda Trekkie Monster, um viciado da Internet, Kate, a graciosa professora-assistente do jardim de infância, a fogosa Lucy de Vassa, os ursinhos do mal e a Dona Coisa Ruim, além do superintendente do edifício, que é um antigo astro mirim da televisão (Gary Coleman, astro polêmico e decadente da televisão americana).
Juntos, Princeton e seus novos amigos se esforçam para encontrar trabalho, amor e um rumo para suas vidas. Brian, JapaNeuza e Gary Coleman são os três personagens humanos que convivem com todos os bonecos em perfeita harmonia.
Na criação da variada galeria de personagens reside uma das maiores riquezas de "Avenida Q". “O mundo só quer saber dos vencedores, mas, na verdade, os especiais e os eleitos são muito poucos. A vida é feita pelo segundo time, pessoas que também tem ótimas histórias para contar”, afirma Charles. “Esse espetáculo fala especialmente de aceitação. Humanos e bonecos convivem harmonicamente e rindo de tudo, inclusive uns dos outros. O humor é a melhor maneira de chegar perto de si mesmo”, finaliza.
