François Kahn Entre Nós

Os óculos de aros finos e o forte sotaque francês não deixam dúvidas. Está-se mesmo diante de François Kahn, um dos maiores nomes do teatro contemporâneo. Em seu vasto currículo, está a atuação no Teatro Laboratório Jerzy Grotowski, em Wroclaw, Polônia (de 1975 a 1986) e sua participação como ator e dramaturgo em espetáculos dirigidos por Roberto Bacci, no Centro de Experimentação Teatral de Pontedera, na Itália. Para Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, “uma das principais qualidades do trabalho de Kahn está em conseguir harmonizar, com perfeição, o trabalho físico com o texto”.

Pois não é que ele está entre nós? Hoje (8), pela manhã, ele deu início à primeira de uma série de aulas para os aprendizes de Atuação do Módulo Amarelo, na sede Roosevelt da SP Escola de Teatro. Depois de uma apresentação feita pelo coordenador do curso, Francisco Medeiros, Kahn abriu as atividades, que seguiriam até as 13h, continuando em outros dias.

Muito curioso, o artista pediu para que os aprendizes formassem um círculo e se apresentassem. Não faltaram risos diante de certa dificuldade do francês em pronunciar os nomes de alguns deles. “Ma-ri-a E-u-gê-ni-a, Ra-íl-son”, ele repetia, tentando memorizar as identidades. Depois, coordenou a formação de dois grupos: meninos e meninas. Cada aprendiz, então, foi orientado a escolher uma personagem, que deveria ser uma criança (um primo, um irmão, etc), de até 10 anos de idade. Todos deveriam pensar nos detalhes da personalidade da personagem, seu nome, idade e, nas próximas aulas, ter um brinquedo e estar vestido com pijama ou camisola.

François Kahn, ao lado de Francisco Medeiros (de vermelho), é apresentado aos aprendizes de Atuação

A partir daí, Kahn apresentou o texto a ser trabalhado nas aulas: “Crianças na Rua Principal”, de Franz Kafka, com tradução para o português de Modesto Carone. A obra seria distribuída entre os aprendizes, que deveriam memorizá-la em sua íntegra. Depois, o texto foi dividido em 12 partes, que seriam sorteadas para serem interpretadas pelos aprendizes. Enfim, muito trabalho à vista!

Kahn na SP Escola de Teatro
Além de ministrar essas aulas, François Kahn também participará de uma Mesa de Discussão com mediação da professora, pesquisadora e diretora teatral Maria Thais, na próxima segunda-feira (13), às 19h, na Sede Roosevelt da Instituição. O tema será “O Ator Narrador e o Teatro de Câmara”. O encontro é aberto ao público.

E, para a maioria, que nunca teve a oportunidade de ver François Khan no palco, a boa-nova é que o ator vai apresentar o espetáculo “Moloch”, dias 27 de agosto e 3 de setembro, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro, a partir das 20h, com entrada franca. A peça foi produzida a partir de notas sobre o julgamento em que Allen Ginsberg (poeta americano da geração beat) foi testemunha de defesa, num processo político dos Estados Unidos de 1969. Durante os dois dias de julgamento, o procurador o atacou de modo muito violento, para mostrá-lo sob uma ótica ruim.

Ginsberg foi atacado em quatro direções: na religião, porque ele se dizia budista, o que na época era escandaloso para os americanos protestantes; nas drogas, porque Ginsberg defendia o uso da maconha e havia processos contra ele por uso da erva proibida; na homossexualidade, porque ele se declarava homossexual, o que era um escândalo absoluto, e na poesia, pois ele defendia sua visão da poesia como um ato natural do ser humano que, como tal, deveria ser respeitado. O procurador queria provocar Ginsberg e pediu para que ele lesse alguns poemas considerados escandalosos. Ele aceitou lê-los, mas deu uma explicação e um sentido a todos. “O que Ginsberg disse é sempre verdade e atual. A sociedade é um pouco mais permissiva, mas no fundo as coisas são as mesmas”, diz Kahn.

Aos jovens atores, o francês deixa um precioso conselho: “O desafio é muito importante na formação de um ator, mas a coisa do medo, não. O desafio é fundamental. É preciso que haja um desafio, senão não tem valor, não tem superação de dificuldades”.

François Kahn Among Us

The thin-rimmed glasses and thick French accent leave no doubt. You are face-to-face with François Kahn, one of the biggest names in contemporary theater. His vast curriculum includes acting in Jerzy Grotowski’s Laboratory Theater in Wroclaw, Poland (1975 to 1986) and his participation as an actor and playwright in plays directed by Roberto Bacci, at the Centro per la Sperimantazione e la Ricerca Teatrale in Pontedera, Italy. To Ivam Cabral, executive director of SP Theatre School – Training Centre for the Performing Arts,” one of the main qualities of Kahn’s work is being able to perfectly harmonize physical work with the text.”

The good news is that he is among us. This morning (8), he began the first of a series of classes for acting students of the Yellow Module at the Roosevelt headquarters of SP Theatre School. After a presentation by the course coordinator, Francisco Medeiros, Kahn started the activities that went on until 1pm and will follow up on the upcoming days.

The artist asked students to form a circle and introduce themselves. There was no shortage of laughs at Kahn’s French accent when pronouncing some of the names. “Ma-ri-a E-u-gê-ni-a, Ra-íl-son”, he repeated, trying to memorize the identities. Then, he broke them up into two groups: boys and girls. Each student was then asked to choose a character, a 10-year-old child (a cousin, a brother, etc.). They should think about the details of the character’s personality, their name, age and, in the next classes, bring a toy and be dressed in pajamas or a nightgown.

François Kahn, next to Francisco Medeiros (in red) is introduced to the acting students

Next, Kahn showed them the text they will be working with in class: “Children on Main Street” by Franz Kafka, translated into Portuguese by Modesto Carone. The piece was distributed among the students, who should memorize it in its entirety. Finally, the text was divided into 12 parts, which would be raffled to be acted by the students. In short, a good deal of work ahead!

Kahn at SP Theatre School
In addition to the classes, François Kahn will also be part of a Round Table debate mediated by the teacher, researcher and theater director Maria Thais, next Monday (13) at 7pm, at the Institution’s Roosevelt headquarters. The theme will be “The Storyteller Actor and Chamber Theatre.” This meeting is open to the public.

Also, for most of us who never had the opportunity to see François Khan on stage, the good news is that the actor will present the play “Moloch”, on August 27th and September 3rd, at the Roosevelt headquarters of SP Theatre School, starting at 8pm, with free admission. The play was produced from the notes on the political trial in which Allen Ginsberg (American poet of the Beat Generation) was a defense witness in the United States, in 1969. During the two days of trial, the prosecutor attacked the poet violently to expose him in a bad light.

Ginsberg was attacked in four areas: religion, because he called himself a Buddhist, which at the time was a scandal for American Protestants; for drugs, because Ginsberg advocated the use of marijuana and was being prosecuted for the use the forbidden weed; for homosexuality, because he was openly gay, which was an outrage, and in poetry, because he defended a position that viewed poetry as a natural human act and, as such, should be respected. The prosecutor wanted to provoke Ginsberg and asked him to read a few poems considered shocking. He agreed to read them, but gave an explanation and meaning to each. “What Ginsberg said remains true today. Society is slightly more permissive, but deep down things are still the same,” says Kahn.

To young actors, the French artist leaves a precious piece of advice: “Challenge is key in an actor’s training, but not fear. Challenge is fundamental. There must be a challenge, otherwise, there is no value, no overcoming of difficulties.”

Celebração Por Um Novo Semestre

O primeiro Território Cultural do segundo semestre, realizado na sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, no último sábado (11), começou com o agito da intervenção sonora a partir de objetos elétricos, eletrônicos e percutíveis, construídos pelos aprendizes de Sonoplastia durante o primeiro semestre, que formam o chamado “Hiperinstrumento”.

“O projeto, realizado no semestre passado, tem a ver com o tema da performatividade. Com o Hiperinstrumento, os aprendizes puderam buscar novas sonoridades, performances e possibilidades de criar suas trilhas sonoras”, explica Raul Teixeira, coordenador do curso de Sonoplastia da Instituição.

Após algumas palavras de Ivam Cabral e Joaquim Gama, respectivamente diretor executivo e coordenador pedagógico da Escola, Kimberly, uma das quatro recepcionistas da Instituição, interveio dançando e dublando a música “A Quien Le Importa”, de Thalia.

“Somos bastante pretensiosos. Costumo dizer que se estivéssemos em um lugar de medicina, estaríamos pesquisando as células-tronco; se fosse uma empresa deengenharia, seria a pesquisa da engenharia genética. Estamos no teatro, conectados com o que há de mais potente e moderno no mundo. A pedagogia tem se debruçado o tempo todo em não pensar o mais fácil. Por isso, temos um modelo pedagógico tão singular quanto o nosso. Sejam bem-vindos ao segundo semestre!”, disse Ivam, que aproveitou a ocasião para acolher os novos aprendizes.

 

Ivam Cabral recepcionando os novos aprendizes (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Exposição em homenagem a Nelson Rodrigues
A aguardada exposição comemorativa em homenagem a Nelson Rodrigues finalmente está aberta ao público. No evento de lançamento, também no sábado (11), J.C.Serroni, curador e coordenador geral da mostra – além de coordenador dos cursos de Cenografia e Figurino e Técnicas de Palco –, recebeu os visitantes: “Esta é uma exposição criada pelos aprendizes. Nós os orientamos, mas deixamos que eles trabalhassem o tempo todo”.

Ao entrar no ambiente, o público pode ver uma sala inteira dedicada ao trabalho. Envoltas por uma cenografia especial, realizada pelo próprio Serroni, as 15maquetes criadas pelos aprendizes de Cenografia e Figurino e uma instalação em escala real dos aprendizes de Técnicas de Palco chamavam a atenção pela riqueza de detalhes. No andar superior, os interessados na obra de Nelson Rodriguestinham acesso a cinco maquetes de cenografias feitas por Serroni para peças do autor, além de projetos de figurinos desenhados por ele e Telumi Hellen, formadora do curso de Cenografia e Figurino da Escola. Para aumentar a atmosfera rodrigueana, gravações de trechos de peças eram transmitidas.

“Nelson Rodrigues: Toda Nudez Será Castigada” continua em cartaz na sede Roosevelt da Instituição até 8 de setembro.

A Obra de Nelson Rodrigues

Às 11h, o diretor Marco Antonio Braz ministrou a palestra “Sobre a Obra de Nelson Rodrigues” aos aprendizes do Módulo Vermelho. A palestra debruçou-se inteira sobre a vida do autor. “Nelson Rodrigues era um mitificador, criava mitos desde o futebol até sua vizinhança, e é este olhar mítico que justifica a grandeza de sua obra”, contou Braz.

O diretor é um dos grandes especialistas na obra do autor. Ao longo de sua trajetória, encenou uma série de peças de Nelson, e, neste ano, foi convidado para dirigir as peças da mostra “Nelson Rodrigues 100 Anos”, que tem curadoria de Ruy Filho.

A Voz das Comunidades

“Eu tinha 180 seguidores quando comecei a contar o que estava acontecendo. No dia seguinte, já havia cerca de 30 mil. Não imaginei que ia ter tanto repercussão”. Em 2009, um garoto twittava, em tempo real, a invasão da polícia no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Rene Silva, o criador do perfil, ficou conhecido mundialmente e, recém-chegado de Londres, compareceu no primeiro Território Cultural do segundo semestre.

Com uma agenda cheia e apenas 18 anos, Rene compartilhou sua experiência e falou sobre os projetos culturais e sociais realizados na comunidade. Rene Silva agradeceu pelo twitter ao diretor executivo Ivam Cabral e à SP Escola de Teatro. “Obrigado pela recepção @ivamcabral e galera da SP @escoladeteatro. É muito legal!!! :) )”. Ivam não deixou por menos e retwiitou: “Vc crê no mundo que nós acreditamos!”

Placa e encerramento musical

Depois de uma manhã repleta de atividades, às 13h foi o momento de encerrar a programação dedicada ao público geral. Duas ações foram concretizadas naquele instante: o plantio de mudas na frente da Escola, quecontou com a participação de diversos aprendizes e funcionários, e o descerramento da placa com os nomes dos primeiros aprendizes a concluir todos os Módulos dos Cursos Regulares da Instituição. A chapa metálica foi pendurada no saguão do prédio. “O nome de vocês vai ficar sempre emoldurado nessas paredes”, vibrou Ivam, antes de conduzir todos na execução do tradicional hino da Escola.

Os escolhidos para comandar a festa foram os DJ’s Eugênio Lima e Will Robson e o dançarino e coreógrafo Frank Ejara, que agitaram o público até as 14h. “A Roosevelt foi muito importante para a cultura do hip-hop de São Paulo e do Brasil”, afirmou Lima.

Depois das 14h, de volta do almoço, os aprendizes do Módulo Vermelho reuniram-se em seus núcleos para conversas sobre seus respectivos projetos e o rumo que eles tomariam durante o semestre. Nem é preciso dizer que a expectativa é grande!

Celebrating a New Semester

The second semester’s first Território Cultural, held at the Roosevelt headquarters of SP Theatre School, Centre for the Education of Performing Arts, last Saturday (11), started with the razzle-dazzle of a sound intervention with electric, electronic and percussion objects built by the Sound Design pupils during their first semester. Together, these objects are what we call “Hyper-instrument”.

“The project, undertaken last semester, is connected to the theme of performance. With the Hyper-instrument, the students could look for new sounds, performances and possibilities to create their own soundtracks”, explains Raul Teixeira, coordinator of the Sound Design course.

After a few words by Ivam Cabral and Joaquim Gama, respectively the School’s executive director and pedagogical coordinator, Kimberly, one of the Institution’s four receptionists, intervened dancing and lip-synching the song ” A Quien Le Importa ” by Thalia.

“We are very pretentious. I often say that if we were in a medical school, we would be researching stem cells; if we were an engineering company, we would be doing genetic engineering research. We’re in the theater, we are connected with what is most powerful and modern in the world. Our pedagogy has always focused on not taking the easy way. That’s why we have an education model as unique as ours. Welcome to the second semester! “Said Ivam​​, who took the opportunity to welcome the new students.

 

Ivam Cabral and the new students (Photo: SP Theatre School)

 

An Exhibition paying tribute to Nelson Rodrigues

The much awaited celebration exhibition paying tribute to Nelson Rodrigues is finally open to the public. At the launch, which also took place on Saturday (11), J.C.Serroni, the exhibition’s curator and general coordinator – and also coordinator for the Set Design and Costume, and Stage Techniques courses – welcomed the visitors: “This is an exhibition created by the students. We guide them, but always let them do the work.”

As they walk in, the public could see an entire room devoted to the work. Surrounded by special sets, designed by Serroni himself, the 15 models, created by the students of Costume and Set Design, and an installation built to real scale by the students of Stage Technique, the exhibition called attention for the richness of detail. Upstairs, those interested in the work of Nelson Rodrigues had access to five models of sets designed ​​by Serroni for plays by the author, not to mention costume projects designed by himself and by Telumi Hellen, a teacher at the School’s Costume and Set Design course. To enhance the atmosphere typical of Nelson Rodrigues, recordings of excerpts from his plays were transmitted.

“Nelson Rodrigues: Toda Nudez Será Castigada” (All Nudity will be Punished) goes on at the Institution’s Roosevelt headquarters until September 8th.

Nelson Rodrigues’s Work

At 11am, the director Marco Antonio Braz gave the lecture “On the Work of Nelson Rodrigues”, which focused on the author’s life, to the Red Module students. “Nelson Rodrigues was a mythmaker; he created myths from football to his neighborhood and it’s that mythic perspective that justifies the greatness of his work”, said Braz.

The director is one of the leading experts on the author’s work. Throughout his career, he staged a series of plays by Nelson Rodrigues, and, this year, was invited to direct the plays of the event “Nelson Rodrigues 100 Years”, curated by Ruy Filho.

The Voice of the Community

“I had 180 followers when I started to tell what was going on. The next day, I had about 30 thousand. I did not think it would have such a great impact. “In 2009, a boy twitted – in real time – the police raid at the Complexo do Alemão in Rio de Janeiro. Rene Silva, the creator of the page, became famous worldwide and, newly arrived from London, attended the first Território Cultural of the second semester.

With a busy schedule and only 18 years of age, Rene shared his experience and spoke about the social and cultural projects undertaken in the community. Rene Silva twitted his thank you to the executive director, Ivam ​​Cabral, and to the SP Theatre School. “Thank you for the welcome, @ivamcabral and the folks at SP @escoladeteatro. It’s really cool!! :) )”. Ivam wouldn’t be left behind and retwitted: “U believe in the world we believe in!”

The plaque and the musical closing

After an activity-filled morning, at 1pm, it was time to finish the programming dedicated to the general public. Two actions were implemented at that moment: the planting of seedlings in front of the school, attended by several students and employees, and the unveiling of the plaque with the names of the first students to complete all modules of the Institution’s Regular Courses. The metal sheet was hung in the building lobby. “Your name will forever be framed within these walls,” celebrated Ivam​​, before conducting everyone through the School’s traditional anthem.

Selected to lead the party were DJs Eugenio Lima and Will Robson and the dancer and choreographer Frank Ejara, who cheered the public until 2pm. “The Roosevelt center has been very important to the culture of hip-hop both in Sao Paulo and in Brazil,” declared Lima.

After 2pm, back from lunch, students of the Red Module met in their departments to talk about their projects and the direction they would take during the semester. Needless to say that the expectation is huge!

Eu Performo, Tu Performas, Ele Performa

Ivam Cabral em "Cabaret Stravaganza" (Foto: André Stefano)

Por Ivam Cabral

Ainda que patente, é importante afirmar que o performativo não se limita às artes. Está em diversas áreas como medicina, engenharia, arquitetura e tem a ver com o ato de fazer, de atuar.

Também não se restringe aos aspectos sensíveis e pode agir tanto nas camadas sociais como nas físicas. O performativo não está ligado ao desempenho; antes, é o processual que interessa.

De maneira geral, performance pode significar resultado ou maneira de se realizar alguma coisa. Pode definir também – se roubarmos sua relação com as artes plásticas –, uma maneira de colocar em prática um trabalho artístico ao vivo, um happening.

Deste modo, performam os que fazem performance. Se a performance acontece neste “lugar” e “ao vivo”, é possível pensarmos que, neste terreno, é forçoso que outra realidade seja instaurada. Não podemos esquecer que estamos no espaço da subjetividade e que o teatro é um acontecimento; um fenômeno, portanto.

Assim – e por meio desta experiência – podemos transformar ficção em realidade ou vice-versa. E, neste lugar, tanto artistas quanto público podem performar.

No teatro e no teatral necessitamos sempre de um olhar externo, da consciência e da observação. O performativo, contudo, não depende necessariamente deste olhar. Obrigatoriamente o teatral prescinde do performativo; o performativo, no entanto, pode dispensar o teatral.

Enquanto no teatral recorremos à formalização, na performatividade buscamos a fricção, a possibildiade do diálogo. Porque é no performativo que trabalhamos com a suspensão de juízo, importantíssima no processo criativo.

A questão da experiência é o platô da base pedagógica da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. E nossa questão nestes últimos dias tem sido pensar como o performativo pode se deslocar no que propomos.

Se o foco está na experiência, nunca no resultado, o que importa é o fazer.

I Perform, You Perform, He Performs

Ivam Cabral on "Cabaret Stravaganza" (Photo: André Stefano)

By Ivam Cabral

Though evident, it is important to remember that performance is not limited to the arts. It is present in a number of areas, such as medicine, engineering, architecture, and it has to do with the act of doing.

It is also not restricted to the sensitive aspects and may operate both on social layers and physical ones. A performance is not linked to an achievement; rather, it is the process that matters.

Overall, a performance may mean a result or the way to execute something. It may also define – if we remove it from its relation with the visual arts – a way to put into practice a live artistic work, an event.

Thus, those who perform do a performance. If the performance happens in this “place” and “live”, one may think that, in this field, a new reality must be installed. We must not forget that we are in the space of subjectivity and that the theatre is a happening, therefore, a phenomenon.

So – through this experience – one may turn fiction into reality or vice-versa. And, in this place, both artist and public may perform.

In the theatre and in the theatrical, we always need an external eye, of consciousness and of observation. The performance, however, does not necessarily depend on this gaze. The theatrical, then, needs the performance, but the performance exempts the theatrical.

Whereas in the theatrical, we resort to formalization, in performance we look for friction, for the possibility of a dialogue, because it is in performance that we work with suspension of judgment, which is key to the creative process.

The matter of experience is the pedagogical basis of SP Drama School. Our issue these past few days has been to think how performance can dislocate in what we are proposing.

If the focus is on the experience, never on the result, doing is what matters.