As Comadres

De Enciclopedia do Teatro


As Comadres é uma peça teatral de Miguel M. Abrahão escrita em 1979. Foi publicada em livro pela Ed. Shekinah em 1981, SP., e encenada pela primeira vez no mesmo ano, no Brasil.

Tabela de conteúdo

Sinopse

"As Comadres" conta a história de Beth Fera, uma líder feminista preocupada em inverter os valores vigentes, procurando assumir e fazer com que suas companheiras assumam, uma posição autocrática e dominante, pretendendo que todas as mulheres sejam superiores aos homens e não iguais. Para tal objetivo, sobrepõe a ordem natural das coisas: marido trabalha em casa; mulher trabalha na rua; o filho deve conhecer todas as prendas domésticas; a filha deve, desde pequenina, trabalhar fora de casa. Enfim, Beth se apropria das premissas ditas machistas e cria a sua Utopia, em que os valores impingidos ao homem, a condição de dominador, passa, irrevogavelmente, para as mulheres. Em contrapartida, aparece Amélia, protótipo típico de uma mulher, classe média, de uma sociedade puramente machista. Outras personagens, de igual importância, gravitam em torno de Beth e Amélia. Manssino e Almeida são duas personagens antagônicas. Enquanto Almeida é um subproduto daquela sociedade que tanto ofende a Utopia de Beth, Manssino é o "Super Homem" preconizado por ela. A história começa quando Beth Fera, indignada diante das atitudes passivas e ingênuas de muitas mulheres de sua cidade, resolve promover um congresso feminista a fim de conscientizá-las do que chama de "a verdadeira condição da mulher". O final, como em todas as peças de Miguel M. Abrahão, é surpreendente, pois ele não semeia ilusões e nem costuma seduzir suas platéias com promessas de paz futura. Em "As Comadres", encontramos os elementos fundamentais da dramaturgia do autor. Repleto de uma cética ironia, ele ataca vigorosamente os mitos, os costumes, a linguagem, as guerras, o socialismo, o capitalismo, os heróis, os sentimentos, as crença à burguesia. Em resumo, o autor não acredita na ação transformadora do homem. Como diria uma de suas personagens, "O mundo é um mundo de fantoches. E os fantoches, em conjunto com a liberdade de sonhar acordado, ajudarão a reconciliar os servos com a vassalagem que é seu destino. O destino é imutável e os vivos, um erro da lógica".


Personagens

  • Beth Fera: - A líder feminista
  • Amélia: - A vizinha submissa
  • Almeida: - Marido de Amélia
  • Manssino: - Marido de Beth Fera
  • Joãozinho: - Filho de Manssino e Beth Fera
  • Margô: - Namorada de Joãozinho
  • Maria Iça: - Palestrante do 1º Tema
  • Brasa Arranca Ferro: - Palestrante do 2º Tema
  • Berenice: - Palestrante do 3 º Tema
  • Libória: - Palestrante do 4º Tema
  • Maria Pesadelo: - Conferencista
  • As convidadas do 1º Congresso Nacional Feminista


Histórico da Obra

O espetáculo A Comadres estreou no Centro Cultural e Recreativo Cristovão Colombo de Piracicaba, com 2 hr e 10 mins de duração, em 28 de agosto de 1981. Encenada pelo Teatro Experimental da Universidade Metodista de Piracicaba, com direção de Milton Graça, a peça trazia em seu elenco original Carmelinda Rodrigues da Cunha, Francisco Barbosa, Lilian dos Santos, Darcy Scoton, Jaqueline Suveges, Lair Ettori, Leidelis Perdona, Valquiria Torrezan, Roseli Frasson, Nadeje Cardoso, Esmerail Corrêa, Luci Dias, Ivaniara Avancini, Maria Elena Nonato Teles, Gislaine Teixeira, Rosana Aoki e Junia Gardenal.

Sobre o autor e o texto, assim escreveu o folclorista brasileiro João Chiarini em artigo publicado pelo jornal A TRIBUNA PIRACICABANA de 25 de Agosto de 1981:

UMA PEÇA TEATRAL

João Chiarini

MIGUEL MARTINS ABRAHÃO é um eclético do teatro. Autor, ator, diretor. Um triângulo perfeito. Da primeira condição elaborou a peça O Dinheiro, da qual já escrevi em O Diário e em a Tribuna Piracicabana, surpreso e admirado com a sua capacitação de criador e de personagem. Como ator foi o mais extraordinário que conheci em cima da ribalta(...) Agora, ele escreveu o As Comadres. Li-o todo. As falas estão num quadro amplo da luta pela emancipação feminista. É a sua linguagem de cabo a rabo; de fio a pavio, incessantemente.(...)

(...)Acho, penso e sinto que MIGUEL MARTINS ABRAHÃO tenha dado ênfase, calor ao trabalho, que já desenvolvera no decênio, imediatamente anterior ao seu, José Maria Ferreira ou o J. M. Ferreira. Um moço grande, multi-plural(...)


Fontes

  • COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001: 2v.
  • Arquivo de Jornais do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba
  • Jornal A Tribuna de Piracicaba - Edição de 25 de agosto de 1981

Ligações Externas

  • WIKIPEDIA [1]
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