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Memorial de Iluminação de ‘O Fantasma da Natureza Morta’

Publicado em: 29/09/2017

LUIS CARLOS ZABEL
Especial para a SP Escola de Teatro

Neste Cadernos de Luz, o iluminador Luis Carlos Zabel relata a experiência de criação do espetáculo “O Fantasma da Natureza Morta”:

Este trabalho tem o objetivo de experimentar a luz e a sombra a partir da obra de Regina Silveira, artista e arte-ducadora brasileira. O interesse em pesquisar essa artista surgiu ao se estudar melhor um de seus trabalhos de sombra chamado “A lição”, neste trabalho, a artista suspende e questiona noções básicas das artes visuais como composição e temática, desdobramento do sentido poético e semântico predominante em sua obra, uma crítica aos repertórios clássicos da representação da sombra e da luz na arte ocidental.

Apropriando-se de uma prática do estudo do desenho a artista subverte a noção de sombreamento, eliminando a fonte de luz que supostamente incide nas formas geométricas propostas. A sombra assim é criada através de projeções feitas nos planos do solo e parede através de adesivo preto. Com isso, a artista cria uma ilusão que desloca o espectador na sua percepção espacial cotidiana. A sombra nesta obra existe sem luz, ela é a reprodução espacial de um desenho. Nessa obra como em tantas outras, Regina Silveira se apropria de seu estudo profundo
de geometria e representação para criar uma situação de deslocamento entre aquilo que se vê e o que se espera ver. Na obra “A lição”, os sólidos agigantados são brancos.

O uso da cor branca destitui, de certa forma, qualquer materialidade que possa existir nesses objetos, a sombra passa a ser assim, não uma consequência da incidência de luz, mas um agente da divisão do espaço, dos objetos e da sensação da obra. Para ilustrar isso, podemos citar outras obras em que o objeto assim como a fonte de luz são inexistentes, onde a sombra cria um rastro daquilo que talvez pudesse existir um dia. Nesse sentido, ela cria uma ilusão. Ao ver a sombra o espectador é confrontado a usar a imaginação e o seu repertório das coisas para completar a obra.”

Para ler o texto completo, clique aqui.

 

LUIS CARLOS ZABEL é iluminador.

O espaço destinado aos Cadernos de Luz foi idealizado por Guilherme Bonfanti, coordenador do curso de Iluminação da Escola, que, motivado pela escassez de materiais teóricos na área, decidiu abrir terreno para reunir estudos e pensamentos sobre o tema.




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