No Primeiro Dia, Criou o Vermelho

Controle social, teatro do absurdo, sonhos e imaginação. Cada sala da Sede da Praça Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco foi agitada pelas ideias dos aprendizes do Módulo Vermelho. Ontem, (5), os nove núcleos apresentaram seus projetos cênicos, assistidos pelo formadores.

Essa ação faz parte do processo que se iniciou no último mês, durante o qual cada grupo dialogou com um pensador, num encontro promovido aqui na Escola. Sob a epígrafe “O mundo é formado não apenas pelo que já existe, mas pelo que pode efetivamente existir”, do geógrafo Milton Santos, os nove grupos foram provocados em nove temas. Entre os convidados daquela ocasião, estavam Luiz Fuganti, de antropologia; Guto Lacaz, de artes visuais; Aimar Labaki, de comunicação; Patricia Nakayama, de filosofia; André Martin, de geopolítica; Ladislau Dowbor, de meio ambiente; Celso Nascimento, de música; Sergio Zlotnic, de psicanálise, e Cláudio Novaes Pinto, de sociologia. Depois, os núcleos partiram desses temas e organizaram as primeiras ideias, expostas ontem.

A epígrafe de Milton Santos foi a disparadora do diálogo entre os núcleos e o pensador (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

“Esse encontro foi a explanação das pesquisas dos núcleos. Os formadores trouxeram novas provocações para delinear o estágio atual e as próximas ações”, contou o coordenador pedagógico Joaquim Gama.

O diretor executivo Ivam Cabral animou-se com o momento: “Acredito que este seja o instante mais importante. Definir esses projetos indica qual será o futuro deles. É o momento mais prazeroso pra todos nós, porque revela o olhar estético dos aprendizes e o quão mágico se torna esse movimento. Para mim, essa etapa tem mais valor que o resultado final, ainda que eles sempre nos surpreendam no final”, disse Ivam.

 

* Notícia publicada em 06/09/2012 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2386)

On the First Day, He Created Red

Social control, theatre of the absurd, dreams and imagination. Every room of the Roosevelt headquarters of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts was shaken by the ideas brought by the Red Module students. Yesterday (5), the nine groups presented their drama projects, helped by their teachers.

This action is part of the process started last month, during which each group dialogued with a thinker at a meeting promoted here in the School. Under the epigraph “The world is composed not only of what already exists, but also of what may effectively exist,” by geographer Milton Santos, the nine groups were provoked in nine themes. Among the guests of the occasion were Luiz Fuganti, from anthropology; Guto Lacaz, from visual art; Aimar Labaki, from communication; Patricia Nakayama, from philosophy; André Martin, from geopolitics; Ladislau Dowbor, from the environment; Celso Nascimento, from music; Sergio Zlotnic, from psychoanalysis, and Cláudio Novaes Pinto, from sociology. Later, the groups departed from the themes and organized their first ideas, shown yesterday.

Milton Santos’ epigraph triggered the dialogue between the groups and the thinker (Photo: Arquivo SP Drama School)

 

“This meeting was the result of the research conducted by the groups. The teachers brought new triggers to outline the present phase and the next actions,” said the pedagogical coordinator Joaquim Gama.

The executive director Ivam Cabral was excited about the event: “I believe that this is the most important moment. Defining these projects will tell us what their future will be. This is the most pleasurable moment for us all because it reveals the students’ aesthetic gaze and how magical this movement has become. To me, this phase is more valuable than the final result, though they always surprise us at the end,” said Ivam.

 

* This text was published on september 6 http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2386)

Noite de Clássico na Praça Roosevelt

Ao piano, Regina faz o último ensaio, antes do recital, com suas alunas

Não. A região da Consolação não ganhou um estádio de futebol para sediar um Palmeiras x Corinthians. Mas, na última segunda-feira (10), a Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco recebeu um recital de música clássica.

Num espaço montado com muito capricho e esmero, bem no Saguão de Entrada do prédio, alunos do curso “A Arte do Canto Lírico I”, promovido pelo departamento de Extensão Cultural da Escola, celebraram o fim das aulas com um sarau. O repertório foi escolhido sob a orientação da professora, a consagrada mezzo-soprano Regina Elena Mesquita. “Como é um curso livre, há alunos de todos os níveis, embora tenhamos feito uma audição para a seleção dos candidatos. Estes que estão aqui foram os mais corajosos, que toparam se apresentar. Trata-se de um bom começo, já que estamos falando de um mercado difícil no Brasil. Sabemos que há poucos teatros e casas com programação voltada a esse tipo de música”, disse Regina Elena, antes de dar início às apresentações, que tiveram acompanhamento do pianista Flavio Lago.

E muita coisa boa foi ouvida ali. Desde canções de Villa-Lobos (“Lundú da Marquesa de Santos”, interpretado pelo aluno Dan Ricca) a árias de óperas, como a excelente performance de Fabiana Romero para “Venite Inginocchiatevi”, da ópera “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart, passando até por um sucesso de Clara Nunes, “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, na bela voz de Taiane Martins, que encerrou o recital.

“A música, aliada à palavra, gera a ação. Se você coloca a sua emoção na personagem, a canção vai aparecer e, consequentemente, tocar a plateia”, observou Regina Elena, que em seu currículo traz os prêmios da APCA em 1988 e 1992, como melhor solista vocal e, em 1996, o 1º Prêmio Carlos Gomes da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, entre outros.

Regina Elena Mesquita, cercada por seus pupilos: "Bom começo" (Fotos: Helio Dusk/SP Escola de Teatro)

A seguir, confira, por ordem de apresentação, o que cada aluno interpretou naquela noite, coroada por aplausos do público, que lotou o Saguão da SP Escola de Teatro. Para ouvi-los, clique nos links abaixo. Para ouvi-los e vê-los, em fotos, num vídeo produzido pela Escola, clique aqui.

 
1) Taís Ferreira dos Santos, ária “Stizzoso mio Stizzoso”, da ópera “La Serva Padrona”, de Giovanni Battista Pergolesi

2) Dan Ricca, “Lundú da Marquesa de Santos”, de Heitor Villa-Lobos

3) Fabiana Romero, “Venite Inginocchiatevi”, da ópera “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart

4) Laís Ponce, “Gia il Sole dal Gange”, de Alessandro Scarlatti

5) Arisa Doy Baldin, “Vittoria, Vittoria Mio Core”, de Giacomo Carissimi

6) Vanessa Scorsoni, ária “Elle a Fui, la Tourtelle!” da ópera “Les Contes d’Hoffmann”, de Jacques Offenbach

7 ) Victor Hibbeln, “Der Wegweiser”, de Franz Schubert

8) Gabriela Menezes, “Du Bist Die Ruh”, de Franz Schubert

9) Charles Yuri, “Down by the Salley Gardens”, de Ivor Gurney

10) Shannon Neves, ária “Venere Bella, Per Um Istante”, da ópera “Giulio Cesare”, de George Frideric Händel

11) Felipe Teles, “Vaga Luna che Inargenti”, de Vincenzo Bellini

12) Taiane Martins, “Canto das Três Raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, sucesso na voz de Clara Nunes

 

* Notícia publicada em 12/09/2012 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2401)

A Night of Classics at Roosevelt Square

At the piano, Regina rehearses one last time, before the recital, with her students

The region around Consolação Street didn’t get a soccer stadium to host a Palmeiras x Corinthians match. However, last Monday (10), the Roosevelt headquarters of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts got a classical music recital.
In the space, set up with extreme care and affection, right in the building’s entry hall, students of the course “The Art of Lyrical Singing I”, promoted by the School’s department of Cultural Extension, celebrated the end of class with a recital. The repertoire was selected under the guidance of the teacher and eminent mezzo-soprano Regina Elena Mesquita. “Since this is a free course, there are students of all levels, though we did have an audition for candidate selection. The ones here are the bravest, the ones who accepted to perform. It’s a good beginning, as this is a difficult market in Brazil. We know there are few theatres and venues geared to this style of music,” said Regina Elena, before giving the go ahead to the presentations, which were accompanied by pianist Flavio Lago.

A great deal of good music was heard there. From songs by Villa-Lobos (“Lundú da Marquesa de Santos”, sung by student Dan Ricca) to opera arias, such as the excellent performance by Fabiana Romero for “Venite Inginocchiatevi”, from the opera “The Marriage of Figaro”, by Wolfgang Amadeus Mozart, going through a hit sung by Brazilian popular singer Clara Nunes, “Canto das Três Raças”, by Paulo César Pinheiro and Mauro Duarte, in the beautiful voice of Taiane Martins, who closed the recital.

“The music, united to the word, generates action. If you place your emotion in the character, the song will come out and, consequently, touch the audience,” observed Regina Elena, whose curriculum features APCA awards in 1988 and 1992, as best vocal soloist and, in 1996, the 1st Carlos Gomes APCA Award from the Bureau of Culture of the State of São Paulo, among others.

Regina Elena Mesquita, surrounded by her pupils: "A good start" (Photos: Helio Dusk/SP Drama School)

Next, check, in the order they were presented, the pieces interpreted by each student during the applause-filled evening that crowded the hall of the SP Drama School. If you want to listen to them, click on the links below. If you want to listen and see their photos, in a video produced by the School, click here.

1) Taís Ferreira dos Santos, aria “Stizzoso mio Stizzoso”, from the opera “La Serva Padrona”, by Giovanni Battista Pergolesi

2) Dan Ricca, “Lundú da Marquesa de Santos”, by Heitor Villa-Lobos

3) Fabiana Romero, “Venite Inginocchiatevi”, from the opera “The Marriage of Figaro”, by Wolfgang Amadeus Mozart

4) Laís Ponce, “Gia il Sole dal Gange”, by Alessandro Scarlatti

5) Arisa Doy Baldin, “Vittoria, Vittoria Mio Core”, by Giacomo Carissimi

6) Vanessa Scorsoni, aria “Elle a Fui, la Tourtelle!” from the opera “Les Contes d’Hoffmann”, by Jacques Offenbach

7) Victor Hibbeln, “Der Wegweiser”, by Franz Schubert

8) Gabriela Menezes, “Du Bist Die Ruh”, by Franz Schubert

9) Charles Yuri, “Down by the Salley Gardens”, by Ivor Gurney

10) Shannon Neves, aria “Venere Bella, Per Un Istante”, from the opera “Giulio Cesare”, by George Frideric Händel

11) Felipe Teles, “Vaga Luna che Inargenti”, by Vincenzo Bellini

12) Taiane Martins, “Canto das Três Raças”, by Paulo César Pinheiro and Mauro Duarte, hit in the voice of Clara Nunes

 

* This text was published on september 12 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2401)

Introdução à Biodinâmica

Malavia, diante de seus alunos do workshop (Fotos: Helio Dusk/SP Escola de Teatro)

“Temos de aprender a dizer que não temos um corpo, mas sim, somos um corpo”. Foi com essa premissa que o dramaturgo, diretor e novelista boliviano Marcos Malavia, fundador da Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, deu início ao workshop “Introdução à Biodinâmica”, que ocupou o 1º andar da Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, das 18h às 22h de ontem (13).

Com uma sala repleta de atores, em sua maioria estudantes de teatro e aprendizes da Escola, Malavia contou um pouco sobre a Biodinâmica, técnica que ele mesmo criou. Ela foi desenvolvida a partir dos princípios físicos, orgânicos e dinâmicos do corpo do ator, para levá-lo a ter melhor conhecimento, controle e compreensão do corpo como a globalidade orgânica e dramática a serviço da interpretação.

Segundo ele, a prática da Biodinâmica é fundamental para o desenvolvimento do ator porque não enfatiza somente a gestão precisa do corpo orgânico; também o leva a ter consciência da energia de tudo o que o rodeia. “O teatro é o desdobramento constante do ator e do espectador. Ele (teatro) só existe a partir do momento em que é criado o diálogo com o outro. Assim, o ator deve ter a consciência de que ele também deve se desdobrar: ser ele mesmo e o vazio que deve carregar dentro de si para ser preenchido por suas personagens”, diz Malavia, dono de uma retórica que prende a atenção de quem o escuta.

Depois, devidamente vestidos com malhas pretas, para terem a flexibilidade necessária, exigida pela atividade, os alunos passaram aos exercícios práticos.

O encontro de Ivam Cabral e Marcos Malavia, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro

Parceria SP Escola de Teatro / Escuela Nacional de Teatro da Bolívia
Neste ano, a SP Escola de Teatro fechou parceria com a Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, que fica em Santa Cruz de La Sierra e foi fundada por Malavia. O acordo consiste, primeiramente, em um intercâmbio entre aprendizes das duas instituições. Assim, em julho, Nadia Verdun e Erik Moura, ambos matriculados no curso de Atuação, Módulo Azul, embarcaram rumo à Bolívia, de onde acabaram de voltar.

Agora, quem chega por aqui é o aprendiz boliviano de atuação Antonio Peredo Gonzales, que ficará estudando na SP Escola de Teatro por dois meses. “O que eles mais gostaram daqui foi o fato de nossa escola não se restringir à Atuação, o que acontece na instituição boliviana, que não tem aulas nas áreas técnicas do palco (Iluminação, Sonoplastia, Cenografia, etc)”, observa Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro.

 

* Notícia publicada em 14/09/2012 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2411)

Introduction to Biodynamics

Malavia, before his students of the workshop he taught last night (Photos: Helio Dusk/SP Drama School)

“We must learn to say not that we have a body, but that we are a body.” With that premise the Bolivian playwright, director and novelist Marcos Malavia, founder of the Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, kicked off the workshop “Introduction to Biodynamics,” which took place on the first floor of the Roosevelt headquarters of the SP Drama School – Training Centre for the Performing Arts, from 6 to 10 pm last night (13).

With a roomful of actors, mostly drama students and students from the School, Malavia gave a brief talk on Biodynamics, a technique that he created himself based on the physical, organic and dynamic principles of the actor’s body. The aim is to lead the actor to a greater control and understanding of the body as an organic and dramatic wholeness at the service of acting.

According to Malavia, the practice of Biodynamics is key for the development of the actor because it doesn’t only emphasize a precise management of the organic body, but also leads to an awareness of the energy of all that surrounds the actor. “The theatre is the constant unfolding of the actor and spectator. It (the theatre) only exists at the moment when the dialogue with the other is created. So, the actor must have the awareness that he too must unfold: be himself and the emptiness he must carry inside to be filled by the characters,” says Malavia, owner of a rhetoric that captures whoever is listening.

Next, duly dressed in black leotards to have the necessary flexibility for the activity, the students went through the practical exercises.

The meeting between Ivam Cabral and Marcos Malavia, at the Roosevelt headquarters of the SP Drama School

Partnership SP Drama School / Escuela Nacional de Teatro da Bolívia

This year, SP Drama School made a partnership with the Escuela Nacional de Teatro da Bolívia, located in Santa Cruz de La Sierra and founded by Malavia. The agreement features an exchange program among students of both institutions. So, in July, Nadia Verdun and Erik Moura, both enrolled in the Acting course, Blue Module, boarded for Bolivia, from where they have just returned.

Now, Antonio Peredo Gonzales, a Bolivian acting student is arriving here, where he will be studying for two months at the SP Drama School. “What they liked the most here was the fact that our school is not restricted to Acting, as is the case in the Bolivian institution, which doesn’t offer stage techniques (Lighting Design, Sound Design, Set Design, etc),” observes Ivam Cabral, executive director of the SP Drama School.

 

* This text was published on september 14 (http://www.spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2411)