On the First Day, He Created Red

Social control, theatre of the absurd, dreams and imagination. Every room of the Roosevelt headquarters of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts was shaken by the ideas brought by the Red Module students. Yesterday (5), the nine groups presented their drama projects, helped by their teachers.

This action is part of the process started last month, during which each group dialogued with a thinker at a meeting promoted here in the School. Under the epigraph “The world is composed not only of what already exists, but also of what may effectively exist,” by geographer Milton Santos, the nine groups were provoked in nine themes. Among the guests of the occasion were Luiz Fuganti, from anthropology; Guto Lacaz, from visual art; Aimar Labaki, from communication; Patricia Nakayama, from philosophy; André Martin, from geopolitics; Ladislau Dowbor, from the environment; Celso Nascimento, from music; Sergio Zlotnic, from psychoanalysis, and Cláudio Novaes Pinto, from sociology. Later, the groups departed from the themes and organized their first ideas, shown yesterday.

Milton Santos’ epigraph triggered the dialogue between the groups and the thinker (Photo: Arquivo SP Drama School)

 

“This meeting was the result of the research conducted by the groups. The teachers brought new triggers to outline the present phase and the next actions,” said the pedagogical coordinator Joaquim Gama.

The executive director Ivam Cabral was excited about the event: “I believe that this is the most important moment. Defining these projects will tell us what their future will be. This is the most pleasurable moment for us all because it reveals the students’ aesthetic gaze and how magical this movement has become. To me, this phase is more valuable than the final result, though they always surprise us at the end,” said Ivam.

 

* This text was published on september 6 http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2386)

Noite de Clássico na Praça Roosevelt

Ao piano, Regina faz o último ensaio, antes do recital, com suas alunas

Não. A região da Consolação não ganhou um estádio de futebol para sediar um Palmeiras x Corinthians. Mas, na última segunda-feira (10), a Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco recebeu um recital de música clássica.

Num espaço montado com muito capricho e esmero, bem no Saguão de Entrada do prédio, alunos do curso “A Arte do Canto Lírico I”, promovido pelo departamento de Extensão Cultural da Escola, celebraram o fim das aulas com um sarau. O repertório foi escolhido sob a orientação da professora, a consagrada mezzo-soprano Regina Elena Mesquita. “Como é um curso livre, há alunos de todos os níveis, embora tenhamos feito uma audição para a seleção dos candidatos. Estes que estão aqui foram os mais corajosos, que toparam se apresentar. Trata-se de um bom começo, já que estamos falando de um mercado difícil no Brasil. Sabemos que há poucos teatros e casas com programação voltada a esse tipo de música”, disse Regina Elena, antes de dar início às apresentações, que tiveram acompanhamento do pianista Flavio Lago.

E muita coisa boa foi ouvida ali. Desde canções de Villa-Lobos (“Lundú da Marquesa de Santos”, interpretado pelo aluno Dan Ricca) a árias de óperas, como a excelente performance de Fabiana Romero para “Venite Inginocchiatevi”, da ópera “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart, passando até por um sucesso de Clara Nunes, “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, na bela voz de Taiane Martins, que encerrou o recital.

“A música, aliada à palavra, gera a ação. Se você coloca a sua emoção na personagem, a canção vai aparecer e, consequentemente, tocar a plateia”, observou Regina Elena, que em seu currículo traz os prêmios da APCA em 1988 e 1992, como melhor solista vocal e, em 1996, o 1º Prêmio Carlos Gomes da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, entre outros.

Regina Elena Mesquita, cercada por seus pupilos: "Bom começo" (Fotos: Helio Dusk/SP Escola de Teatro)

A seguir, confira, por ordem de apresentação, o que cada aluno interpretou naquela noite, coroada por aplausos do público, que lotou o Saguão da SP Escola de Teatro. Para ouvi-los, clique nos links abaixo. Para ouvi-los e vê-los, em fotos, num vídeo produzido pela Escola, clique aqui.

 
1) Taís Ferreira dos Santos, ária “Stizzoso mio Stizzoso”, da ópera “La Serva Padrona”, de Giovanni Battista Pergolesi

2) Dan Ricca, “Lundú da Marquesa de Santos”, de Heitor Villa-Lobos

3) Fabiana Romero, “Venite Inginocchiatevi”, da ópera “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart

4) Laís Ponce, “Gia il Sole dal Gange”, de Alessandro Scarlatti

5) Arisa Doy Baldin, “Vittoria, Vittoria Mio Core”, de Giacomo Carissimi

6) Vanessa Scorsoni, ária “Elle a Fui, la Tourtelle!” da ópera “Les Contes d’Hoffmann”, de Jacques Offenbach

7 ) Victor Hibbeln, “Der Wegweiser”, de Franz Schubert

8) Gabriela Menezes, “Du Bist Die Ruh”, de Franz Schubert

9) Charles Yuri, “Down by the Salley Gardens”, de Ivor Gurney

10) Shannon Neves, ária “Venere Bella, Per Um Istante”, da ópera “Giulio Cesare”, de George Frideric Händel

11) Felipe Teles, “Vaga Luna che Inargenti”, de Vincenzo Bellini

12) Taiane Martins, “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, sucesso na voz de Clara Nunes

 

* Notícia publicada em 12/09/2012 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2401)

A Night of Classics at Roosevelt Square

At the piano, Regina rehearses one last time, before the recital, with her students

The region around Consolação Street didn’t get a soccer stadium to host a Palmeiras x Corinthians match. However, last Monday (10), the Roosevelt headquarters of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts got a classical music recital.
In the space, set up with extreme care and affection, right in the building’s entry hall, students of the course “The Art of Lyrical Singing I”, promoted by the School’s department of Cultural Extension, celebrated the end of class with a recital. The repertoire was selected under the guidance of the teacher and eminent mezzo-soprano Regina Elena Mesquita. “Since this is a free course, there are students of all levels, though we did have an audition for candidate selection. The ones here are the bravest, the ones who accepted to perform. It’s a good beginning, as this is a difficult market in Brazil. We know there are few theatres and venues geared to this style of music,” said Regina Elena, before giving the go ahead to the presentations, which were accompanied by pianist Flavio Lago.

A great deal of good music was heard there. From songs by Villa-Lobos (“Lundú da Marquesa de Santos”, sung by student Dan Ricca) to opera arias, such as the excellent performance by Fabiana Romero for “Venite Inginocchiatevi”, from the opera “The Marriage of Figaro”, by Wolfgang Amadeus Mozart, going through a hit sung by Brazilian popular singer Clara Nunes, “Canto das Três Raças”, by Paulo César Pinheiro and Mauro Duarte, in the beautiful voice of Taiane Martins, who closed the recital.

“The music, united to the word, generates action. If you place your emotion in the character, the song will come out and, consequently, touch the audience,” observed Regina Elena, whose curriculum features APCA awards in 1988 and 1992, as best vocal soloist and, in 1996, the 1st Carlos Gomes APCA Award from the Bureau of Culture of the State of São Paulo, among others.

Regina Elena Mesquita, surrounded by her pupils: "A good start" (Photos: Helio Dusk/SP Drama School)

Next, check, in the order they were presented, the pieces interpreted by each student during the applause-filled evening that crowded the hall of the SP Drama School. If you want to listen to them, click on the links below. If you want to listen and see their photos, in a video produced by the School, click here.

1) Taís Ferreira dos Santos, aria “Stizzoso mio Stizzoso”, from the opera “La Serva Padrona”, by Giovanni Battista Pergolesi

2) Dan Ricca, “Lundú da Marquesa de Santos”, by Heitor Villa-Lobos

3) Fabiana Romero, “Venite Inginocchiatevi”, from the opera “The Marriage of Figaro”, by Wolfgang Amadeus Mozart

4) Laís Ponce, “Gia il Sole dal Gange”, by Alessandro Scarlatti

5) Arisa Doy Baldin, “Vittoria, Vittoria Mio Core”, by Giacomo Carissimi

6) Vanessa Scorsoni, aria “Elle a Fui, la Tourtelle!” from the opera “Les Contes d’Hoffmann”, by Jacques Offenbach

7) Victor Hibbeln, “Der Wegweiser”, by Franz Schubert

8) Gabriela Menezes, “Du Bist Die Ruh”, by Franz Schubert

9) Charles Yuri, “Down by the Salley Gardens”, by Ivor Gurney

10) Shannon Neves, aria “Venere Bella, Per Un Istante”, from the opera “Giulio Cesare”, by George Frideric Händel

11) Felipe Teles, “Vaga Luna che Inargenti”, by Vincenzo Bellini

12) Taiane Martins, “Canto das Três Raças”, by Paulo César Pinheiro and Mauro Duarte, hit in the voice of Clara Nunes

 

* This text was published on september 12 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2401)

Introdução à Biodinâmica

Malavia, diante de seus alunos do workshop (Fotos: Helio Dusk/SP Escola de Teatro)

“Temos de aprender a dizer que não temos um corpo, mas sim, somos um corpo”. Foi com essa premissa que o dramaturgo, diretor e novelista boliviano Marcos Malavia, fundador da Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, deu início ao workshop “Introdução à Biodinâmica”, que ocupou o 1º andar da Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, das 18h às 22h de ontem (13).

Com uma sala repleta de atores, em sua maioria estudantes de teatro e aprendizes da Escola, Malavia contou um pouco sobre a Biodinâmica, técnica que ele mesmo criou. Ela foi desenvolvida a partir dos princípios físicos, orgânicos e dinâmicos do corpo do ator, para levá-lo a ter melhor conhecimento, controle e compreensão do corpo como a globalidade orgânica e dramática a serviço da interpretação.

Segundo ele, a prática da Biodinâmica é fundamental para o desenvolvimento do ator porque não enfatiza somente a gestão precisa do corpo orgânico; também o leva a ter consciência da energia de tudo o que o rodeia. “O teatro é o desdobramento constante do ator e do espectador. Ele (teatro) só existe a partir do momento em que é criado o diálogo com o outro. Assim, o ator deve ter a consciência de que ele também deve se desdobrar: ser ele mesmo e o vazio que deve carregar dentro de si para ser preenchido por suas personagens”, diz Malavia, dono de uma retórica que prende a atenção de quem o escuta.

Depois, devidamente vestidos com malhas pretas, para terem a flexibilidade necessária, exigida pela atividade, os alunos passaram aos exercícios práticos.

O encontro de Ivam Cabral e Marcos Malavia, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro

Parceria SP Escola de Teatro / Escuela Nacional de Teatro da Bolívia
Neste ano, a SP Escola de Teatro fechou parceria com a Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, que fica em Santa Cruz de La Sierra e foi fundada por Malavia. O acordo consiste, primeiramente, em um intercâmbio entre aprendizes das duas instituições. Assim, em julho, Nadia Verdun e Erik Moura, ambos matriculados no curso de Atuação, Módulo Azul, embarcaram rumo à Bolívia, de onde acabaram de voltar.

Agora, quem chega por aqui é o aprendiz boliviano de atuação Antonio Peredo Gonzales, que ficará estudando na SP Escola de Teatro por dois meses. “O que eles mais gostaram daqui foi o fato de nossa escola não se restringir à Atuação, o que acontece na instituição boliviana, que não tem aulas nas áreas técnicas do palco (Iluminação, Sonoplastia, Cenografia, etc)”, observa Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro.

 

* Notícia publicada em 14/09/2012 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2411)

Introduction to Biodynamics

Malavia, before his students of the workshop he taught last night (Photos: Helio Dusk/SP Drama School)

“We must learn to say not that we have a body, but that we are a body.” With that premise the Bolivian playwright, director and novelist Marcos Malavia, founder of the Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, kicked off the workshop “Introduction to Biodynamics,” which took place on the first floor of the Roosevelt headquarters of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts, from 6 to 10 pm last night (13).

With a roomful of actors, mostly drama students and students from the School, Malavia gave a brief talk on Biodynamics, a technique that he created himself based on the physical, organic and dynamic principles of the actor’s body. The aim is to lead the actor to a greater control and understanding of the body as an organic and dramatic wholeness at the service of acting.

According to Malavia, the practice of Biodynamics is key for the development of the actor because it doesn’t only emphasize a precise management of the organic body, but also leads to an awareness of the energy of all that surrounds the actor. “The theatre is the constant unfolding of the actor and spectator. It (the theatre) only exists at the moment when the dialogue with the other is created. So, the actor must have the awareness that he too must unfold: be himself and the emptiness he must carry inside to be filled by the characters,” says Malavia, owner of a rhetoric that captures whoever is listening.

Next, duly dressed in black leotards to have the necessary flexibility for the activity, the students went through the practical exercises.

The meeting between Ivam Cabral and Marcos Malavia, at the Roosevelt headquarters of the SP Drama School

Partnership SP Drama School / Escuela Nacional de Teatro da Bolívia

This year, SP Drama School made a partnership with the Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, located in Santa Cruz de La Sierra and founded by Malavia. The agreement features an exchange program among students of both institutions. So, in July, Nadia Verdun and Erik Moura, both enrolled in the Acting course, Blue Module, boarded for Bolivia, from where they have just returned.

Now, Antonio Peredo Gonzales, a Bolivian acting student is arriving here, where he will be studying for two months at the SP Drama School. “What they liked the most here was the fact that our school is not restricted to Acting, as is the case in the Bolivian institution, which doesn’t offer stage techniques (Lighting Design, Sound Design, Set Design, etc),” observes Ivam Cabral, executive director of the SP Drama School.

 

* This text was published on september 14 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2411)

A Escola Vai à Bolívia

Francisco Medeiros e Joaquim Gama

Mais dois representantes da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco estão de malas prontas para a Bolívia. Depois da viagem dos aprendizes Érik Moura e Nadia Verdun, que desembarcaram lá em julho, agora será a vez de Joaquim Gama e Francisco Medeiros – respectivamente, coordenador pedagógico e coordenador do curso de Atuação da Escola – marcar presença no país.

A missão deles em terra estrangeira será a de acompanhar o trabalho feito pela Escuela Nacional de Teatro (ENT), que fica em Santa Cruz de la Sierra, onde os dois aprendizes estão, graças a um intercâmbio artístico entre a SP Escola de Teatro e a escola boliviana.

Além disso, Gama e Medeiros têm um encontro marcado com o dramaturgo, diretor e novelista Marcos Malavia, que é fundador da instituição boliviana. Ele virá ao Brasil na semana que vem para ministrar, na próxima quinta-feira (13), o workshop “Introdução à Biodinâmica”, promovido pelo setor de Extensão Cultural da SP Escola de Teatro. Junto com Malavia, um aluno da ENT, Antonio Peredo Gonzales, vem para estudar na Escola, cumprindo a outra parte do intercâmbio.

“Vamos assistir a um espetáculo montado pelos alunos da escola (do qual Érik e Nadia estão participando) e conversar com o fundador Marcos Malavia sobre outras possibilidades de troca que possam surgir a partir de agora”, comenta Gama.

 

Conexão Brás – Santa Cruz de la Sierra

No dia 16 de julho, Érik Moura e Nadia Verdum, aprendizes do curso de Atuação, embarcaram para a Bolívia para estudar na Escuela Nacional de Teatro.

Para documentar essa experiência e compartilhar com aqueles que não tiveram a chance de conhecer o país, foi criado o blog “Conexão Brás – Santa Cruz de la Sierra”. O endereço virtual é frequentemente atualizado pelos aprendizes, com muitas curiosidades. Vale a visita! Para acessar o diário de bordo, clique aqui.

 

* Notícia publicada em 06/09/2012 (http://spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2384)

The school goes to Bolivia

Francisco Medeiros e Joaquim Gama

Two more representatives of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts are packed to go to Bolivia. After the trip of students Érik Moura and Nadia Verdun, who disembarked in July, now it’s Joaquim Gama and Francisco Medeiros’s turn – the pedagogical coordinator and coordinator of the School’s Acting course – to make their presence felt in the country.

Their mission abroad will be to follow the work done by the Escuela Nacional de Teatro (ENT), located in Santa Cruz de la Sierra, where the two students are staying thanks to an artistic exchange program between SP Drama School and the Bolivian school.

Besides, Gama and Medeiros have an appointment with playwright, director and novelist Marcos Malavia, founder of the Bolivian institution. He will be coming to Brazil next week to teach, on Thursday (13), the workshop “Introduction to Biodynamics”, promoted by SP Drama School’s Cultural Extension section. Along with Malavia, an ENT student, Antonio Peredo Gonzales, is coming to study at the school, fulfilling the other half of the program.

“We are going to watch the show put on by the school’s students (which will have Erik and Nadia’s participation) and talk to the founder Marcos Malavia about other exchange possibilities that may pop up from now on,” comments Gama.

 

Bras – Santa Cruz de la Sierra Connection

On July 16, Érik Moura and Nadia Verdum, students of the Acting course, left for Bolivia to study at the Escuela Nacional de Teatro.

In order to document this experience and share it with those who didn’t have the chance to visit the country, we have created the blog “Conexão Brás – Santa Cruz de la Sierra”. The site is often updated by the students with a number of interesting facts. It’s worth the visit! To enter the travel log, click here.

Sonoplastia com Pimenta

John Cage, tido como um dos principais compositores do século 20, completaria cem anos, se vivo estivesse, em 5 de setembro. Para homenageá-lo, várias celebrações estão sendo feitas ao redor do mundo. Um dos que participam ativamente delas é o músico, arquiteto e artista multimídia brasileiro Emanuel Pimenta, que vive entre a Suíça e Nova York.

Pimenta estava de passagem pelo Brasil, quando Raul Teixeira e Wilson Sukorski, respectivamente coordenador e artista convidado do curso de Sonoplastia da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, que o conhecem de longa data, aproveitaram para fazer um convite antes que ele voltasse para a Europa: o de ministrar uma aula aos aprendizes.

E assim foi. Durante a tarde de ontem (29), os aprendizes tiveram contato com o artista, que visitou a Escola pela primeira vez. Por cerca de três horas, Pimenta falou, especialmente, sobre Cage, sua relação com ele e sobre sua própria produção artística. Mas a conversa foi muito além de tópicos: apresentou conceitos de música, filosofia, arte, cultura e tecnologia, entre várias histórias curiosas.

O americano John Cage foi pioneiro da música aleatória e da música eletroacústica, e ainda exerceu influência sobre a dança, graças à sua parceria com o coreógrafo Merce Cunningham. Pimenta colaborou com Cage durante seus últimos sete anos de vida. “O principal objetivo de Cage e Cunningham era quebrar a prisão cultural em que vivemos. Estamos inseridos em um sistema ultra-repressor, nesse sentido”, comentou o convidado.

Depois de mostrar obras de Cage, o artista exibiu algumas das partituras de sua própria autoria, ressaltando que, no início dos anos 1980, ele mesmo teria sido o responsável pelo conceito “arquitetura virtual”, que hoje é utilizado como disciplina específica em universidades do mundo inteiro. “Design sensorial” e “nanodecisões” são outros dos conceitos criados por ele.

Sukorski, que já conhece o convidado há quase 40 anos, destaca a importância de um encontro dessa natureza: “É o que chamamos de fonte de pesquisa primária, uma pessoa falando sobre ela mesma. Ele tem uma importância histórica para o Brasil, como compositor e agitador cultural, e está há uns 20 ou 25 anos no topo da música contemporânea”.

O artista residente de Sonoplastia, Rodolfo Valente, concorda e diz que “é importante que o curso esteja conectado com a produção atual de música contemporânea”.

Ao final da aula, Raul Teixeira não poupou elogios a Pimenta e fez questão de agradecer pela oportunidade. “Fiquei encantado pela dimensão humana de um artista como ele e pela possibilidade de a Escola receber nomes como esse. É um cara ligado à alta tecnologia e antenado com o que há de mais moderno no mundo. A forma como ele se coloca à disposição para compartilhar um conhecimento tão extenso demonstra sua generosidade”, finaliza.

Como produto das comemorações do centenário de Cage, também existe a possibilidade de lançamento de um livro, em 2013, organizado por Pimenta. Como todos os seus outros livros mais recentes, deverá ser vendido pelo site Amazon, a preço de custo.

 

O artista

Emanuel Pimenta colaborou com John Cage nos seus últimos sete anos de vida, como compositor, e também como compositor para Merce Cunningham, durante cerca de 25 anos, em Nova York, até sua morte.

Vive entre Locarno, Suíça, e Nova York. Há cerca de 27 anos, mudou-se para a Europa. Fez mais de 600 concertos em todo o mundo, com a sua música, junto com John Cage, Merce Cunningham, David Tudor e Takehisa Kosugi. Publicou mais de 50 livros e gravou também mais de 50 CD’s.

Para conferir todo o trabalho do artista, acesse seu site oficial, aqui.

Sound Design With Pimenta

John Cage, celebrated as one of the most important composers of the 20th century, would be 100 years old, if he were alive, on September 5th. Around the world, a number of celebrations will pay tribute to him. A person actively involved in them is the Brazilian musician, architect and multimedia artist Emanuel Pimenta, who lives between Switzerland and New York.

Pimenta, whose name means spicy, was passing through Brazil, when Raul Teixeira and Wilson Sukorski, coordinator and guest artist of the Sound Design course of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts, who have known him for a long time, took the opportunity to make an invitation before he got back to Europe: to teach a class to the students.

And that’s how it went. The students spent the afternoon yesterday (29) with the artist, who was visiting the School for the first time. For about three hours, Pimenta talked, mostly about Cage, his relationship with the composer and about his own artistic production. The conversation, however, went well beyond the topics of discussion: while telling many fascinating stories, Pimenta presented concepts of music, philosophy, art, culture and technology.

The American John Cage was a pioneer in aleatory and electroacoustic music, and also influenced dance, thanks to his partnership with choreographer Merce Cunningham. Pimenta collaborated with Cage during the seven last years of his life. “Cage and Cunningham’s main goal was to break open the cultural prison in which we live. We are inserted in an ultra-repressive system in that sense”, commented the guest.

After showing Cage’s work, the artist exhibited a few musical scores of his own, remembering that, early in the 1980’s, he had been responsible for the concept of “virtual architecture”, which today is used as a specific subject at universities around the world. “Sense design” and “nanodecisions” are other concepts also developed by him.

Sukorski, who has known him for almost 40 years, highlights the importance of such a meeting: “This is what we call primary research source – a person talking about himself. Pimenta has great historical importance to Brazil, both as composer and as cultural agitator. For 20 or 25 years he has been on top of contemporary music.”

The sound design resident artist, Rodolfo Valente, agrees and says that “the course must be connected to the present production of contemporary music”.

At the end of class, Raul Teixeira was all compliments to Pimenta and made a point of thanking him for the opportunity. “I was delighted by the human dimension present in such an artist, and by the fact that the School can receive a name of his stature. He is connected to high technology and to what’s most modern in the world. The way he makes himself available to share such extensive knowledge demonstrates his generosity,” he adds.

A possible product of the celebrations of Cage’s 100th birthday is the 2013 launch of a book organized by Pimenta. Like all his latest books, this one should be sold through the Amazon website at cost price.

 

The artist

Emanuel Pimenta collaborated with John Cage in the last seven years of the composer’s life, and also as composer for Merce Cunningham for 25 years in New York, until Cunningham died.

He lives in Locarno, Switzerland, and in New York. He moved to Europe 27 years ago and gives over 600 concerts around the world, displaying his music, along with John Cage’s, Merce Cunningham’s, David Tudor’s and Takehisa Kosugi’s. He has published over 50 books and recorded more than 50 CD’s.

If you want to check the artist’s work, enter his official website, here.

As Crianças de François Kahn

Sob a perspectiva fragmentada de uma personagem infantil, os aprendizes de Atuação do Módulo Amarelo abriram sua sala de trabalho na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, na manhã do dia 25 de agosto. Debruçados sobre o texto “Crianças na Rua Principal”, de Franz Kafka, e dirigidos por François Kahn, mostraram o resultado das duas semanas de aulas sob orientação do ator e dramaturgo francês.

Conforme disse Ivam Cabral, diretor executivo da Escola, quando Khan chegou à Instituição, “uma das principais qualidades do trabalho dele está em conseguir harmonizar, com perfeição, o físico com o texto”. E assim aconteceu. Dividindo a turma em dois grupos, Kahn trabalhou exercícios de memorização que se dividiam em uma “lição de casa” e atividades em sala de aula, que ligavam a sincronização física do corpo com a mente e, como o método para lembrar todo o texto foi reescrevê-lo diversas vezes, os aprendizes também tiveram de lidar com a impressão da palavra escrita contra a sensação da fala unida à ação, o que a aprendiz Bruna Paula de Moraes definiu, dizendo: “Foi um grande desafio e ia crescendo conforme nos familiarizávamos com o texto”. Cristiano Alfer, outro aprendiz que participou do trabalho, observou que “a ordem, a narração e o jogo físico, ao mesmo tempo, exigem muita concentração”.

Aprendizes do Módulo Amarelo em "Crianças na Rua Principal" (Foto: Hélio Dusk)

Por meio de um sorteio no início de cada cena, Kahn acabou por não deixar que cada aprendiz tivesse falas fixas. Eles se baseavam na criança que quisessem e, com o texto na ponta da língua, pegavam as falas que eram sorteadas. Com a companhia de Verônica Veloso e Francisco Medeiros, Kahn quis mostrar, segundo suas próprias palavras, que “é possível trabalhar texto e ação separadamente e, depois, uni-los”. “Quis eliminar todos os ‘lugares comuns’ sobre crianças que os aprendizes pudessem ter. Dei liberdade aos atores e só fui moldando ao longo do trabalho”, explica.
Para Lauanda Portela Varone, “o estado de atenção, tanto físico quanto mental, para a memorização do texto exigiram uma concentração maior e uma postura mais séria”, o que Nayara Tosin Rocha define como “a busca da simplicidade, do silêncio, da fuga do comum e da tentativa de dar a energia certa e pontual, a intenção de cada palavra”.

No geral, os métodos de memorização e a união do físico com o texto foram os pontos altos do trabalho, segundo os próprios aprendizes, e a participação de Khan em sua formação parece representar algo mais do que só mais um trabalho.

Da criança que cada um representou, porém, experiências também foram tiradas. Em uma conversa após a abertura de sala para o trabalho, cada aprendiz relatou suas sensações e uma discussão se abriu acerca do texto narrado fragmentadamente por uma personagem ainda criança, que contava sua história.

Nayara Tosin Rocha e Stella Maris Kraft Figueiredo (Foto: Hélio Dusk)

“Depois os pássaros ergueram voo como se fossem um chuvisco, eu os acompanhei com o olhar, vi como subiram num fôlego até não acreditar mais que eles subiam, mas sim que eu estava caindo e, segurando firme nas cordas, comecei a balançar um pouco, de fraqueza. Em breve balançava mais forte quando o sopro de ar ficou mais fresco e em lugar dos pássaros em voo apareceram as estrelas trêmulas”. (Trecho extraído do texto “Crianças na Rua Principal”, de Franz Kafka)