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Cursos Regulares

A Escola proporciona oito Cursos Regulares. A abordagem dos conteúdos prefigura como se fossem oito escolas em uma, dado o grau de interdependência e horizontalidade nos cursos. Cada um deles oferece 25 vagas, admitindo-se, num primeiro momento de funcionamento, um total de 200 aprendizes.

O advento da SP Escola de Teatro demarca a luta pela regulamentação de algumas profissões historicamente relegadas no Brasil, como a do dramaturgo, função-chave tanto na fase moderna como na fase contemporânea do nosso teatro.

No programa de estudos oferecido, vale observar que cursos como Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco, contam finalmente com um ensino formal e regular correspondente ao nível médio profissionalizante – dado novo entre as Escolas de Teatro no Brasil.

Dramaturgia

Sem similar no ensino técnico ou superior do País, visa despertar e potencializar vozes singulares. Propõe o desenvolvimento do aprendiz em outros modos de produção textual, como a criação coletiva e os processos colaborativos. Equilibra teoria, técnica e prática, incluindo conteúdos que compõem a base de criação para outras mídias, como o rádio, a televisão e a internet. Visa, ainda, à formação teórica e prática sobre postulados mais recentes, como o dramaturgismo.

Coordenador

Marici Salomão


Jornalista e dramaturga, aperfeiçoou sua formação em Dramaturgia com Luís Alberto de Abreu (Núcleo dos Dez) e com Antunes Filho, como coordenadora do Círculo de Dramaturgia do CPT (Centro de Pesquisa Teatral – Sesc/SP). Como jornalista, colaborou nas áreas de teatro e literatura do Caderno 2 (O Estado de S. Paulo) e da revista Bravo!. Atualmente, é jurada do prêmio Shell de Teatro e coordenadora do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council. Teve encenadas as peças "Atos de Violência", "Impostura" (projeto "E se fez a Praça Roosevelt em 7 Dias"), "Bilhete", "O Pelicano", "Maria Quitéria" e "Retiro dos Sonhos" (premiada no Concurso Nacional de Textos Inéditos do Sesi – 1995).

A estrutura orgânica da SP Escola de Teatro atende a um pensamento holístico de mediação com as artes do palco.

Não por acaso, o logotipo da Instituição sugere a planta de uma arena em linhas aparentemente labirínticas, a um só tempo centrípetas e centrífugas em relação ao miolo, mas não demora e o observador nota claramente as entradas e saídas desse tecido entrelaçado e acarinhado por todos.

O funcionamento pedagógico é assentado nos seguintes elementos:

Módulo

Transcende a estrutura convencional do conteúdo sistematizado por semestre.  Compreende um período de ensino no qual coexistem um Eixo Temático e um Operador que unificam os Componentes, permitindo a interação e o trabalho conjunto. O Curso Regular é composto por quatro Módulos, a saber: Verde, Amarelo, Azul e Vermelho. Os Módulos não possuem uma hierarquia interna entre os Componentes e espera-se que, a partir do ingresso da segunda turma, os aprendizes possam iniciar a Escola em qualquer um deles. Cada Módulo consome de 20 a 21 semanas por semestre.

Matriz

Substitui a noção de grade curricular. A Matriz pressupõe o ensino inter e trans-disciplinar. Essa disposição favorece paralelos, entrecruzamentos de percepções lançadas por formadores e aprendizes vindos de trajetórias as mais distintas. Modo de organizar e distribuir os conteúdos que, no caso do teatro, estão aliados à prática.

Componente

É o elemento que constitui a Matriz. O Componente traduz uma unidade coerente de conteúdo a ser partilhado. Compreende ao recorte de um conjunto de temas ou assuntos. Está conectado de maneira matricial e interdependente a outras vertentes do saber, dialogando com o contexto do Eixo Temático e do Operador. 

 

Eixo Temático

Na conjunção da forma com o conteúdo, e vice-versa, as linhas de pensamento da SP Escola de Teatro atravessam ideias, linguagens e estéticas. São elas que orientam o Eixo Temático. Este ora tangencia as fontes históricas, ora persegue a ruptura potencializada no ato de criar no mundo de hoje.

O Eixo Temático contextualiza estilo e época, a saber:

Verde – elementos do realismo;

Amarelo – elementos do épico/narrativo;

Azul – elementos da improvisação e da performance;

Vermelho – elementos do teatro contemporâneo.

Operador

Modo por meio do qual tais técnicas e conteúdos são trabalhados. No caso específico da SP Escola de Teatro, os Operadores estão relacionados à questão espacial:

Verde – caixa preta/palco italiano;

Amarelo – lugar não edificado para fim teatral;

Azul – rua ou praça; espaço público aberto;

Vermelho – caixa cênica/sala teatral como um todo.

Desenvolvimento dos Operadores e Eixos Temáticos

Cada Módulo prevê o desenvolvimento de oito projetos de cenas curtas, ou seja, 16 por semestre. Cada cor, por sua vez, apresenta um Eixo Temático (recorte que orienta, organiza e interfere na transversal das ações) e um Operador (espaço, teatral ou não, no qual se dará o Experimento).

Assim, tanto o Eixo Temático como o Operador são predefinidos, ainda que passíveis de variação de ano para ano. São determinantes sobre os Componentes fornecidos e sobre o modo de pensar, investigar, realizar as cenas e prover raciocínios e subjetividades.

Nos parágrafos seguintes, exemplos do programa a ser cumprido em quatro Módulos entre 2010 e 2011.

- O Estúdio Verde traz como Eixo os elementos do realismo e, como Operador, a caixa preta do palco italiano. Ou seja, os aprendizes vão se debruçar sobre algumas características dessa estética, como se esquivar ao melodrama, obter a ilusão da realidade próxima ao cotidiano, bem como experimentar a objetividade descritiva. Os projetos de cena podem girar em torno das peças A gaivota, de Anton Tchekhov; Um bonde chamado desejo, de Tennessee Williams; e Barrela, de Plínio Marcos, para citar três títulos da lista do primeiro semestre de 2010.

- No Estúdio Amarelo, formam o Eixo os elementos do épico, tais como a quebra de ilusão, a ruptura dos elementos dramáticos e a narração. E opera com o lugar não edificado para atividade teatral, como museu, igreja e garagem. Entre as opções de textos, O percevejo, de Vladimir Maiakóvski; A vida de Galileu, de Bertolt Brecht; e Arena conta Tiradentes, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri.

- O Estúdio Azul aborda elementos da performance e do teatro improvisacional, que rompem com o cotidiano, firmam canais com múltiplas linguagens e intensificam a intervenção urbana. Seu Operador é o lugar teatral milenar: a rua ou a praça. Dentre as possibilidades para os projetos experimentais figuram as linguagens da instalação, da dramaturgia colaborativa e do ator-criador.

- No Estúdio Vermelho, o aprendiz exerce autonomia de voo sobre o Eixo, prospectando-o em investigação colaborativa. Empreende-se reflexão sobre a pluralidade de formas existentes na contemporaneidade. É retomado, por fim, o espaço teatral edificado, em proposta de ressignificação.

Estúdio e Formação

Dentro do Módulo, composto por 20 ou 21 semanas, dependendo do semestre, a aprendizagem é desenvolvida cumprindo-se as etapas do Estúdio e da Formação.

Estúdio

Com duração variável de 13 a 17 semanas, o Estúdio é compreendido como território da produção artística e está presente em todos os Módulos. Refere-se diretamente ao fazer. Como os Eixos Temáticos e os Operadores dos Módulos são idênticos em todos os cursos, isto permite que haja a porosidade e a permeabilidade presumidas.

O Estúdio é dividido em duas fases:

Processo – fase na qual os conteúdos e as técnicas inerentes ao Eixo Temático são esmiuçados; instiga o aprendiz à consciência e à reflexão parcimoniosa de cada etapa da criação.

Nessa fase de estudo, torna-se mais concreta a noção de se trabalhar em curto, médio ou longo prazos. A complexidade de certos tópicos pode requerer dias, semanas ou meses de mergulho sobre referências e genealogias do que se pretende abarcar. Isso condiz com a natureza do fazer teatral.

Experimento – fase na qual os aprendizes se dirigem a projetos diferenciados, integrando vários pares de cursos distintos na realização de um procedimento comum.

Por exemplo, um aprendiz de Atuação vai estudar as técnicas do realismo em sala de aula, com os seus colegas de curso, durante o Processo. Na etapa seguinte, o chamado Experimento, eles terão uma parte das aulas entre si e vão mesclar outra parte com colegas de outros núcleos para desenvolver um projeto específico.

Nesse caso, um projeto “x” abrigará dois ou três aprendizes de Atuação, que vão se unir a dois ou três aprendizes de Direção, de Cenografia e Figurino etc. Esse novo grupo, com uma estrutura semelhante a uma trupe teatral, formará uma célula de trabalho que desenvolverá um projeto articulado a ser apresentado no final do período do Experimento.

Formação

Na parte final do Módulo, temos a Formação, etapa na qual os aprendizes retornam a seus núcleos de origem. A Formação tem como objetivos realizar a avaliação do Estúdio, e especialmente do Experimento, sistematizar os conhecimentos vivenciados na prática e ampliar o repertório teórico e técnico.

A intenção é subverter o caminho convencional do “saber” para o “fazer”, mesclando-os. Ocupa as três semanas finais nos Módulos Amarelo e Vermelho e as oito semanas derradeiras nos Verde e Azul.

Justamente, a etapa da Formação, por não anteceder a prática, não a limita; pelo contrário, aprofunda-a ao tomá-la como base.

Os aprendizes são incentivados a refletir e investigar determinados Eixos Temáticos e Operadores diferenciados para cada Módulo. Não há uma montagem de espetáculo final. Em cada semestre se acolhem as cenas curtas e os Experimentos afins.

Quando a SP Escola de Teatro tiver células autônomas dos mesmos cursos, a partir de 2011, desde o ingresso o cidadão já poderá escolher a sua cor conforme o interesse. O pacto é que, em dois anos, ele tem de passar pelos quatro Módulos e ser avaliado em cada um deles com a menção de aprovado ou não aprovado – implicando, neste caso, refazer o Módulo inteiro.

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