Atores Rapsodos
De Enciclopedia do Teatro
O grupo Atores Rapsodos foi fundado na UniRio, a partir de pesquisa da Professora Doutora Nara Keiserman, diretora do Grupo, em parceria com sua bolsista na época, a atriz Natasha Corbelino, também produtora do Grupo.
Desde sua criação, o grupo vem mantendo uma linha coerente e contínua de investigação teatral, em que o fundamento para criação da cena é a relação entre o texto narrativo performatizado e o movimento gerado pelo jogo improvisacional dos atores.
Aliada à busca da teatralidade, há um grande investimento na relação com o espectador, visto como o interlocutor fundamental e imprescindível para o ato narrativo. Esta ênfase tornou-se mais clara nas três últimas montagens, todas premiadas com o FATE, Fundo de Apoio ao Teatro, da Prefeitura do Rio "(eu)Caio" (2004), "O Narrador" (2005) e "A Incrível Bateria" (2007).
Em "(eu)Caio", jogo teatral com textos de e sobre Caio Fernando Abreu, o espectador escolhe os personagens em nome dos quais os atores se movimentam e sorteiam os contos que vão ser apresentados a cada noite.
Em "O Narrador", com contos de vários autores (Walter Benjamin, Marques Rebelo, João do Rio e outros), os atores distribuem para cada espectador uma embalagem com objetos que despertam os sentidos. Após experimentar os objetos, os espectadores indicam qual o seu sentido predileto. Os dois sentidos que tiverem um número maior de escolhas determinam os contos a serem encenados.
A partir de "O Narrador", os Atores Rapsodos estabeleceram como pressuposto de seu trabalho três idéias principais: o conceito de narrador definido por Walter Benjamin em seu conhecido ensaio “O Narrador”, a Sensorialidade (abrangendo os cinco sentidos, o movimento e a sensualidade) e alguns fundamentos do Jogo Teatral.
O espetáculo "A Incrível Bateria" é inspirado no disco “A Incrível Bateria do Mestre Marçal”, LP de 1987, de autoria de Durval Ferreira e Marçal, que é uma verdadeira sinfonia da Bateria da Escola de Samba.
"A Incrível Bateria" traz o som para o primeiro plano da narrativa. Há música o tempo todo, o surdo, o ganzá, o tamborim, o agogô, a cuíca, o tarol, o repique, o apito do Mestre Marçal e os percussionistas em cena é que fazem emergir os contos e relatos apresentados.
Nenhum deles foi escrito para o teatro e aparecem como no original, com pouquíssimas interferências, de modo a preservar e sublinhar a voz do narrador. O único ponto de contato entre os textos é o Carnaval, salientando o caráter singular de qualquer narrativa sobre essa festa. São, na verdade, várias festas. Coloca-se em cena diferentes carnavais, de modo a despertar em cada um as lembranças do seu próprio Carnaval.
Os próximos projetos vão dar continuidade a busca de uma linguagem de cena afinada com estes conceitos: o Narrador, o Jogo, a Sensorialidade.
Os Atores Rapsodos são: Cláudio Garcia, Helena Borschiver, Natasha Corbelino e Oscar Saraiva e a diretora Nara Keiserman.
