A Vida que eu Pedi, Adeus

De Enciclopedia do Teatro

O dramaturgo Sérgio Roveri escreveu a peça A Vida que eu Pedi, Adeus a partir da observação do cotidiano. O texto fala das milhares de pessoas que todos os dias tentam ganhar a vida nas ruas das grandes cidades, como verdadeiros equilibristas e acrobatas nos semáforos: vendem de tudo e sempre aprendem novas técnicas para atrair a atenção dos motoristas.

As personagens Eurides e Armando diversificaram os negócios e entraram em vários ramos de atividade. Seus representantes comerciais são muito versáteis: uns vendem balas, outros fazem malabarismo com bolinhas e tem até engolidor de fogo. Tudo estrategicamente planejado: num ponto de venda amplo, bem-ventilado, com grande visibilidade e muito movimento. Na verdade, o melhor ponto de venda da cidade: os faróis de trânsito.

Sempre otimista, o fracassado Armando tem coração mole e está muito empenhado em aprender inglês. Por isso, atormenta a mulher ouvindo a fita de um curso à distância e repetindo as palavras. Já Eurides tem uma visão mais empresarial da vida. Ela avalia objetivamente o perfil de seus funcionários, como o da menina Doralice, que chegou naquela idade difícil. Está pequena demais para limpar o vidro do carro e grande demais para ficar só pedindo dinheiro.

E como a concorrência está dura, o casal aproveita qualquer chance de fazer um dinheirinho extra. Assim, quando avistam a faixa que uma senhorinha pôs na praça, oferecendo uma recompensa a quem achar sua cadela de estimação que sumiu, decidem tirar vantagem da situação. Quando já estão com a cachorrinha e prontos para dar o golpe, a inesperada visita de Mariana (Antoniela Canto), neta da dona do animal, complica as coisas.

Mariana é arquiteta e trabalha na Prefeitura. Enquanto tenta convencer Armando a mostrar-lhe a cadela - que ele alega pertencer ao casal -, conta a Eurides que a Prefeitura vai canalizar o fétido córrego que passa por ali e fazer uma via expressa, praticamente extinguindo os faróis da região. E, por tabela, o ganha-pão do casal.

O projeto deixa Eurides de cabelo em pé e bastante preocupada, mas não só com o futuro dos negócios. "Imagine como vai ficar a cabeça dessas crianças. Com 5 ou 6 anos e já enfrentando a primeira demissão em massa na vida delas...", filosofa a personagem.


Ficha Técnica

  • Figurinos: Vera Hamburger

Serviço

  • Teatro Gazeta (Av. Paulista,900, Térreo, São Paulo/SP)
  • Horários: Sexta às 21h, Sábado às 20h e Domingo às 18h
  • Temporada: a partir de 13 de maio de 2011
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