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O que a física tem a ver com a escrita

“A experiência, e não a verdade, é o que dá sentido à escritura. Digamos, com Foucault, que escrevemos para transformar o que sabemos e não para transmitir o já sabido. Se alguma coisa nos anima a escrever é a possibilidade de que esse ato de escritura, essa experiência em palavras, nos permita liberar-nos de certas verdades, de modo a deixarmos de ser o que somos para ser outra coisa, diferentes do que vimos sendo”. 1

Nos processos de ensino de dramaturgia, não operamos com noções de certo ou errado. Mesmo em processos que envolvem pontos de partida para a criação – como é o caso do ensino modular da SP Escola de Teatro, em que a cada seis meses, oferecem-se teóricas e artísticas – uma das questões a se levar em conta é a força com que cada Núcleo se dedicou ao avassalador ato de criar.

Veja, dissemos a força. Na dramaturgia, é ela que deve impulsionar a escrita. Sem força uma personagem não age. Sem força, um dramaturgo ou uma dramaturga não escreve. Força é empenho, é impulso, é atitude. Para além das técnicas e do conhecimento racional, é preciso cultivar essa força. Algo só se transforma em outra coisa se uma força leva à mudança. Aprendemos isso desde muito jovens, nas aulas de Física no colégio: força é um agente físico que altera o estado de repouso ou o movimento de um corpo. Nós artistas devemos contar com a força.

Quando bebês, usamos de muita força para chorar a plenos pulmões e obter alimento. Uma força demanda esforço, a saída da inércia. Podemos passar a vida toda na inércia, sem nem percebermos, “movidos” pela falsa sensação de movimento.

O pensamento que abre esse texto é fundamental para se refletir sobre o ato da escritura: importa a experiência, não uma pretensa verdade sobre a escrita. Quando escrevemos nosso dever ético é transformar o que já sabemos – pois o que já sabemos é passado e o ato criador é sempre presente. Mais uma vez, transformação depende exclusivamente de uma força, de uma energia, que opere sobre a mudança e gere transformação.

Mas é preciso querer. A aventura ou o desafio, ou seja, a flecha deve correr na direção de um desvestir-se de “certas verdades”. Esse é um ato libertador e de transformação – “de modo a deixarmos de ser o que somos para ser outra coisa, diferentes do que vimos sendo”.

Nesse sentido, é papel da coordenadora incentivar os processos de escrita, entendida como forma de libertação. Isso se refletirá no texto, obviamente, tanto quanto no ou na aprendiz. Na trajetória dos processos de ensino na SP Escola de Teatro e no Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council há bons exemplos de textos singulares e experimentos que se fizeram claras mensagens de transformação do autor ou autora. Em jogo, se percebeu, não só o desejo da transformação, mas uma dedicação férrea e um empenho alegre em ter como projeto de vida a evolução do texto e de si mesmo. Dedicar-se e empenhar-se demandam força, energia, impulso.

Claro que se o ou a aprendiz não quiser ou não puder perceber que é esse o convite feito a ele ou ela, nada acontecerá.

1. Por Jorge Larrosa e Walter Kohan, na apresentação da coleção Educação: Experiência e Sentido. Grupo Autêntica. Faz parte dessa coleção O Mestre Ignorante, de Jacques Rancière.


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