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Cursos Regulares

A Escola proporciona oito Cursos Regulares. A abordagem dos conteúdos prefigura como se fossem oito escolas em uma, dado o grau de relações artísticas e pedagógicas entre os cursos. Cada um deles oferece 25 vagas, com exceção de Direção que prevê 20 vagas, admitindo-se, deste modo, anualmente, um total de 195 aprendizes.
 
O advento da SP Escola de Teatro demarca a luta pela regulamentação de algumas profissões historicamente relegadas no Brasil, como a do dramaturgo, função-chave tanto na fase moderna como na fase contemporânea do nosso teatro.
 
No programa de estudos oferecido, vale observar que cursos como Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco, contam finalmente com um ensino formal e regular correspondente ao nível médio profissionalizante – dado novo entre as Escolas de Teatro no Brasil.

Direção

O curso de Direção tem como enfoque preparar novos encenadores com visão crítica e ampla sobre a sociedade e o fazer teatral. As atividades práticas equiparam-se à formação teórica, equivalência incomum nas Escolas de Teatro, acadêmicas ou não, em todo o País. Outro fator importante é a sintonia de seus aprendizes com a prática dos demais cursos da Escola, bem como a abordagem de possibilidades de linguagens e suportes diversos, como intervenções urbanas, formas animadas, palco italiano e teatro de rua.

Coordenador

Rodolfo García Vázquez


Diretor e dramaturgo, fundou em 1989, juntamente com Ivam Cabral, a Cia. de Teatro Os Satyros. Recebeu os mais importantes prêmios do teatro brasileiro, como Shell, APCA e Qualidade Brasil. Dirigiu trabalhos em vários países europeus. De 1997 a 2005 foi o diretor artístico do projeto Instant Acts, da instituição alemã Interkunst. Escreveu os textos “Transex”, “Kaspar ou a Triste História do Pequeno Rei do Infinito Arrancado de sua Casca de Noz” e “A Proposta”, entre outros. Do alemão, traduziu “Inocência”, de Dea Loher. Sua produção teatral é constante na cena paulistana, desde o início dos anos 2000. À frente de Os Satyros, teve atuação fundamental na revitalização da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo.

Formador

Ivan Delmanto


É diretor teatral, dramaturgo e educador. Bacharel em Direção Teatral pela ECA/USP, também é Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada na FFLCH/USP. Como dramaturgo, trabalhou no projeto de pesquisa e no espetáculo “BR-3”, do Teatro da Vertigem. Trabalha, desde 2004, no Programa Vocacional, tendo sido artista orientador, coordenador do núcleo de direção, coordenador pedagógico do programa. Desde 2000, é diretor e dramaturgo da II Trupe de Choque, grupo no qual dirigiu e escreveu os espetáculos “Coriolanos”, “Miopia”, “Corpos Acumulados – Experiência 1”, “Corpos Acumulados – Experiência 2”, “Corpos Acumulados – Experiência 3” e “Corpos Acumulados – Experiência 4”.

A estrutura orgânica da SP Escola de Teatro atende a um pensamento holístico de mediação com as artes do palco.

Não por acaso, o logotipo da Instituição sugere a planta de uma arena em linhas aparentemente labirínticas, a um só tempo centrípetas e centrífugas em relação ao miolo, mas não demora e o observador nota claramente as entradas e saídas desse tecido entrelaçado e acarinhado por todos.

O funcionamento pedagógico é assentado nos seguintes elementos:

Módulo

Transcende a estrutura convencional do conteúdo sistematizado por semestre.  Compreende um período de ensino no qual coexistem um Eixo Temático e um Operador que unificam os Componentes, permitindo a interação e o trabalho conjunto. O Curso Regular é composto por quatro Módulos, a saber: Verde, Amarelo, Azul e Vermelho. Os Módulos não possuem uma hierarquia interna entre os Componentes e espera-se que, a partir do ingresso da segunda turma, os aprendizes possam iniciar a Escola em qualquer um deles. Cada Módulo consome de 20 a 21 semanas por semestre.

Matriz

Substitui a noção de grade curricular. A Matriz pressupõe o ensino inter e trans-disciplinar. Essa disposição favorece paralelos, entrecruzamentos de percepções lançadas por formadores e aprendizes vindos de trajetórias as mais distintas. Modo de organizar e distribuir os conteúdos que, no caso do teatro, estão aliados à prática.

Componente

É o elemento que constitui a Matriz. O Componente traduz uma unidade coerente de conteúdo a ser partilhado. Compreende ao recorte de um conjunto de temas ou assuntos. Está conectado de maneira matricial e interdependente a outras vertentes do saber, dialogando com o contexto do Eixo Temático e do Operador. 

 

Eixo Temático

Na conjunção da forma com o conteúdo, e vice-versa, as linhas de pensamento da SP Escola de Teatro atravessam ideias, linguagens e estéticas. São elas que orientam o Eixo Temático. Este ora tangencia as fontes históricas, ora persegue a ruptura potencializada no ato de criar no mundo de hoje.

O Eixo Temático contextualiza estilo e época, a saber:

Verde – elementos do realismo;

Amarelo – elementos do épico/narrativo;

Azul – elementos da improvisação e da performance;

Vermelho – elementos do teatro contemporâneo.

Operador

Modo por meio do qual tais técnicas e conteúdos são trabalhados. No caso específico da SP Escola de Teatro, os Operadores estão relacionados à questão espacial:

Verde – caixa preta/palco italiano;

Amarelo – lugar não edificado para fim teatral;

Azul – rua ou praça; espaço público aberto;

Vermelho – caixa cênica/sala teatral como um todo.

Desenvolvimento dos Operadores e Eixos Temáticos

Cada Módulo prevê o desenvolvimento de oito projetos de cenas curtas, ou seja, 16 por semestre. Cada cor, por sua vez, apresenta um Eixo Temático (recorte que orienta, organiza e interfere na transversal das ações) e um Operador (espaço, teatral ou não, no qual se dará o Experimento).

Assim, tanto o Eixo Temático como o Operador são predefinidos, ainda que passíveis de variação de ano para ano. São determinantes sobre os Componentes fornecidos e sobre o modo de pensar, investigar, realizar as cenas e prover raciocínios e subjetividades.

Estúdio e Formação

Dentro do Módulo, composto por 20 ou 21 semanas, dependendo do semestre, a aprendizagem é desenvolvida cumprindo-se as etapas do Estúdio e da Formação.

Estúdio

Com duração variável de 13 a 17 semanas, o Estúdio é compreendido como território da produção artística e está presente em todos os Módulos. Refere-se diretamente ao fazer. Como os Eixos Temáticos e os Operadores dos Módulos são idênticos em todos os cursos, isto permite que haja a porosidade e a permeabilidade presumidas.

O Estúdio é dividido em duas fases:

Processo – fase na qual os conteúdos e as técnicas inerentes ao Eixo Temático são esmiuçados; instiga o aprendiz à consciência e à reflexão parcimoniosa de cada etapa da criação.

Nessa fase de estudo, torna-se mais concreta a noção de se trabalhar em curto, médio ou longo prazos. A complexidade de certos tópicos pode requerer dias, semanas ou meses de mergulho sobre referências e genealogias do que se pretende abarcar. Isso condiz com a natureza do fazer teatral.

Experimento – fase na qual os aprendizes se dirigem a projetos diferenciados, integrando vários pares de cursos distintos na realização de um procedimento comum.

Por exemplo, um aprendiz de Atuação vai estudar as técnicas do realismo em sala de aula, com os seus colegas de curso, durante o Processo. Na etapa seguinte, o chamado Experimento, eles terão uma parte das aulas entre si e vão mesclar outra parte com colegas de outros núcleos para desenvolver um projeto específico.

Nesse caso, um projeto “x” abrigará dois ou três aprendizes de Atuação, que vão se unir a dois ou três aprendizes de Direção, de Cenografia e Figurino etc. Esse novo grupo, com uma estrutura semelhante a uma trupe teatral, formará uma célula de trabalho que desenvolverá um projeto articulado a ser apresentado no final do período do Experimento.

Formação

Na parte final do Módulo, temos a Formação, etapa na qual os aprendizes retornam a seus núcleos de origem. A Formação tem como objetivos realizar a avaliação do Estúdio, e especialmente do Experimento, sistematizar os conhecimentos vivenciados na prática e ampliar o repertório teórico e técnico.

A intenção é subverter o caminho convencional do “saber” para o “fazer”, mesclando-os. Ocupa as três semanas finais nos Módulos Amarelo e Vermelho e as oito semanas derradeiras nos Verde e Azul.

Justamente, a etapa da Formação, por não anteceder a prática, não a limita; pelo contrário, aprofunda-a ao tomá-la como base.

Os aprendizes são incentivados a refletir e investigar determinados Eixos Temáticos e Operadores diferenciados para cada Módulo. Não há uma montagem de espetáculo final. Em cada semestre se acolhem as cenas curtas e os Experimentos afins.

Quando a SP Escola de Teatro tiver células autônomas dos mesmos cursos, a partir de 2011, desde o ingresso o cidadão já poderá escolher a sua cor conforme o interesse. O pacto é que, em dois anos, ele tem de passar pelos quatro Módulos e ser avaliado em cada um deles com a menção de aprovado ou não aprovado – implicando, neste caso, refazer o Módulo inteiro.

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